A área próxima à manilha de drenagem da Praia da Guarderia, em Vitória, deve ser considerada imprópria para banho de forma imediata, independentemente de resultados pontuais de qualidade da água. A recomendação consta na Nota Técnica nº 01/2026, elaborada pelo grupo de trabalho criado para avaliar as condições ambientais da região após o surgimento de uma mancha no mar.
Segundo o documento, a decisão se baseia não apenas nos dados microbiológicos coletados, mas também no histórico da área e na presença de uma fonte ativa de poluição. Embora algumas análises tenham apresentado índices dentro dos limites estabelecidos pela legislação, outras registraram níveis significativamente superiores, evidenciando um comportamento instável e potencialmente perigoso para os banhistas.
A manilha de drenagem fica na faixa de areia da Praia da Guarderia, no ponto onde a rede pluvial deságua diretamente no mar — área que passou a ser monitorada de forma específica pelo grupo técnico justamente por concentrar potencial de contaminação.
De acordo com o grupo técnico, a manilha está associada a ligações irregulares de esgoto na rede de drenagem pluvial e possui histórico recorrente de degradação ambiental. Essa condição, por si só, já inviabiliza a classificação da área como própria para recreação de contato primário, uma vez que representa uma fonte pontual contínua de contaminação.
A recomendação segue o chamado princípio da precaução, adotado em situações em que há risco potencial à saúde pública, mesmo sem evidências definitivas em todos os momentos de análise. Nesse sentido, o grupo reforça que “a classificação como imprópria independe de eventual conformidade pontual de parâmetros microbiológicos”.
Além disso, o relatório destaca que a variabilidade dos indicadores microbiológicos reforça o risco de contaminação intermitente — cenário em que a água pode aparentar condições adequadas em um dia e apresentar níveis elevados de poluentes em outro, sem aviso perceptível aos usuários.
Nesse contexto, os técnicos alertam que a simples aparência da água não é um parâmetro seguro para avaliar a balneabilidade. Mesmo em períodos sem manchas visíveis ou odor, a presença de micro-organismos associados ao esgoto pode representar risco à saúde, incluindo infecções gastrointestinais, dermatológicas e outras doenças de veiculação hídrica.
Outro ponto de atenção destacado pelo grupo técnico é o Ponto 14, localizado em frente ao Quiosque do Alemão, na Curva da Jurema, classificado como área sensível. Nesse trecho, os resultados indicam contaminação recorrente com comportamento intermitente — ou seja, há momentos de melhora seguidos por novos episódios de piora, o que exige monitoramento contínuo e cautela por parte dos banhistas.
A recomendação de classificação imediata também dialoga com a necessidade de ações estruturais no sistema de drenagem, especialmente no combate a ligações clandestinas de esgoto — apontadas como uma das principais causas da contaminação.
O grupo de trabalho defende que medidas preventivas e de controle devem ser priorizadas para reduzir o risco sanitário e evitar a recorrência de episódios de poluição na região. Entre elas, estão o monitoramento contínuo da qualidade da água, a identificação de fontes irregulares de esgoto e a revisão de protocolos de balneabilidade.
As conclusões são preliminares e podem ser atualizadas com a incorporação de novos dados físico-químicos ainda em análise.
A Cesan informou que as obras da EBAP são de competência da Prefeitura de Vitória. A reportagem acionou a administração da Capital para detalhar quais ações estão previstas para o local e aguarda retorno. Caso haja resposta, a matéria será atualizada.