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Cultura

Artistas fazem protesto para tentar salvar o Centro Cultural Carmélia

Manifestantes se reuniram em frente ao prédio, que será transformado em espaço para armazenar sacas de café, em Vitória

Publicado em 04 de Agosto de 2020 às 17:14

Redação de A Gazeta

Publicado em 

04 ago 2020 às 17:14
Ato em defesa do Centro Cultural Carmélia realizado no espaço do local, bairro Mario Cypreste, Vitória-ES.
Artistas e ativistas culturais fizeram um manifesto nesta terça (4) contra o fechamento do Carmélia Crédito: Vitor Jubini
Cerca de 120 pessoas, entre artistas, líderes comunitários, políticos, e ativistas culturais, se reuniram na tarde desta terça (4), em frente ao Centro Cultural Carmélia Maria de Souza, em Vitória, na tentativa de tentar salvar o espaço de ser fechado em definitivo.
Em notícia divulgada por A Gazeta, na última quinta (30), o Carmélia será transformado em local para armazenamento de sacas de café, laboratório e escritórios da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), recebendo o material que atualmente está abrigado nos Galpões do IBC, em Jardim da Penha, cuja venda foi anunciada pela União.
Os manifestantes, de forma pacífica e respeitando as regras de distanciamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus, bradavam palavras de ordem, tendo como "mantra" a frase "A Cultura Resiste, Carmélia Vive!". Muitos chegaram a promover um abraço simbólico.  O chamamento foi transformado em hashtags para ser usado nas redes sociais, incentivando a participação da população de Vitória.
Uma das líderes do manifesto, a atriz e produtora cultural Stael Magesck, detalha que o encontro desta terça foi uma das primeiras ações para tentar impedir o fechamento definitivo do local, inaugurado em 1986, na gestão Gérson Camata, mas que não funcionava há sete anos.  
"Queremos a revitalização total do Carmélia, para que ele possa se tornar um local exclusivamente da cultura. O manifesto é uma união do pessoal do samba, das artes cênicas e visuais", detalha, dizendo que uma ação jurídico-popular vai ser criada para tentar barrar as mudanças. 
"Pedimos o apoio da população de Vitória. Por isso, criamos uma petição na internet. É importante assinar, até para termos forças na hora de entrar com uma ação judicial impedindo que o Carmélia se transforme em um depósito de café."   
Criado na sexta (31), o abaixo-assinado, que pode ser acessado pela internet, contava com 2,4 mil assinaturas até a tarde desta terça-feira. A ideia, por consequência, é tentar convencer o Ministério Público a participar da empreitada, entrando com uma ação cível que barre as mudanças previstas no centro cultural. 
Ainda de acordo com Stael, o grupo ainda está organizando um projeto a ser entregue na Prefeitura de Vitória pedindo o tombamento e a transformação do centro cultural em patrimônio histórico. "Soubemos por uma pessoa que esse projeto já existe, e queremos reativá-lo", planeja, afirmando que um ofício também será entregue à bancada capixaba em Brasília (deputados e senadores), pedindo uma ação conjunta no intuito de barrar as transformações propostas no espaço.

ESTRUTURA

Ator, produtor cultural e diretor, Júnior Rocha, presente no ato,  criou um vídeo para conscientizar sobre a importância de manter o Carmélia vivo. "As perdas estão sendo constantes. Há cerca de 10 anos, a cultura capixaba está entrando em declínio. Já estamos sem o Teatro Carlos Gomes, em reforma, e o Centro Cultural Sesc Glória, que não sabemos se retornará após a pandemia. Precisamos que a sociedade capixaba se conscientize sobre a importância da arte", desabafa. 
Também presente no encontro, Cláudio Barcellos, líder comunitário de Mário Cypreste, bairro onde o centro cultural está localizado, fala da importância social de manter o espaço. "Estamos em uma área de vulnerabilidade, propensa à violência e ao tráfico de drogas. Portanto, ver o Carmélia em atividade é como um respiro. Assim, conseguiremos resgatar a juventude da criminalidade, com oficinas educacionais e culturais, por exemplo", acredita, afirmando que os moradores também estão se mobilizando.
"Redigindo um documento que será entregue a Secretaria de Cultura de Vitória. Queremos que o órgão faça a nossa ponte com a União. Desejamos que o projeto de transformação do Carmélia seja adiado, pelo menos até que tenhamos tempo para criar um novo projeto de revitalização", esclarece. A reunião com a PMV ainda não uma data definida para acontecer.  

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