O PSDB vai com Pazolini (Republicanos); o PSB, com Coser (PT). E este é só um aperitivo. Com o início do 2º turno entre Lorenzo Pazolini (30,95% dos votos válidos) e João Coser (21,82%) na eleição a prefeito de Vitória, é preciso observar atentamente como vão se posicionar as demais forças nesta nova e decisiva etapa da campanha. Ok, os demais candidatos podem não ter chegado ao 2º turno, mas alguns deles, de acordo com a contagem dos votos, reúnem capital eleitoral que pode ser muito útil para os dois finalistas e até decidir uma disputa acirrada.
É o caso de Capitão Assumção (Patriota), que obteve 7,22% dos votos válidos; Mazinho dos Anjos (PSD), que ficou com 6,65%; Neuzinha de Oliveira (PSDB), com 4,61%; e Sérgio Sá (PSB), com 4,15%. Isso, é claro, sem contar Fabrício Gandini (Cidadania), o 3º colocado no 1º turno, que por pouco não chegou à frente de Coser. Com seus 21,12% de votos válidos, o candidato do prefeito Luciano Rezende (Cidadania) tem um ativo muito precioso para negociar neste momento. Dependendo do movimento que fizer, pode ser o fiel da balança.
Em sua manifestação oficial após a confirmação da derrota na noite deste domingo, Gandini foi muito democrático e elegante, especialmente ao desejar boa sorte aos adversários que o derrotaram. Mas não respondeu à pergunta do milhão: o que ele fará no 2º turno?
Metade da resposta (ou seja, meio milhão) nós podemos dar de imediato: Gandini não vai, em hipótese alguma, apoiar Pazolini, ou o o “delegado político”, como ele mesmo passou a chamar o oponente em seus últimos dias de campanha.
Isso é mais do que certo não só pela campanha combativa a Pazolini protagonizada por Gandini ao longo do 1º turno, mas, antes de tudo, porque ambos estão em lados opostos tanto na política municipal como na estadual: Pazolini é um notório opositor ao governo Casagrande, de quem Gandini vem a ser grande aliado (foi até candidato a vice-governador na chapa dele em 2014).
A pergunta mais correta, então, e a que se deve priorizar neste momento, é: Gandini vai ou não vai declarar apoio a Coser e unir forças com o petista no 2º turno para derrotar Pazolini em Vitória?
Coser, com certeza, sabendo o quanto depende disso, não medirá esforços por esse apoio. Estará disposto a fazer concessões. E, político experimentado que é, já na noite deste domingo, tão logo a sua “classificação” foi confirmada matematicamente, tratou de fazer um aceno clássico a Gandini, declarando-se aberto a incorporar propostas de outros candidatos em seu plano de governo.
Resta saber, então, se Gandini topará um acordo com o ex-adversário. Não é uma engenharia das mais simples. O hoje deputado estadual iniciou a sua trajetória política, em seu primeiro mandato de vereador (2009/2012), criticando muito, da tribuna da Câmara de Vitória, a administração de Coser, que então cumpria o seu segundo mandato de prefeito.
Como eu disse, a engenharia não é simples. E, para resolvê-la, poderiam chamar o vice-prefeito e engenheiro Sérgio Sá, ex-secretário municipal de Obras e Habitação, outro que ficou pelo caminho.
A PARTICIPAÇÃO DE CASAGRANDE
Aliás, trocadilhos à parte, quem na certa vai assumir para si essa tarefa é o líder de Sérgio Sá no PSB: o governador Renato Casagrande. Em que pesem as diferenças no passado, Coser e Gandini hoje têm em Casagrande um ponto em comum, isto é, um aliado em comum. Convergem no apoio ao governo e na excelente relação com o governador. Ao longo de todo o 1º turno, tanto Coser como Gandini mantiveram contato permanente com Casagrande (separadamente). Com Pazolini, Casagrande não teve conversa.
Agora, por interesse estratégico em derrotar Pazolini na Capital (a joia da coroa desta eleição municipal), Casagrande, mesmo sem aparecer ou deixar suas digitais, pode ser o fio condutor dessa aliança entre Coser e Gandini. Ora, já em 2012, na primeira vitória de Luciano Rezende para a Prefeitura de Vitória, o PT e o próprio Coser não estiveram tão longe assim de Luciano...
Enfim, o engenheiro dessa possível obra, o homem que pode construir esse acordo, chama-se Renato Casagrande. O que nos leva a outra questão: bastará a Casagrande articular acordos em favor de Coser, isto é, restringir-se a ajudar o petista agindo nos bastidores, ou estará ele disposto a entrar pessoalmente na campanha em Vitória no 2º turno? Neste domingo, o governador deu uma pista, ao admitir que pode, sim, posicionar-se em alguns lugares no 2º turno (algo que ele não fez no 1º, em nenhuma cidade da Grande Vitória).
Neste domingo, conversei com duas fontes ligadas ao PSB e ao governo. Curiosamente, elas têm opiniões discordantes: um dirigente do PSB (mais focado no partido) acha que sim, que Casagrande deve se posicionar a favor de Coser, pois Pazolini sempre fez oposição ao seu governo, desde que pôs os pés na Assembleia, no início de 2019.
Já um conselheiro político de Casagrande (mais focado no governo) avalia que não, que ele não deve entrar na campanha de Coser, pelo menos não publicamente. Primeiro, porque Pazolini sempre fez uma “oposição respeitosa” ao governo (diferentemente, por exemplo, de Assumção); segundo, porque Casagrande não tem por que correr o risco de sofrer uma derrota pessoal nessa disputa local.
Pazolini é um oponente duro e larga com favoritismo neste 2º turno. Se Casagrande entrar com Coser e perder, além de também ser derrotado eleitoralmente por tabela, terá uma relação ainda mais complicada para desenrolar com o próximo prefeito a partir de janeiro.
PSB COM GANDINI
Quanto aos “coadjuvantes”, não cabe a menor dúvida de que o PSB de Casagrande e de Sérgio Sá marchará oficialmente com Coser, iniciando uma frente de centro-esquerda contra a candidatura direitista de Pazolini no 2º turno. Um dirigente do partido me garante isso. Pessoalmente, o próprio Sá deverá fazer o mesmo, acompanhando a adesão do PSB a Coser (até porque é considerado um quadro muito partidário e disciplinado).
CANDIDATOS DE DIREITA
Por outro lado, tirando o PSB de Sérgio Sá, também não cabe a menor dúvida de que os demais candidatos que tiveram votação relevante deverão seguir com Pazolini. Isso vale para Assumção, Mazinho e Neuzinha (os quais, juntos, totalizaram 18,48%, contra 4,15% de Sérgio Sá sozinho).
ASSUMÇÃO: OBVIEDADE
Faz muito mais sentido que Assumção perfile-se a Pazolini. Afinal, os dois estão alinhados no bloco de oposição ao governo Casagrande na Assembleia. E alguém aí consegue imaginar o capitão com o PT?
PSDB COM PAZOLINI
O mesmo vale para Neuzinha, que por pouco não se tornou vice na chapa de Pazolini (chegou a ser convidada por ele). No PSDB, o presidente estadual, Vandinho Leite, deixou o ex-governador César Colnago (vice-presidente estadual do partido) como procurador da legenda, encarregado das articulações eleitorais em nome do PSDB na Capital. Bom de diálogo, Colnago conversou com todos, inclusive com Coser, na residência do primeiro.
O PSDB, garante Colnago, não ficará neutro no 2º turno. E a tendência agora é que apoie mesmo Pazolini (assim como seria num eventual 2º turno do delegado contra Gandini).
MAZINHO: POR ELIMINAÇÃO...
Quanto a Mazinho, neste domingo, por meio de sua assessoria, preferiu não entrar na questão de apoio no 2º turno. Mas também é de direita (pelo viés liberal na economia) e faz oposição à administração de Luciano, o que rima muito mais com Pazolini.
PARTIDO DE MAGNO COM PAZOLINI
Não esqueçamos, ainda, Halpher Luiggi, o candidato do PL, comandado no Estado pelo ex-senador Magno Malta. Com menos de 1% dos votos válidos, Halpher também dará seu apoio para Pazolini, o que tem muito maior importância pelo significado político disso: Magno.
“Vou me reunir com o presidente do partido [Magno] para tratar do tema”, disse o próprio Halpher à coluna, na noite deste domingo, parabenizando Coser e Pazolini pelo resultado. “Mas, como você e todos sabem, sou conservador e, apesar do respeito que tenho pelo João Coser, dificilmente caminharemos com a esquerda”, completou.
O presidente do PL em Vitória, Charles Jean, é ainda mais explícito: “Pazolini é amigo, é ótimo candidato, muito possível que sim, apoiemos ele. Vou conversar com nosso Líder (sic), Magno Malta. E aguardar o contato do candidato.”
É só ligar.