Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 12:02
RIO DE JANEIRO - Os preços da picanha para o consumidor brasileiro acumularam alta de 2,82% em 2025, o terceiro ano do terceiro governo Luiz Inácio da Lula da Silva (PT), enquanto a cerveja consumida em casa aumentou 5,97%.>
É o que apontam os dados do índice oficial de inflação do país, o IPCA, divulgados nesta sexta-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).>
A picanha subiu menos do que em 2024, quando a alta havia sido de 8,74%. A cerveja, por sua vez, acelerou frente ao ano anterior, quando a variação havia sido de 4,5%.>
O consumo da carne e da bebida virou assunto político a partir das eleições de 2022. Candidato à época, Lula defendeu a ideia de que o brasileiro deveria voltar a fazer churrascos com os dois produtos. >
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Conforme o IBGE, os preços da picanha haviam acumulado alta de 8,74% em 2024 e queda de 10,69% em 2023, os dois primeiros anos do governo petista.>
Já a cerveja consumida no domicílio havia subido tanto em 2024 (4,5%) quanto em 2023 (5,29%). A variação de 2025 (5,97%) é a mais intensa desde 2022 (9,37%), na gestão de Jair Bolsonaro (PL).>
Os dados do IPCA sinalizam que os preços das carnes como a picanha perderam força ao longo do segundo semestre de 2025.>
O movimento refletiu principalmente a ampliação da oferta de produtos no mercado interno, e não uma decisão de governo, segundo Fernando Iglesias, coordenador de mercados da consultoria Safras & Mercado.>
Em 2025, o Brasil desbancou os Estados Unidos e assumiu a liderança mundial na produção de carne bovina.>
"Por mais que a exportação tenha sido contundente, tivemos uma grande produção que limitou altas mais agressivas de preço", afirma Fernando.>
A carne brasileira foi alvo do tarifaço dos Estados Unidos no ano passado, mas o setor buscou ampliar os embarques para outros parceiros, com destaque para a China.>
Em 2026, a perspectiva é de baixa na produção nacional devido a uma "inversão" no ciclo pecuário, diz Fernando.>
Segundo ele, o abate de fêmeas foi "muito amplo" em 2024 e 2025, e agora os pecuaristas tendem a retê-las para conseguir gerar novos bovinos, o que deve reduzir a disponibilidade de animais no mercado nos próximos meses.>
O consultor também projeta um recuo nas exportações em 2026. Isso porque a China anunciou, em 31 de dezembro, uma tarifa de 55% sobre a carne bovina do Brasil que exceda uma cota de importação.>
De acordo com Fernando, espera-se aumento de preços no mercado interno ao longo do ano, mas a alta não deve ser "agressiva".>
Ele afirma que o endividamento das famílias, mesmo com a recuperação do mercado de trabalho, impede grande pressão inflacionária.>
"O brasileiro não tem condições de absorver muitos reajustes na carne bovina.">
Ainda de acordo com o analista, a febre dos sites de aposta, conhecidos como bets, é outro fator que dificulta elevações intensas nos preços.>
"Gera um efeito negativo sobre a demanda. Tira um dinheiro da economia que iria para bens de consumo direto, para alimentação, e que acaba sendo desviado para esse outro tipo de consumo.">
Na quinta (8), o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) disse que a imposição pela China de medidas de proteção comercial gera necessidade de a pecuária brasileira ampliar as opções de escoamento dos seus produtos dentro e fora do país.>
No dia 30 de dezembro, antes do anúncio chinês, a instituição havia afirmado que a demanda interna e externa pela carne bovina do Brasil deveria seguir em crescimento em 2026.>
Já o aumento da produção nacional, conforme o Cepea, seria "desafiador", mas o centro não descartava uma nova expansão, ainda que "comedida", neste ano.>
"No contexto global, as projeções são de diminuição de oferta de carne e, por consequência, os preços devem ser fortalecidos, reiterando o estímulo à produção", disse a instituição.>
"Num ano em que acontecem eleições gerais no Brasil e Copa do Mundo, a tendência é que haja mais dinheiro em circulação. E, mesmo com contas pendentes atrapalhando parcialmente o consumo, outros fundamentos macroeconômicos podem estimular as vendas domésticas de carne bovina", acrescentou.>
No IPCA, os preços da picanha são pesquisados pelo IBGE em Brasília e nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Fortaleza e Porto Alegre.>
Já a coleta da inflação da cerveja consumida no domicílio ocorre em 15 das 16 metrópoles que compõem o índice geral, inclusive São Paulo. A exceção, nesse caso, é Rio Branco.>
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