Marqueteira de João Coser (PT) em Vitória e de Max Filho (PSDB) em Vila Velha, a jornalista Bete Rodrigues teve um domingo de muita apreensão, mas com um desfecho que representou duplo alívio. Seus dois principais clientes conseguiram avançar ao 2º turno nas respectivas cidades, ambos em 2º lugar e por diferença de votos muito estreita: em Vila Velha, Max teve 22,91% dos votos válidos, ante 19,31% de Neucimar Fraga (PSD). Em Vitória, com 21,82% dos votos válidos, Coser ficou 0,7 ponto percentual à frente de Gandini (Cidadania).
Agora, no 2º turno em Vitória contra o delegado Lorenzo Pazolini (Republicanos), Bete adianta: a campanha de Coser, a priori, respeitará o adversário. A menos que o respeito não seja mútuo. “Quanto ao adversário, minha proposta é manter uma relação respeitosa. A não ser que não seja”, afirmou a marqueteira, acerca de Pazolini, em conversa com a coluna na manhã desta segunda-feira (16) de redefinição de estratégias.
Em outras palavras, em uma campanha que promete ser muito intensa, o primeiro fogo não deve partir do petista. Mas, se Coser for atacado (inclusive pelo flanco ideológico), estará pronto para responder à mesma altura. E, se o deputado estadual do Republicanos começar a explorar o antipetismo e tentar rotular em Coser negativamente por ser um representante da esquerda, o petista pode até pagar na mesma moeda, “esfregando” enfim em Pazolini o possível vínculo ideológico com o presidente Jair Bolsonaro.
Diga-se de passagem, apesar de ser um político declaradamente de direita e de sua associação direta com “ícones do bolsonarismo” (chegou a homenagear a ministra Damares Alves, ex-assessora de Magno Malta, na Assembleia, em 2019), Pazolini não foi tratado como “bolsonarista” por nenhum adversário ao longo do primeiro turno.
Do mesmo modo, provavelmente por preferirem enfrentar João Coser no segundo turno, nem Gandini nem o próprio Pazolini buscaram capitalizar a rejeição a Coser e vincular ao candidato petista os vários “fantasmas” do passado recente do partido (corrupção, petrolão, Lava Jato, recessão iniciada no governo Dilma etc.).
Em todo o primeiro turno, Coser correu praticamente “solto” em sua raia na pista, sentindo-se bastante à vontade, a ponto de ter exibido declarações de Lula pedindo votos para ele de ter homenageado o ex-presidente, no aniversário deste, em sua propaganda de rádio e TV.
Um dos principais fatores que despertam atenção e curiosidade neste momento em Vitória é, exatamente, até que ponto a disputa de cunho político-ideológico de 2018, que até agora passou distante da eleição em Vitória, pode se reeditar neste segundo turno em Vitória, entre o maior líder do PT no Espírito Santo e um deputado tão identificado com a direita bolsonarista instalada no poder central.
Dependendo do caminho a ser seguido pelas duas campanhas, esse segundo tempo eleitoral em Vitória poderá virar, de alguma forma, um novo “Lula versus Bolsonaro”. Em tempo, este último, como já destacamos aqui, está muito mal avaliado na Capital e, no momento, encontra uma dificuldade muito localizada e muito específica, precisamente, entre os eleitores de Vitória.
Segundo a pesquisa Ibope/Rede Gazeta publicada em 3 de novembro, a avaliação negativa de Bolsonaro na capital capixaba atingiu pico de 51% (na soma de “ruim” e “péssimo”), ante 28% de “bom” e “ótimo. É uma desaprovação muito acima da média nacional e até estadual captada em outros levantamentos recentes..
Além disso, o candidato mais abertamente bolsonarista na eleição da Capital, que era o deputado estadual Capitão Assumção (Patriota), obteve tímidos 7,22% dos votos válidos.
Confira abaixo as respostas de Bete Rodrigues, enviadas por Whatsapp, para as duas perguntas que fizemos a ela, por volta das 10h15 desta segunda-feira:
Em Vitória, a campanha de João Coser trará Bolsonaro para a campanha de Pazolini? Vocês buscarão vincular o delegado ao bolsonarismo e à imagem do presidente (muito mal avaliado em Vitória)?
Estaremos reunidos agora, às 11 horas, para um alinhamento dos conceitos do segundo turno. Vou defender a ideia de aprofundar o diálogo com a cidade, fazendo renascer, principalmente na periferia, a esperança de uma Vitória inclusiva e possível. Quanto ao adversário, minha proposta é manter uma relação respeitosa. A não ser que não seja.
Vocês esperam que o adversário explore a rejeição ao PT e à esquerda, levando a disputa e o debate para o campo ideológico?
Quando a gente enfrenta uma batalha, tem de estar preparado para o previsível e para o imponderável.