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Violência no campo: enfrentamento é fundamental, mas solução é estrutural

Casos de roubos, sequestros e mortes nas zonas rurais estão no radar das autoridades de segurança pública,  com direcionamento de ações. Mas crise no país ajuda a deteriorar situação econômica e a agravar a violência

Publicado em 16/05/2022 às 02h00
Café, colheita, cafezal
Período da colheita do café . Crédito: Heriklis Douglas

A tranquilidade da zona rural como contraponto à violência dos centros urbanos é um lugar-comum que deixou de existir no Espírito Santo. Não que antes jamais tenha existido violência no campo, com as disputas sangrentas de terras do passado, mas o que se vê atualmente é um prolongamento das práticas criminosas que ocorrem nas cidades. Roubos, sequestros, assassinatos: demonstrações de violência ligadas à subtração de patrimônio.

Como o foco das políticas de segurança pública sempre esteve nas grandes cidades, os criminosos viram na vulnerabilidade do campo uma oportunidade. Mas desde o ano passado, o governo estadual tem se mobilizado para aumentar o policiamento no interior com a Operação Colheita, que em 2022 vai atender 72 municípios com mais patrulhamento nas comunidades rurais, além de investimentos em tecnologia para mapear as propriedades e tentar garantir mais segurança. Mas as ocorrências continuam.

Na semana passada, este jornal já havia feito o alerta para o problema, que se acentua no período da colheita do café. Como há falta de mão de obra no Espírito Santo para complementar a parte não mecanizada do processo, neste ano até 30 mil trabalhadores de outros Estados devem ser contratados para a função. A maioria formada por pessoas que precisam de uma ocupação em um país com tantas dificuldades, mas no meio delas também há os oportunistas. A Polícia Civil reforçou a importância de se exigir a identificação e a realização da checagem de antecedentes.

Dois dias após a matéria, uma ocorrência em Pancas comprovou a insegurança que ronda os produtores rurais no Estado. Uma família foi feita refém em sua própria casa quando recebia supostos candidatos a trabalharem na colheita do café na propriedade. O trio de criminosos roubou R$ 22 mil, dois carros e outros bens.

Não é um caso isolado, o registro de roubos e sequestros em comunidades rurais no interior do Estado tem ocorrido com regularidade. Na quarta-feira (11), três vacas foram abatidas a tiros em uma propriedade de Presidente Kennedy para terem sua carne roubada. Antes, no dia 6 deste mês, mais de 20 funcionários foram feitos reféns em uma fazenda em Linhares.

A Operação Colheita mostra que o governo está tentando impor obstáculos para a criminalidade no interior, sem se omitir. A questão é que há a percepção de que a violência está aumentando demais. E por quê? Desemprego, inflação galopante que arranca o poder de compra das pessoas. E, acima de tudo, um país que parece ter cristalizado a falta de oportunidades. É um problema de difícil equacionamento. O enfrentamento é fundamental para não deixar o homem do campo abandonado à própria sorte, mas a solução é sempre estrutural.

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