Publicado em 18 de maio de 2021 às 21:38
O Congresso Nacional e o Governo Federal negociam mudanças no projeto que prevê aumento da taxação sobre bancos, adotado como forma de compensar a decisão de cortar tributos sobre diesel - demanda de caminhoneiros - e gás de cozinha. >
O relator da MP (medida provisória), deputado Moses Rodrigues (MDB-CE), avalia propor que a tributação sobre bancos suba mais do que o patamar definido pelo governo, além de estudar uma prorrogação da medida, que originalmente vigoraria até o fim do ano. >
Essa tem sido a solução apontada por líderes da Câmara para suavizar outros pontos da MP, que retira benefícios do setor petroquímico e da compra de carros adaptados para pessoas com deficiência. >
Há uma pressão no Congresso para preservar os incentivos fiscais a empresas do setor petroquímico, que alegam perder competitividade com o fim do Reiq (Regime Especial da Indústria Química), previsto na medida provisória. >
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Rodrigues também acredita que sobretaxar grandes bancos possa ser uma saída para tirar o peso do aumento de impostos sobre instituições financeiras menores, como cooperativas e seguradoras. A MP estabelece a mesma a alta na CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) a partir de junho para empresas do setor financeiro:de 5 pontos percentuais. >
O cenário atual no Congresso, portanto, é uma resistência a parte das propostas do presidente Jair Bolsonaro para compensar o corte de tributos sobre diesel e gás de cozinha. Para garantir a aprovação do texto, líderes querem transferir maior parte dos encargos aos grandes bancos, que, segundo argumentos deles, têm mais condições de absorver a carga. >
O Ministério da Economia quer que, apesar das mudanças em negociação com o Congresso, a versão final mantenha a previsão de aumento de aproximadamente R$ 3,7 bilhões em 2021, que fará um contrapeso à medida que atendeu ao pleito de caminhoneiros e redução no gás de cozinha. >
A LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) determina que a perda de arrecadação com o corte de tributos seja acompanhada de medidas de compensação, como elevação ou criação de outro imposto. >
Estamos discutindo para podermos encontrar um meio termo. Temos que encontrar uma fórmula para que a MP não pese muito para setores que estão passando por dificuldades ou que sofreriam mais com as medidas, disse o relator. >
A medida provisória foi editada por Bolsonaro no início de março. Esse tipo de proposta tem efeito imediato, mas precisa de aprovação na Câmara e no Senado em até 120 dias para se tornar lei e não perder a validade. O prazo se encerra na última semana de junho. >
A MP eleva a alíquota da CSLL de 20% para 25% até o fim de 2021 para bancos. Pela proposta do governo, a partir de 1º de janeiro de 2022, a cobrança voltaria a ser de 20%. >
No caso das cooperativas, empresas de seguros privados, de capitalização, corretoras de câmbio, sociedades de crédito imobiliário e administradoras de cartões de crédito, a alíquota passa de 15% para 20% até o fim do ano, retornando a 15% em 2022 conforme o projeto original do governo. >
O Congresso ainda vai discutir como seria eventual sobretaxa a grandes instituições financeiras. A alíquota final dependeria do potencial arrecadatório dessas empresas e de quanto seria aliviado ao setor petroquímico e na compra de carros adaptados para pessoas com deficiência. >
Procurada, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou que mantém posição sobre a Medida Provisória, com o argumento de que os bancos já vêm dando sua contribuição à economia e à sociedade durante a pandemia e, com o aumento do tributo, são chamados a contribuir ainda mais. A instituição diz entender que o momento é difícil e ter convicção de que a medida é temporária. >
Dos R$ 3,7 bilhões previstos a serem arrecadados em 2021 com a MP, a majoração da CSLL é a de maior impacto, pois representa R$ 2,3 bilhões. A mudança na isenção de IPI (imposto sobre produtos industrializados) na compra de automóvel pessoas com deficiência significara R$ 750 milhões a mais no cofres públicos neste ano, e o fim do Reiq, R$ 667 milhões. >
Entidades do ramo petroquímico lançaram um manifesto pela manutenção do regime especial do setor e tentam convencer parlamentares que, com o fim dos benefícios, o crescimento do país e os empregos do setor serão impactados negativamente, além de elevar o custo de produtos de combata à Covid-19, como máscaras. >
Para a Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), o fim do Reiq gera insegurança jurídica. Representantes do setor defendem que a extinção do regime especial seja discutida na reforma tributária. >
Integrantes do Ministério da Economia não querem ceder sobre o encerramento desses incentivos, que concedem redução nas cobranças de PIS e Cofins. >
Em relação ao IPI de automóveis, o relator acredita que será mais fácil haver um consenso. A MP prevê um valor máximo de R$ 70 mil na compra de veículo com desconto de IPI por pessoas com deficiência. >
A Federação Nacional das Apaes (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) afirma que esse valor precisa ser atualizado de acordo com a inflação dos últimos anos e com a alto do dólar, que impacta no aumento do preço dos veículos. >
O alto preço dos carros com tecnologias assistivas, impossibilita que pessoas com deficiência tenham acesso ao desconto na compra de carros com mais acessibilidade, diz a entidade em carta enviada a parlamentares. >
Há emendas de deputados e senadores de diversas siglas, inclusive aliados do governo, para que o teto para a compra de carro com desconto para pessoas com deficiência seja de R$ 150 mil. Isso reduziria a previsão de arrecadação com a medida prevista na MP. >
Rodrigues pretende apresentar o relatório até a próxima semana. A ideia da cúpula da Câmara é deixar que o Senado discuta a proposta em junho. >
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