É administradora, especialista em Gestão de Recursos Humanos e profissional certificada Anbima CPA-10 e CPA-20. Tem 23 anos de experiência com orçamento, investimentos e planejamentos previdenciário e sucessório. Trabalha com ESG e na prevenção de lavagem de dinheiro.

Do aperto ao controle: veja como sobreviver ao 'trimestre crítico'

Festas, impostos e despesas anuais transformam dezembro, janeiro e fevereiro em um período de risco financeiro; saiba como mudar hábitos e retomar o controle do dinheiro

Vitória
Publicado em 16/01/2026 às 09h48

Para educadores financeiros, neuroeconomistas e planejadores financeiros, os meses de dezembro, janeiro e fevereiro são conhecidos como "trimestre crítico". Esse período concentra festas, eventos, presentes, viagens, pagamento de impostos e taxas, renovação de seguros, revisão do carro para viagem, além de matrícula e compra de material escolar.


É vital compreender que esse trimestre exige atenção especial, pois reúne o último mês do ano anterior e os dois primeiros meses do ano vigente. Hoje, 16 de janeiro, marca exatamente a metade desse período. Além disso, trata-se de um fenômeno cíclico, com periodicidade anual, e portanto previsível. Com orientação, organização e método, é possível parar de viver em apuros.

É importante fazer as contas antes de definir o preço de venda do seu imóvel
IPTU, IPVA, matrículas e material escolar: contas apertam o bolso no início do ano. Crédito: Shutterstock

Logo, saber de antemão o custo de vida mensal, somado aos gastos anuais concentrados nesses três meses, é a primeira etapa para virar a chave da chamada "Corrida dos Ratos" e passar a ser um excelente investidor, em vez de continuar a ser um pagador de contas e, até mesmo, um endividado.

Além disso, realizar esse cálculo agora estimula a neuroplasticidade e amplia a visão de longo prazo, levando o inconsciente a se preparar, de forma natural, para a virada de 2026/2027. O custo estimado deve ser projetado para essa virada e compor a reserva de emergência, que deve ser investida em produtos de baixo risco e alta liquidez, como Tesouro Direto Selic, CDB DI e bons fundos referenciados no DI.

Entretanto, caso haja dificuldades, torna-se necessário buscar o apoio de um profissional e organizar este ano de forma estruturada. Afinal, sem resolver o presente e o curto prazo, como pensar em horizontes de médio e longo prazo?

Dessa forma, a próxima virada de ano poderá ser comemorada com alegria, e não como mais um gatilho para frustração e endividamento. Ano novo combina com mudança, não com repetição: ano novo, metas novas.

Porém, o primeiro passo não é planejar, como muitos acreditam. Um arquiteto não começa desenhando o projeto: antes, ele aprende, escuta o cliente, faz um diagnóstico detalhado, elabora orçamentos e define um plano de entregas. Somente após compreender o desejo e a meta é que o planejamento acontece.

Vale lembrar que intercorrências surgem, exigindo revisões de cálculos, conceitos e adaptações no projeto. Da mesma forma, o primeiro passo de quem passa por um processo de Educação Financeira é pensar. Pensar é dialogar, filosofar e questionar a si mesmo. Da reflexão nasce a imaginação, que permite sonhar, criar cenários e simular planos de contingência para situações adversas. Somente depois disso começa, de fato, o planejamento.

Por fim, aproveitar os próximos 45 dias — metade do "trimestre crítico" — é uma oportunidade real de viver um verdadeiro Ano Novo, permitindo que pequenas decisões tomadas hoje moldem um futuro mais próspero e equilibrado. A neuroeconomia oferece um conjunto amplo de ferramentas, das mais simples às mais sofisticadas, para compreender a própria mente e o papel do dinheiro na vida individual e familiar.

Conclui-se que atravessar o "trimestre crítico" sem danos depende mais da aquisição de novos hábitos do que da simples eliminação dos antigos. A neuroeconomia não é apenas a soma entre neurociência e economia, como muitos acreditam, mas a integração e multiplicação dessas áreas com a psicologia, a administração, a contabilidade, a física e a química.

Sem compreender os “porquês” que regem o comportamento e o inconsciente individual e coletivo, torna-se impossível enfrentar o neuromarketing, responsável por impulsionar uma das gerações mais endividadas e com maior desigualdade entre ricos e pobres. Entender como tudo funciona é a única maneira de eliminar o que não funciona. Portanto, os recursos financeiros necessários para atravessar momentos críticos, incluindo o "trimestre crítico", nascem não apenas da razão, mas também das emoções e de escolhas fundamentadas em múltiplos saberes.

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