Publicado em 8 de setembro de 2021 às 19:17
O alto executivo de uma das maiores redes de varejo do país se disse "horrorizado" com o discurso do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), em 7 de setembro. O ataque às instituições, com destaque para o STF (Supremo Tribunal Federal), não contempla em nada o interesse no povo brasileiro, afirmou. >
Na opinião deste executivo, era preciso discutir inflação, desemprego, fome, para fazer a economia voltar a girar, e não as decisões de um ministro do STF -no caso, Alexandre de Moraes-, que dizem respeito a interesses particulares do presidente. >
Para ele, o pronunciamento do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), nesta quarta-feira (8), a respeito de Bolsonaro, não enquadrou o presidente como deveria. Ao contrário, Lira foi "vaselina", disse. Já o ministro do STF, Luiz Fux, foi mais "contundente". >
Fux defendeu que "ninguém fechará" a Corte brasileira e que o desprezo a decisões judiciais por parte do chefe de qualquer poder configura crime de responsabilidade. Já Lira se limitou a defender a "pacificação" entre os poderes e disse que o país tem compromisso com as urnas eletrônicas em outubro de 2022, em referência às próximas eleições do Executivo. >
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Pela Constituição, cabe ao presidente da Câmara dar início ao processo de impeachment. Mas Lira, até agora, não deu indícios de analisar a mais de uma centena de pedidos de impeachment feitos até o momento contra Bolsonaro. >
Questionado se o empresariado brasileiro vai pressionar pela saída de Bolsonaro, o executivo disse já começou uma movimentação desse tipo: os empresários começam a acionar deputados e senadores próximos, que sejam "do seu relacionamento", para avaliar se vale a pena abrir um processo de impeachment contra o presidente. >
O executivo destacou que, neste mês, quando as empresas começam a traçar o planejamento para 2022, um episódio como o de 7 de setembro deixa tudo em "stand-by". Segundo ele, os grandes investimentos e contratações ficam em suspenso e o empresariado "vai empurrando com a barriga". >
Já o alto executivo de um grande banco de varejo afirmou que está havendo uma verdadeira corrida das empresas para se capitalizar ainda este ano ou, no máximo, até o Carnaval. A partir de então, disse o executivo, as empresas têm muitas dúvidas sobre o que pode acontecer com a economia do país e não querem enfrentar o momento descapitalizadas. >
O sentimento entre as companhias, afirmou, é o mesmo de o início da pandemia: necessidade de formar caixa diante de um futuro nebuloso. >
As grandes empresas têm voltado a captar mais recursos no mercado de capitais via emissão de títulos de dívida, venda de ações ou até mesmo operações de IPO primário (quando o dinheiro da oferta pública inicial de ações vai para a companhia). >
A volatilidade política está acelerando este momento no mercado de capitais, disse ele. >
Já o presidente da companhia aérea Latam Brasil, Jeróme Cadier, destaca que, neste momento, muitas fronteiras estão fechadas para brasileiros devido à reputação do Brasil no exterior, e não necessariamente devido aos números da pandemia. >
"A instabilidade institucional aumenta a insegurança jurídica e o risco-Brasil, trazendo danos à imagem do país", diz Cadier. "A gente precisa de uma agenda que ajude o país a crescer, a olhar para frente, a construir algo", diz ele, afirmando que o Brasil hoje tem dificuldades em visualizar uma agenda positiva. >
Para Cadier, equilíbrio e calma no ambiente institucional são fundamentais para inspirar confiança, dentro e fora do país. "Tem que ter foco em crescimento, geração de emprego, retomada da economia, principalmente agora, com a pandemia começando a estar sob controle.">
Com décadas de experiência no varejo, o executivo da rede varejista ouvido pela Folha relembra o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992. Ele classificou o episódio como "terrível", lembrando do momento de incerteza. >
Mas para ele, em compensação, hoje as instituições estão mais sólidas e impedem mudanças bruscas nos direitos e na vida do cidadão comum. Para esse executivo, o momento é "desesperador", mas Bolsonaro "também passa". >
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