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Sem oportunidades, jovens vão continuar sendo vítimas da violência no ES

A porta de entrada é a educação de qualidade, que possibilite abrir outras portas no mercado de trabalho. Jovens na criminalidade são um desperdício de capital humano, uma geração que poderia contribuir para o crescimento social e econômico do país

Publicado em 26/05/2022 às 02h01
Crime
Imagem de câmera de segurança mostra ataque que matou Jhordyuri de Almeida Benincá, de 19 anos, em março de 2022 em Santa Mônica, Vila Velha. Crédito: Reprodução

No dia 3 de março deste ano,  o jovem Jhordyuri de Almeida Benincá foi morto no meio da rua, no bairro de Santa Mônica, em Vila Velha, sem que houvesse a mínima chance de reação, como mostraram as imagens de uma câmera de videomonitoramento que flagrou o ataque na ocasião.

A violência vista nas cenas é aterrorizante.  Na época do crime, as autoridades de segurança pública afirmaram que o jovem de 19 anos não tinha passagem pela polícia ou envolvimento com o tráfico de drogas na região. Teria sido uma vítima aleatória em um acerto de contas de traficantes de bairros rivais, que passaram a impor uma espécie de terrorismo com tiros a esmo. Criminosos que no geral são jovens e comandam uma realidade em que matar ou morrer são as únicas opções.

Esse caso específico foi resgatado neste editorial por uma peculiaridade: a idade da vítima. Jhordyuri tinha 19 anos quando foi brutalmente assassinado. E essa é a idade com  mais registros de homicídios no Estado entre janeiro e abril deste ano, de acordo com as estatísticas da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). Assim como Jhordyuri, outros 19 jovens com 19 anos foram mortos no período. Os dados também mostram que as vítimas se concentram na faixa que vai dos 20 aos 30 anos.

Embora não haja um recorte de classe social nessas informações, não é arbitrário afirmar, com base no próprio noticiário, que se trata de uma juventude majoritariamente pobre. As estatísticas nacionais de mortes violentas apontam que há um perfil mais afetado no país: jovens do sexo masculino, negros e que moram em bairros periféricos. O que também pode ser traduzido como aquela parcela da população na qual até a esperança é um privilégio, desatendida pelos serviços básicos e sem estímulos para avançar nos estudos. A criminalidade é a única saída possível.

Jovens assassinados em bairros pobres não podem ser todos tachados de bandidos, e mesmo os que estão na criminalidade precisam de mais atenção do poder público. Não se trata de passar a mão na cabeça desses criminosos, pelo contrário: as leis precisam ser aplicadas com rigor entre aqueles que se desviaram para o caminho do crime. A punição deve ser exemplar. Mas a sociedade também precisa estar preparada para o fato de que se trata de uma parcela da população tão alijada do que deveria ser o básico que, na maioria das vezes, não tem nada a perder. 

É por isso que a responsabilidade de governantes é oferecer oportunidades, para que esses jovens tenham escolhas. A porta de entrada é a educação de qualidade, que possibilite abrir outras portas no mercado de trabalho. Jovens na criminalidade são um desperdício de capital humano, uma geração que poderia contribuir para o crescimento social e econômico do país.

Mas enquanto não houver um compromisso nacional com a redução das desigualdades, com reformas estruturantes que promovam mais qualidade do gasto público, direcionado para as necessidades da população e não para as benesses das castas privilegiadas, e torne o país atrativo aos investimentos, a juventude mais pobre continuará vulnerável à violência.

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