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Vila Velha 485 anos: como estão os espaços histórico-culturais do município?

Casa da Memória e Museu Homero Massena seguem no cronograma de obras. Já a Caravela do Descobrimento  e a Gruta de Pedro Palácios não tiveram a mesma sorte

Publicado em 21/05/2020 às 17h32
Atualizado em 21/05/2020 às 20h52
O Museu Homero Massena, na Prainha, em Vila Velha
O Museu Homero Massena, na Prainha, em Vila Velha. Crédito: Pedro Lodi/PMVV

Em 23 de maio de 1535, Vasco Fernandes Coutinho chegava a Prainha, em Vila Velha, a bordo de sua caravela Glória, com o intuito de colonizar a então criada Capitania Hereditária do Espírito Santo A dois dias de completar 485 anos, a cidade canela-verde, hoje um centro regional de quase meio milhão de habitantes, é uma referência para a economia capixaba.

Mesmo com a visível prosperidade, a segunda cidade mais populosa do Estado chega à semana de comemoração do aniversário e Colonização do Solo Espírito-Santense sem ver as reformas de seus maiores símbolos culturais e históricos concluídas

Espaços como o Museu Homero Massena e a Casa da Memória ainda estão em obras, algumas com atraso, especialmente a última.  O projeto de reestruturação da Gruta de Pedro Palácios, prometido para iniciar em 2019, ainda não saiu do papel.

Em situação pior encontra-se a Caravela Espírito Santo. Construída para as comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, a navegação está parcialmente afundada na região do bairro da Glória, em Vila Velha, desde 2011, e ainda se encontra sem previsão  de restauro.

Apesar da pandemia do novo coronavírus, que mantém as pessoas em casa por conta dos locais fechados, turistas, alunos das escolas públicas e privadas, e moradores de Vila Velha não podem usufruir do melhor que esses centros têm a oferecer: uma parte da história sobre a criação da identidade capixaba. O motivo: a demora na realização de obras de revitalização.

PROMESSAS

Interditado pela Defesa Civil desde agosto de 2018, a reforma do Museu Homero Massena, de acordo com a Prefeitura de Vila Velha, continua prevista para o terminar até o final de 2020. Aparentemente, nem a pandemia da covid-19 foi capaz de atrasar os trabalhos.

Data: 21/01/2020 - ES - Vila Velha - Museu Homero Massena, Vila Velha  Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Data: 21/01/2020 - ES - Vila Velha - Museu Homero Massena, Vila Velha Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ. Crédito: Ricardo Medeiros

Fontes ligadas à reportagem garantem que, por enquanto, apenas um muro foi construído ao redor do museu. As obras, especificamente, ainda não começaram. Em nota oficial, a PMVV informa que "a construção foi iniciada e está em fase de proteção das obras, seguindo o cronograma".

O trabalho, que começou no início de janeiro com um custo estimado em R$ 303 mil, também engloba o restauro das pinturas, obras de arte e afrescos tombados. Entre os reparos físicos, está a reforma do telhado, que ganhará uma nova cobertura para evitar infiltrações. 

RESTAUROS

A reforma da Casa da Memória, outra ação prometida pela atual administração canela-verde,  finalmente começou nesta semana. A obra vai possibilitar a utilização de mais duas salas para acervo permanente e espaços para exposições itinerantes, além de uma galeria para acolher exposições de artistas capixabas.

Data: 21/01/2020 - ES - Vila Velha - Casa da Memória, Vila Velha  Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Data: 21/01/2020 - ES - Vila Velha - Casa da Memória, Vila Velha Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ. Crédito: Ricardo Medeiros

Estão previstas melhorias no telhado, piso, paredes e adequação para acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência, entre outros serviços. A previsão para conclusão é de 120 dias e conta com um investimento de R$ 407 mil.

Em entrevista para anunciar o início da construção - que estava prometida para o início de fevereiro -, Peterson de Castro, secretário de cultura de Vila Velha,  afirmou que o centro é um dos principais pontos turísticos e culturais da cidade. "A casa abriga estátuas de personagens importantes da história capixaba e todo o acervo preserva a memória, a identidade e a produção cultural do município", garante.

O acervo contendo as obras de artes expostas na Casa da Memória pertencem ao Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha, que, há cerca de 20 anos, mantém uma parceria com a prefeitura da cidade para a preservação do espaço.  

HISTÓRIA

Local onde teve início a Colonização do Solo Espirito-Santense, a gruta de Pedro Palácios também será restaurada, em uma obra prometida desde junho de 2019. Entre as ações previstas na restauração, estão a retirada da grade que cerca o espaço e a demolição de uma caixa d'água na tentativa de recuperar ao máximo as características originais da região. 

Gruta do Frei Pedro Palácios, aos pés do Convento da Penha, em Vila Velha
Gruta do Frei Pedro Palácios, aos pés do Convento da Penha, em Vila Velha. Crédito: Acervo Rede Gazeta/Vitor Jubini

Há, também, a previsão de restauro da imagem de Frei Pedro, que está em frente à Câmara dos Vereadores de Vila Velha, e reposicioná-la no centro daquele espaço, criando na cidade mais um ponto de atração turística. O projeto está sendo tocado em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Convento da Penha.

Em nota oficial, a PMVV afirmou que "o projeto do Largo do Frei Pedro Palácios foi apreciado pelo Conselho de Patrimônio de Vila Velha e foram feitas solicitações sobre adequações do projeto, e, em seguida, encaminhado para a empresa responsável pela elaboração de um novo projeto. A previsão de entrega é final de 2020. O recurso das obras está dentro do orçamento de 2020". A prefeitura informou que espera a adequação do projeto para definir o orçamento e o início das obras. 

MARES

A Caravela Espírito Santo está abandonada em uma área da Glória desde 2011. Crédito: Reprodução/TV Gazeta
A Caravela Espírito Santo está abandonada em uma área da Glória desde 2011. Crédito: Reprodução/TV Gazeta

Construída pela fundação Descobrindo o Espírito Santo, com parte dos recursos oriundos da iniciativa privada, a Caravela Espírito Santo, feita de madeira ipê, vinda da Amazônia, está abandonada em uma praia da região da Glória e parcialmente afundada.  A caravela já foi utilizada para passeios turísticos e, durante dois anos, participou do programa “Navegando na Educação”, chegando a transportar cerca de cinco mil alunos.

Após uma longa disputa travada na Justiça desde 2012, a Caravela Espírito Santo - orçada em R$ 250 mil - passou para as mãos do Instituto de Pesca e Atividades Náuticas do Brasil (Ipan), que se comprometia a restaurar a embarcação. Em 2017, em entrevista ao portal G1, a Prefeitura de Vila Velha mostrou interesse em restaurar a embarcação, desde que também contasse com o aporte da iniciativa privada. A ideia, na época, era transformar o barco em atração turística e também explorá-lo como instrumento pedagógico de ensino.

Até 2018, o Ipan disse que não havia encontrado parceiros para realizar as obras na caravela, de acordo com reportagem da Rádio CBN Vitória na época.  A reportagem tentou entrar em contato com o centro, mas não conseguiu o contato do instituto e nem de seu presidente na época, Nilton Coutinho.

Procurada por A Gazeta, a PMVV confirmou, por meio de nota, que o projeto para restauro da caravela está em fase de estudo.

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