Cratera em rodovia é símbolo da burocracia que põe vidas em risco

Já são 10 meses de espera por obras em buraco aberto no km 97 da ES 261, entre Fundão e Santa Teresa; enquanto isso, motoristas correm perigo ao passar pela região

Publicado em 24/10/2023 às 03h30
Buraco aberto no km 97 da ES 261, entre Fundão e Santa Teresa
Buraco aberto no km 97 da ES 261, entre Fundão e Santa Teresa. Crédito: Wando Fagundes

Antônio Carlos Teixeira

Administrador

"Tenho receio de passar e a terra descer com o peso do automóvel. Qualquer dia pode cair um carro dentro do buraco"

Luiz Gonzaga

Aposentado

"Já passou da hora de corrigir. Se vier o período chuvoso, a tendência é levar tudo "

Dinarte Demuner

Agricultor

"É uma vergonha. Era para resolver há mais tempo. Talvez estejam esperando alguma tragédia "

Os depoimentos acima foram dados em reportagens publicadas ao longo dos 10 meses em que A Gazeta acompanha um problema que, até agora, não teve solução. No dia 3 de dezembro do ano passado, durante um período de fortes chuvas, uma erosão fez parte do acostamento da ES 261 ceder, na altura do km 97,7. Desde então, foi instalada uma sinalização no local e o trânsito passou a ser feito em apenas meia pista na rodovia que liga Fundão a Santa Teresa, na Região Serrana do Estado.

Nesse período de quase um ano, o buraco cresceu e passou a ocupar metade da estrada naquele trecho. E o risco para motoristas e motociclistas aumentou na mesma proporção, assim como a revolta de quem aguarda pela obra, que ainda continua no papel.

Diante de tamanha demora, este espaço vem fazer eco à indignação dessas e de outras milhares de pessoas que se expõem ao risco quando precisam passar pela rodovia, importante para o escoamento da produção agrícola da região e para o deslocamento de quem vai curtir as atrações turísticas nas montanhas capixabas. Ou seja, trata-se de uma via com movimento constante e intenso de carros, motos e caminhões, que agora têm de trafegar pela contramão, no sentido Fundão-Santa Teresa, quando passam pelo trecho onde há o buraco.

“É preciso ter cuidado e visualizar se não está vindo carro na outra direção. Caso contrário, pode haver uma batida frontal”, alertou Antônio Carlos Teixeira, em entrevista à TV Gazeta, ainda em abril.

Somente no mês seguinte, porém, foi publicado pelo Departamento de Edificações e Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) o aviso de abertura de licitação para contratação de uma empresa com a função de elaborar o projeto básico e executivo de engenharia e a execução das obras de recuperação no km 97,7 da ES 261, como consta no Diário Oficial de 5 de maio deste ano. A vencedora do certame foi anunciada três meses depois, em 24 de agosto, com um contrato no valor de R$ 1.871.821,71.

Na última semana, o DER-ES informou, por meio de nota à TV Gazeta Noroeste, que o projeto de recuperação do trecho está em análise pela equipe técnica e a previsão é de que as obras comecem em novembro. Ou seja, quase um ano após a erosão ter acontecido.

Entende-se que há trâmites burocráticos a serem cumpridos, por força de legislação. Todo o cuidado que envolve a contratação de serviços por entes públicos é necessário. Mas, ao ficar refém dessa lentidão, a população também tem todo o direito de reclamar. Afinal, quando se trata de uma intervenção necessária para impedir acidentes, não há tempo a perder. A burocracia vira mais um obstáculo na pista e coloca em risco milhares de vidas dia após dia.

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