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Golpes na internet exigem estratégias eficientes de segurança pública

Bandidos não precisam apontar uma arma para suas vítimas, mesmo assim provocam muita insegurança e prejuízos, o que exige ações mais eficientes de combate

Publicado em 04/10/2021 às 02h00
Senha
Senhas seguras são importantes para evitar golpes na internet. Crédito: Pixabay

A disparada no número de casos de crimes cibernéticos no Espírito Santo de janeiro a agosto deste ano é um alerta de que os bandidos estão mesmo preferindo a internet na hora de cometer seus roubos. O estelionato virtual já supera e muito as abordagens em vias públicas no Estado no período, com quase 20 mil registros de crimes digitais, ante 11,8 mil ocorrências nas ruas.

O crescimento dos golpes virtuais, na comparação com os mesmos meses do ano anterior, foi de 49,7%, de acordo com o Painel de Crimes contra o Patrimônio do governo estadual. Mas em 2020 já havia sido registrado um ligeiro incremento em relação a 2019: os números foram de 12 mil para 13,3 mil, de um ano para o outro.

A pandemia pode até ter ajudado a provocar a reversão que tornou o registro do estelionato virtual quase duas vezes maior do que os assaltos neste ano. Basta ver que em 2019 a tendência era inversa, com quase três vezes mais roubos notificados do que golpes. 

Contudo, a análise merece mais profundidade. Não é só o caso de ter reduzido a circulação de pessoas com a crise sanitária, situação menos relevante em 2021, quando o período de restrições foi menor, mas de uma mudança de comportamento que vem ocorrendo nos últimos anos, intensificada com a pandemia: o uso de dinheiro em espécie é cada vez menor. Se até pouco tempo o "dinheiro de plástico" já vinha tornando as cédulas coadjuvantes, as novas possibilidades de transações digitais, pelo celular, vieram acelerar ainda mais essa mudança.

A insegurança, portanto, não tem mais necessariamente relação com a vulnerabilidade das vítimas nas ruas: com tanta gente conectada, os alvos são incontáveis. Todos sabem que a estratégia da segurança pública para conter crimes contra o patrimônio  é colocar patrulhamento nas ruas, para proteger a população no espaço público. Mas qual é a estratégia de segurança pública disseminada para impedir os crimes digitais? É preciso avançar nesse sentido.

A conscientização é parte fundamental, principalmente pelo fato de muitos desses criminosos se aproveitarem da ingenuidade das vítimas. Mas faltam proteções mais concretas. Principalmente para os casos, felizmente ainda não tão comuns no Estado, de ações híbridas, como os sequestros que têm sido registrados no país, nos quais bandidos abordam as vítimas e exigem que elas façam transferências via Pix.

Banco Central já se mobiliza para criar barreiras que impeçam ou minimizem essas transações forçadas, mas o fato é que empresas, bancos e gestores da segurança pública precisam estar sempre um passo a frente da criatividade dos criminosos. Desde maio, uma lei alterou o Código Penal para determinar as condutas criminosas e ampliar penalidades.

Golpes não nasceram com a internet, mas ganharam uma dimensão muito maior com as facilidades que ela proporciona. Quadrilhas podem estar em qualquer lugar do mundo, ludibriando os incautos sem muito esforço, sem apontar uma arma. A polícia, não somente a brasileira, encontra-se diante de um desafio, com a obrigação de ser cada vez mais tecnológica para combater os cada vez mais ousados golpes digitais. O crime se transforma, e as formas de evitá-lo e combatê-lo não podem ficar paradas no tempo.

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