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Falas de Bolsonaro podem estender escalada da inflação até 2022

A crise política e os desdobramentos econômicos provocados pelo discurso com ameaças autoritárias do presidente Jair Bolsonaro já afetam as expectativas dos economistas

Publicado em 09/09/2021 às 08h33
O presidente Jair Bolsonaro durante ato do 7 de setembro
O presidente Jair Bolsonaro durante ato do 7 de setembro. Crédito: Marcos Corrêa/PR

A crise política e os desdobramentos econômicos provocados pelo discurso com ameaças autoritárias do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no 7 de setembro já afetam as expectativas dos economistas para 2022.

A visão é que o aumento da incerteza, traduzido nesta quarta-feira (8) pela queda na Bolsa e alta dos juros futuros e do dólar, já adia investimentos, inibe contratações, trava a agenda de reformas econômicas e pode estender a escalada inflacionária por mais tempo.

O impeachment do presidente, no entanto, ainda é visto por alguns analistas como uma solução que pode deteriorar ainda mais o cenário econômico.

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"É uma situação econômica bastante grave e uma parte dela é explicada por esse ambiente de incerteza trazida pelo presidente", diz William Baghdassarian, economista do Ibmec Brasília.

Baghdassarian afirma que a diferença entre um dólar abaixo de R$ 5,00 e o patamar atual de mais de R$ 5,30 ou de uma Bolsa acima de 140 mil pontos e os atuais 113 mil do Ibovespa podem ser explicados pelo ambiente de conturbação política provocada pela fala do presidente da República.

"Muita gente acha que são só palavras vazias, mas a palavra do presidente já impactou o ambiente econômico. Parece que são só bravatas e que não vai acontecer nada, mas já está acontecendo."

Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, diz que a questão política traz mais incertezas em relação ao debate sobre o Orçamento de 2022 e como equacionar a questão dos precatórios e a proposta do governo de reajuste e substituição do Bolsa Família, temas que dependem do Congresso.

Ela afirma que o movimento do mercado nesta quarta reflete um ajuste em carteiras de investimento, mas que, se essa tendência persistir, principalmente no caso do câmbio, pode resultar em uma inflação um pouco mais alta.

Para a economista-chefe do Inter, a abertura de um processo de impeachment, no entanto, traria ainda mais incertezas e mais volatilidade no mercado.

"Uma moderação nos discursos pode contribuir para que a gente tenha uma discussão sobre o fiscal mais ponderada. Muito dessas variáveis, juros e inflação via câmbio, é resultado de uma percepção maior de risco. Uma moderação dos discursos entre os Poderes pode reduzir a temperatura do mercado", afirma.

"A gente vinha em um ano de discussões sobre reformas importantes para a economia, reforma tributária, administrativa. Essas discussões políticas acabam interferindo e geram mais incerteza para o cenário econômico em 2022. Acho que a gente vai retomar a discussão de reformas somente em 2023."

Leonardo Milane, sócio e economista da VLG Investimentos, afirma que os discursos do presidente na terça-feira (7) contribuíram para que a confiança dos agentes econômicos se deteriorasse ainda mais.

"Foi uma sinalização bem ruim, com o discurso e as ameaças que ele [Bolsonaro] fez. O empresário acaba engavetando projetos, adiando investimentos, contratações. Confiança é tudo no ambiente econômico, e parece que os planos de reeleição estão se sobrepondo aos interesses comuns de todos", afirma.

Milane diz que o ambiente também cria uma espiral negativa para o investimento doméstico de risco/retorno alto, como a renda variável, e que o dinheiro da Bolsa e dos fundos multimercados vai para renda fixa.

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, afirma que o momento agora é de monitorar o posicionamento do Senado e de vários partidos que discutem a adesão a um pedido de impeachment, para ver se o clima político pode trazer ainda mais incertezas. Já o discurso do presidente da Câmara, Arthur Lira (PL-AL), ainda sinaliza apoio aos projetos do governo.

"Agora ainda não é o momento de fazer alguma mudança de cenário, mas estou bastante atento à postura do [presidente do Senado] Rodrigo Pacheco [DEM-MG], para ver se ele vai se colocar com oposição ao governo, pois isso travaria muito a agenda que a gente aqui no mercado financeiro está esperando que avance."

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