O caso da mancha fétida formada na Praia da Guarderia no início deste ano — que também se espalhou por praias adjacentes da região em Vitória — precisa se tornar um ponto de virada no que diz respeito à balneabilidade das águas, não só na Capital. Há um ponto inegociável: praias urbanas dependem de saneamento para serem seguras ao banho. Sem isso, o risco é persistente.
E os resultados preliminares do estudo conduzido pelo grupo de trabalho instituído para buscar as respostas sobre a mancha seguiram esse caminho. A constatação que se tira é a mais óbvia possível, a de que as praias continuarão sofrendo com a poluição enquanto houver esgoto irregular.
A Nota Técnica Nº 01/2026 concluiu que "a área no entorno da manilha de drenagem deve ser classificada como imprópria para recreação de contato primário, em razão da presença de fonte pontual ativa de poluição e da variabilidade dos resultados microbiológicos, representando potencial risco à saúde pública".
A manilha da Praia da Guarderia, segundo a nota, está associada a ligações irregulares de esgoto na rede de drenagem pluvial e passou a ser monitorada pelo grupo técnico, o que não era feito antes. É imprópria pelo seu potencial poluidor. O que só deixaria de ocorrer caso não houvesse mais despejo clandestino. O caso da Guarderia precisa servir de exemplo, com o Ministério Público, órgãos ambientais, concessionárias de saneamento e prefeituras ampliando o pente-fino para outros pontos sensíveis do litoral capixaba.
Vitória, de acordo com o Censo de 2022, é a capital com maior taxa da população atendida por rede de coleta de esgoto, com 99,65% de cobertura. Nem esse êxito é capaz de impedir que ligações clandestinas poluam as praias. É urgente virar esse jogo, porque a rede está disponível, o que ainda peca é a adesão dos donos dos imóveis.
A Lei Estadual 9.096/2008 torna obrigatória a conexão à rede de esgoto em locais onde ela já está disponível. Os proprietários dos imóveis em que não há esse conexão na Capital têm de ser intimados por essa falta de responsabilidade ambiental. Assim como é papel da Prefeitura de Vitória e da Cesan notificá-los. Fiscalização com punição, de forma sistematizada, é o que está faltando. Ninguém pode lavar as mãos.
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