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Retomada do emprego no ES é realidade. Desafio é recuperar a renda

É um cenário contraditório: a diminuição do desemprego ainda não significa a redução da pobreza. O Brasil precisa voltar a crescer para melhorar a vida de seus cidadãos

Publicado em 05/07/2022 às 02h03
Real
Pessoa segurando cédulas de dinheiro. Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

retorno de 30 mil pessoas ao mercado de trabalho do Espírito Santo de janeiro a maio deste ano é um alívio. Um respiro significativo para a economia local, com impactos sociais importantes: é mais gente com comida no prato garantida, é mais dignidade e qualidade de vida.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam que há uma tendência de crescimento de vagas em 2022 que  pode superar a marca histórica no saldo de empregos nos últimos dez anos.

Mas, se o volume de empregos gerados em 2022 no Estado se encaminha para um recorde, a renda do trabalhador capixaba nesses mesmos dez anos sofreu um revés também considerável. Houve uma queda de 15% na renda média em 2021, o menor patamar desde 2012 no Espírito Santo. Significa dizer que, atualmente, os empregos pagam menos do que há dez anos. A instabilidade financeira provocada pela informalidade também puxa a renda para baixo: trabalhadores nessa situação passaram de 22% em 2012 para 28% em 2021.

É o empobrecimento da população registrado pelas estatísticas e facilmente visualizado no dia a dia. Quem recebe um salário vê todo mês o poder de compra reduzido, com o carrinho no supermercado com menos itens e a conta mais cara. Quem sobrevive na informalidade precisa se desdobrar para garantir alimento e cuidados básicos para a família. O desemprego coloca a vida em suspenso, e a realidade impõe que se deve fazer mais com menos. Nas ruas, permanece o cotidiano testemunho de quem não tem nada.

A inflação mais pesada das últimas duas décadas é vilã, claro. Com a renda sem aumentos reais, o poder aquisitivo das pessoas acaba derrotado, provocando um desequilíbrio que atinge com mais força as camadas mais desassistidas da população. Entre os 5% mais pobres no Estado, a renda média foi de R$ 113, em 2012, para R$ 38, em 2021. Um encolhimento abissal de 66%. Já a redução entre os 10% mais ricos foi de 3,8%, com o rendimento passando de R$ 5.254, em 2012, para R$ 5.052, em 2021.

A recuperação da renda depende de um crescimento econômico que se sustente, e isso está ligado à confiança dos investidores na criação de empreendimentos mais arrojados e na criação de vagas qualificadas. Mas no Brasil não há estímulo ao investimento, falta credibilidade.

Há no país atualmente geração de vagas, com salários menores. A própria depreciação da renda no pós-pandemia é, para alguns especialistas, o que tem ajudado a gerar empregos com salários mais baixos. Daí, surge um cenário que parece contraditório: a diminuição do desemprego não significando a redução da pobreza. A razão é óbvia: o Brasil precisa voltar a crescer para melhorar a vida de seus cidadãos.

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