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Empresários querem que Bolsonaro mire a retomada da economia, não o STF

A explicação é que a instabilidade institucional aumenta a insegurança jurídica e o risco-Brasil, o que prejudica a imagem do país

Publicado em 08/09/2021 às 19h17
O presidente Jair Bolsonaro durante ato do 7 de setembro
O presidente Jair Bolsonaro durante ato do 7 de setembro. Crédito: Marcos Corrêa/PR

O alto executivo de uma das maiores redes de varejo do país se disse "horrorizado" com o discurso do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), em 7 de setembro. O ataque às instituições, com destaque para o STF (Supremo Tribunal Federal), não contempla em nada o interesse no povo brasileiro, afirmou.

Na opinião deste executivo, era preciso discutir inflação, desemprego, fome, para fazer a economia voltar a girar, e não as decisões de um ministro do STF -no caso, Alexandre de Moraes-, que dizem respeito a interesses particulares do presidente.

Para ele, o pronunciamento do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), nesta quarta-feira (8), a respeito de Bolsonaro, não enquadrou o presidente como deveria. Ao contrário, Lira foi "vaselina", disse. Já o ministro do STF, Luiz Fux, foi mais "contundente".

Fux defendeu que "ninguém fechará" a Corte brasileira e que o desprezo a decisões judiciais por parte do chefe de qualquer poder configura crime de responsabilidade. Já Lira se limitou a defender a "pacificação" entre os poderes e disse que o país tem compromisso com as urnas eletrônicas em outubro de 2022, em referência às próximas eleições do Executivo.

Pela Constituição, cabe ao presidente da Câmara dar início ao processo de impeachment. Mas Lira, até agora, não deu indícios de analisar a mais de uma centena de pedidos de impeachment feitos até o momento contra Bolsonaro.

Questionado se o empresariado brasileiro vai pressionar pela saída de Bolsonaro, o executivo disse já começou uma movimentação desse tipo: os empresários começam a acionar deputados e senadores próximos, que sejam "do seu relacionamento", para avaliar se vale a pena abrir um processo de impeachment contra o presidente.

O executivo destacou que, neste mês, quando as empresas começam a traçar o planejamento para 2022, um episódio como o de 7 de setembro deixa tudo em "stand-by". Segundo ele, os grandes investimentos e contratações ficam em suspenso e o empresariado "vai empurrando com a barriga".

Já o alto executivo de um grande banco de varejo afirmou que está havendo uma verdadeira corrida das empresas para se capitalizar ainda este ano ou, no máximo, até o Carnaval. A partir de então, disse o executivo, as empresas têm muitas dúvidas sobre o que pode acontecer com a economia do país e não querem enfrentar o momento descapitalizadas.

O sentimento entre as companhias, afirmou, é o mesmo de o início da pandemia: necessidade de formar caixa diante de um futuro nebuloso.

As grandes empresas têm voltado a captar mais recursos no mercado de capitais via emissão de títulos de dívida, venda de ações ou até mesmo operações de IPO primário (quando o dinheiro da oferta pública inicial de ações vai para a companhia).

A volatilidade política está acelerando este momento no mercado de capitais, disse ele.

Já o presidente da companhia aérea Latam Brasil, Jeróme Cadier, destaca que, neste momento, muitas fronteiras estão fechadas para brasileiros devido à reputação do Brasil no exterior, e não necessariamente devido aos números da pandemia.

"A instabilidade institucional aumenta a insegurança jurídica e o risco-Brasil, trazendo danos à imagem do país", diz Cadier. "A gente precisa de uma agenda que ajude o país a crescer, a olhar para frente, a construir algo", diz ele, afirmando que o Brasil hoje tem dificuldades em visualizar uma agenda positiva.

Para Cadier, equilíbrio e calma no ambiente institucional são fundamentais para inspirar confiança, dentro e fora do país. "Tem que ter foco em crescimento, geração de emprego, retomada da economia, principalmente agora, com a pandemia começando a estar sob controle."

Com décadas de experiência no varejo, o executivo da rede varejista ouvido pela Folha relembra o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992. Ele classificou o episódio como "terrível", lembrando do momento de incerteza.

Mas para ele, em compensação, hoje as instituições estão mais sólidas e impedem mudanças bruscas nos direitos e na vida do cidadão comum. Para esse executivo, o momento é "desesperador", mas Bolsonaro "também passa".

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