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Trabalhadores do setor de eventos protestam na Praça do Papa, em Vitória

Manifestantes, que trabalham nos bastidores de shows e espetáculos, pedem subsídios aos governantes capixabas para sair da crise econômica

Publicado em 24/07/2020 às 18h33
Cerca de 100 trabalhadores do setor cultural se reuniram nesta sexta (24), na Praça do Papa, reivindicando subsídios do governo para sair da crise. Crédito: Lúcia Marins
Cerca de 100 trabalhadores do setor cultural se reuniram nesta sexta (24), na Praça do Papa, reivindicando subsídios do governo para sair da crise. Crédito: Lúcia Marins

Impossibilitados de trabalhar desde o início de março, por conta do avanço da pandemia do novo coronavírus no Estado, profissionais do setor de eventos resolveram reagir, pedindo subsídios aos governantes capixabas para sair da crise econômica. 

Comandada pelo grupo de produtores à frente do projeto SOS Graxa ES, que luta pelos direitos da classe, eles se reuniram na Praça do Papa (Vitória), no fim da tarde desta sexta-feira (24). Entre as medidas requisitadas pela categoria, estava um plano de retomada para o setor cultural, protocolos de segurança específicos e amparo econômico, até que os eventos possam voltar a sua normalidade. 

De acordo com os organizadores, cerca de 100 pessoas compareceram ao protesto, entre garçons, barmans, caixas, carregadores, pessoal da equipe de limpeza, roadies, iluminadores e técnicos de som. São profissionais que trabalham nos bastidores e estão entre os mais afetados pela paralisação. 

A manifestação foi pacífica e ocupou a Praça do Papa por uma hora. Logo após, o grupo seguiu em carreata até o final da Praia de Camburi, também em Vitória. 

Uma das produtoras culturais participantes do ato, Lúcia Marins informou que estão sendo feitas negociações para que o Secretário Estadual de Cultura, Fabrício Noronha, receba membros do SOS Graxa ES para ouvir as reivindicações do grupo, composto por profissionais que trabalham nos bastidores dos eventos culturais.

"A nossa situação está muito complicada. A maioria trabalha sem carteira assinada e não tem outra fonte de renda. São pessoas que fizeram cursos, se profissionalizaram, até mesmo para se tornarem competitivas nesse mercado, que é muito exigente. Muitos estão passando fome,  vivendo de doações de sextas básicas e com o aluguel atrasado. A manifestação servirá para mostrar a nossa cara e revelar as nossas dificuldades", disse a produtora cultural.

CRISE SEM PRECEDENTES

De acordo com dados recentes divulgados pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), cerca de 179 mil pessoas trabalhavam diretamente com a economia criativa no Espírito Santo até o início da pandemia. 

O número exato de dispensados por conta da crise sanitária ainda não foi divulgado pelas autoridades do Estado. Em dados nacionais recentes, a  Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape) afirma que cerca de 580 mil empregados do setor foram dispensados. 

Após o protesto, manifestantes partiram em carreata até o final da Praia de Camburi, em Vitória. Crédito: Lúcia Marins
Após o protesto, manifestantes partiram em carreata até o final da Praia de Camburi, em Vitória. Crédito: Lúcia Marins

Dados à parte, profissionais relatam que suas vidas foram muito afetadas por conta das paralisações. Vanuza Mothe Ferreira, que atua em uma equipe de garçons da Grande Vitória, conta o que cancelamento de shows, e o fechamento das casas noturnas, mudou completamente sua rotina. 

"Alguns até conseguiram receber o auxílio emergencial do Governo Federal, mas os R$ 600 reais não dão para fechar as contas. Tentei trabalhar como vendedora de roupas, mas não obtive sucesso. Queremos que o Governo dê atenção às necessidades do setor, pois o nosso desamparo é muito grande", desabafa, afirmando que, seguindo as regras sanitárias, acredita que dê para restabelecer a normalidade da indústria de eventos no Estado.  

REINVENÇÃO

Juliana Barbosa, uma das representantes do coletivo SOS Graxa ES, conta que sua função dentro da cadeia produtiva é muito específica, o que dificulta na hora de procurar um novo emprego. "Faço a produção de camarins. Portanto, sem espetáculos não tenho como trabalhar. O nosso movimento está conseguindo amenizar a falta de alimentação, especialmente por conta das doações de cestas básicas", adianta, confirmando que a nova realidade dos profissionais é a "reinvenção".  

"Tentei trabalhar com alimentação, mas o mercado, por falta de outras opções, está totalmente saturado. Muita gente está migrando para a venda de comida por encomendas. Minhas contas estão todas atrasadas, especialmente as básicas, como luz e água", lamenta.

Juliana acredita que a manifestação desta sexta deve traçar um panorama da falta de perspectiva dos profissionais da área. "Precisamos ter alguma posição das autoridades. Gastei muito dinheiro comprando material para o meu trabalho nos camarins, queremos respostas para saber como ficará a nossa situação",  responde, em tom de cobrança. 

Em decreto oficial lançado em 30 de junho, o Governo do Espírito Santo afirmou que atividades de cinemas, teatros, museus, boates, casas de shows, espaços culturais e afins, ficam paralisadas até 31 de julho de 2020, exceto cinemas no formato drive-in. Uma nova normativa está prevista para ser anunciada nos próximos dias, relativa ao mês de agosto. 

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