Publicado em 28 de julho de 2021 às 15:43
O governo publicou a MP (medida provisória) que recria o Ministério do Trabalho e Previdência repassando à pasta dez atribuições e sete órgãos colegiados até então de responsabilidade da Economia, incluindo os conselhos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Apesar disso, o texto dá sobrevida à influência da equipe econômica nas decisões. >
O texto foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (28), que também trouxe decretos que alteram a equipe ministerial. A pasta de Trabalho e Emprego será comandada por Onyx Lorenzoni, que fica exonerado do comando da Secretaria-Geral da Presidência. >
De acordo com a MP, a estrutura do Ministério do Trabalho terá órgãos como o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e o Conselho Nacional de Previdência Complementar. >
O texto determina que a presidência do conselho do FGTS será ocupada por representante indicado pelo ministro do Trabalho (direito até então da Economia). Esse e outros órgãos repassados têm decisão colegiada e partilhada entre governo, empresas e trabalhadores. >
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Há expectativa de mais mudanças para que Onyx possa ficar com ao menos parte das outras indicações da Economia nos órgãos, apesar de a MP não ter previsto tais alterações. >
O Ministério do Trabalho receberá da Economia as áreas de previdência, políticas para geração de emprego e modernização do trabalho, fiscalização, política salarial, intermediação de mão de obra, formação e desenvolvimento profissional, segurança e saúde no trabalho, regulação profissional e registro sindical. >
Pela MP, o cargo de secretário especial de Previdência e Trabalho, ocupado por Bruno Bianco, é transformado em cargo de secretário-executivo do Ministério do Trabalho. >
Passam a ser subordinadas ao novo ministério a Secretaria do Trabalho, a Secretaria de Previdência e a Subsecretaria de Assuntos Corporativos. >
A medida devolve ao Ministério do Trabalho todos os servidores lá lotados antes da criação da Economia, em 31 de dezembro de 2018. Por outro lado, garante a Guedes os servidores da Economia antes cedidos às funções da secretaria especial de Previdência e Trabalho. >
Em outro ponto, a MP estabelece que a PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional), do Ministério da Economia, prestará apoio jurídico ao Ministério do Trabalho "até previsão em contrário" de ato do Poder Executivo. >
Com isso, Guedes prorroga sua influência nas decisões da nova pasta ao fazer com que um órgão subordinado a ele elabore pareceres e notas técnicas alinhadas à visão da equipe econômica. >
Parte dos integrantes do governo relata receios com uma estrutura dependente e que represente uma espécie de "puxadinho" da Economia. Outra ala ameniza dizendo que o desenho é necessário para o momento de transição. >
As discussões continuam para moldar o decreto que detalhará o desmembramento. >
Interlocutores do ministro Paulo Guedes (Economia) dizem que a ideia é repassar apenas o suficiente, sem uma escalada no número de cargos e uma criação de políticas inacabadas por parte da nova pasta. O objetivo é incentivar um trabalho com foco e com entregas de curto prazo. >
Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, influi nas discussões a expectativa de que Onyx fique à frente da pasta por apenas oito meses, já que deve disputar as eleições no Rio Grande do Sul. A lei determina que os ministros saiam do cargo pelo menos seis meses antes da votação (a data-limite, portanto, seria o começo de abril de 2022). >
A MP também oficializou uma reestruturação interna na pasta da Economia, transformando a atual Secretaria Especial de Fazenda em Secretaria Especial do Tesouro e Orçamento. O secretário especial Bruno Funchal continua no comando. >
A ideia nesse caso faz parte de um objetivo mais amplo, de integrar todos os trabalhos do ciclo orçamentário e voltar o foco à gestão das despesas públicas, sem a administração de áreas não centrais. Até então, o desenho dava margem a falhas de comunicação entre Tesouro e Orçamento e até visões contrárias sobre um mesmo assunto. >
Pela MP, a Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade perde a palavra "Emprego". Essa função passa ao ministério de Onyx. >
Há mais mudanças em planejamento na Economia. A Secretaria de Política Econômica (até então na estrutura da Fazenda, que está em redesenho) deve passar a responder diretamente ao ministro. >
Já a Secretaria de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria (também na Fazenda) deve ser desmembrada e ficar parte com a Secretaria Especial de Tesouro e Orçamento e parte com Secretaria Especial de Produtividade. >
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