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Cadê a cultura?

Teatro Carmélia é parte da política de abandono do Centro de Vitória

O abandono, o descaso e a falta de prioridade com o patrimônio e a memória de um povo mostram quanto o poder público, nos últimos anos, não priorizou a cultura em seus orçamentos

Publicado em 04 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

04 ago 2020 às 05:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

Teatro Carmélia vai ser usado para armazenamento de sacos de café.
Teatro Carmélia vai ser usado para armazenamento de sacos de café pelo governo federal Crédito: Vitor Jubini
Do governo federal não existe surpresa, todos sabem como ele conduz a política de cultura no país. Com a posse de Bolsonaro, o ministério foi extinto de vez e virou uma secretaria especial do Ministério da Cidadania. A descontinuidade das políticas públicas, a instabilidade institucional e o corte de verbas não foram os únicos métodos usados pelo governo para atingir a área da cultura.
De um governo com viés autoritário e fascista se pode esperar tudo. A história recente mostra que quanto mais autoritário o regime, maior sua preocupação em conter obras, patrimônios, instituições e artistas que podem afrontar seu modelo político de poder. Mas por que o Carmélia? A quem interessa o fim do Teatro Carmélia?
"Será que se o Carmélia estivesse ativo, reformado e em bom estado de funcionamento, a União pediria o espaço? O que a Prefeitura de Vitória fez nos últimos anos para que isso não chegasse ate aqui? Qual a parcela de responsabilidade da gestão atual no abandono e descaso do Carmélia e a consequente tentativa da União de transformá-lo em um depósito de sacos?"
Paulo Brandão - Articulista
Carmélia, mulher, escritora do povo, jornalista, negra e defensora da Ilha de Vitória. Seu nome foi elevado as glórias, teve sua arte reconhecida. Um prédio passa a ser o símbolo desta que contou detalhes esquecidos da vida. Disse muito da identidade capixaba. No palco, muitos estiveram, e Carmélia renasceu na arte, dança, música e no teatro. Esta linda história deveria apontar para um final feliz. Mas o abandono, o descaso e a falta de prioridade com o patrimônio e a memória de um povo mostram quanto o poder público, nos últimos anos, não priorizou a cultura em seus orçamentos.
O Teatro Carmélia se tornou parte eternizada da memória capixaba. Este espaço diverso, múltiplo e acolhedor da vida em suas diversas formas de manifestação artístico-cultural, uma vez abandonado, agora está para ser usado como depósito do governo federal. Será que se o Carmélia estivesse ativo, reformado e em bom estado de funcionamento, a União pediria o espaço? O que a Prefeitura de Vitória fez nos últimos anos para que isso não chegasse ate aqui? Qual a parcela de responsabilidade da gestão atual no abandono e descaso do Carmélia e a consequente tentativa da União de transformá-lo em um depósito de sacos?
A morte de um ícone da cultura é o sepultamento da identidade e do sentido de pertencimento de um povo a seu lugar. O que está posto, neste modelo de política, é um nivelamento e redução da vida de um povo a um modelo único de poder e domínio. Os que orquestram esta política perversa de destruição da cultura são os mesmos que deixaram nossos cinemas virarem igrejas e nada fizeram. O abandono do Carmélia é parte da política de descaso com o centro de Vitória, que favorece a especulação imobiliária de uma elite endinheirada e descomprometida com a cidade. É esta mesma política que deixa os corpos abandonados no chão, no frio, sujeitos ao fogo fascista e assassínio que o alimenta.
Um grito de basta. Um ato em defesa da cultura e do Teatro Carmélia está nas redes sociais. Hoje, ganhará as ruas com manifestações dos setores artísticos e toda sociedade capixaba. É hora de resistir e defender o que marca a vida, a memória e a história, a fronteira material e imaterial, a alma do povo capixaba, com suas formas de ser, pensar e agir.
É preciso defender a cultura! Por que esperar sem agir se o que está posto é o rebaixamento da importância da cultura enquanto política pública? Eis convite do BrCidades: “Vamos todos! Moradora, morador da região, de bairros vizinhos, cidadã e cidadãos capixabas, juntem-se a nós, esse espaço é nosso! A cultura resiste! O Carmélia revive!”. 

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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