É administradora, especialista em Gestão de Recursos Humanos e profissional certificada Anbima CPA-10 e CPA-20. Tem 23 anos de experiência com orçamento, investimentos e planejamentos previdenciário e sucessório. Trabalha com ESG e na prevenção de lavagem de dinheiro.

Mês do Consumidor pode virar armadilha para o bolso

Promessas de descontos e ofertas ativam gatilhos psicológicos e podem levar ao descontrole financeiro; o caminho é investir e priorizar o consumo consciente

Vitória
Publicado em 11/03/2026 às 10h33

O Mês do Consumidor foi transformado em um festival de estímulo ao descontrole financeiro. Uma data criada para celebrar direitos passou a ser, não só um dia (15 de março), mas um mês inteiro dedicado ao consumo e não ao consumidor. As grandes promoções são orquestradas nos mínimos detalhes e arranjos para sequestrar o sistema límbico do cérebro, prometendo uma felicidade efêmera que termina em dor de cabeça, perda de tempo, desperdício de dinheiro e uma distância cada vez maior da tão sonhada liberdade.

Ademais, celebrar o consumo em meio a tantos conflitos geopolíticos, destruição e incertezas beira ao devaneio coletivo de fazer a economia girar a todo custo sem importar-se com o mais importante que é a autonomia humana. O verdadeiro poder do consumidor não está em comprar com desconto, mas em ter o poder de dizer "não". Faz-se necessário gerar indignação e replicá-la em todos os meios de comunicação, mostrando que o sucesso de uma pessoa não pode mais ser medido pelo que ela adquire e passa a possuir, enquanto sua reserva de emergência está zerada.

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Ofertas e promoções estimulam decisões impulsivas e afastam o consumidor da organização financeira e do hábito de investir. Crédito: Shutterstock

Portanto, o recado é claro: o consumismo desenfreado é uma armadilha que rouba tempo, dinheiro e liberdade. É preciso provocar a sociedade a enxergar que, ao cair em gatilhos de escassez e urgência, o indivíduo entrega o domínio da própria vida ao mercado. Entender o cérebro humano e o comportamento financeiro por meio da neuroeconomia é um chamado à lucidez. A melhor forma de honrar o próprio esforço cotidiano com o trabalho é investir no futuro, e não em objetos que perdem valor assim que saem da caixa.

Nesse caminho, colocar o dinheiro para trabalhar é uma inversão lógica da prisão financeira, que dilacera indivíduos, famílias e países. Saber onde investir é uma atividade técnica que proporciona liberdade empírica, ou seja, viver o tempo com qualidade. A cultura da eficiência não serve apenas para empresas; é aplicável à vida individual.

Contudo, há quem não saia da inércia e acabe perdendo o custo de oportunidade por medo. Cada dia que o dinheiro não rende acima da inflação é uma perda lenta, até que o indivíduo resolve gastar no mês do consumidor e o prejuízo se torna inevitável. 

Dinheiro parado na conta corrente ou mal aplicado na poupança é inércia financeira. A questão não é ficar rico rápido, é não aceitar a mediocridade financeira. Entender sobre investimentos evita a queda em armadilhas de datas comerciais. Dinheiro sem finalidade é oficina do consumo, para não dizer (escrever) outra coisa.

Conclui-se, a partir dessa análise sobre as distorções de uma data comercial, que o maior dividendo do dinheiro investido não é pago em reais, mas em opções de vida. Não confie apenas no consciente: ampare o inconsciente com estratégia e lógica. Esperar sobrar para investir está fora de cogitação. Investir é a primeira atitude depois de fazer a renda.

O mês de março é primordial na organização das finanças de todo um ano. É importante priorizar o pagamento de contas obrigatórias, como impostos tipo IPTU, IPVA Imposto de Renda. É hora de pagar tudo o que puder à vista ou em cota única para aproveitar os descontos maiores. Antecipar atitudes ajuda a organizar as finanças e a evitar o consumismo desta época, que tanto tira dos cidadãos brasileiros.

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