Três pessoas foram condenadas por crimes de homicídio relacionados ao tráfico de drogas na Serra, em júris realizados na última semana. Um dos réus já havia sido condenado em outro processo junto com Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, por um assassinato em que a vítima foi espancada, teve a cabeça cortada e foi queimada junto com o carro.
O primeiro a sentar no banco dos réus, no último dia 14, foi Ícaro Santana Soares, sentenciado a 27 anos e 4 meses de prisão, a serem cumpridos em regime fechado, pelos crimes de homicídio, associação criminosa e corrupção de menores.
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) o acusou de ter ordenado o homicídio por intermédio de recados enviados de dentro da prisão, conforme descrito na sentença do Juízo da Terceira Vara Criminal da Serra, responsável pelo Tribunal do Júri.
“O crime de homicídio ora julgado foi praticado a mando do acusado enquanto ele já estava preso no sistema penitenciário capixaba, havendo provas nos autos demonstrando que o réu também praticou outro homicídio no mesmo contexto (através de recados expedidos de dentro da cadeia)”, diz o texto judicial.
Esta foi a segunda vez em que o júri de Ícaro foi realizado, após o Tribunal de Justiça do Espírito Santo ter anulado o primeiro sob o argumento de que a decisão dos jurados contrariava as provas existentes no processo.
Segundo o advogado Winter Winkler de Almeida Santos, que fez a defesa de Ícaro exclusivamente no processo da Serra, não há comprovação de como os recados do presídio teriam sido transmitidos. Ele avalia que a condenação do seu cliente ocorreu em razão do histórico criminal anexado ao processo pelo MP.
“Respeito a decisão dos jurados, mas, como foi uma condenação contrária às provas existentes no processo, continuaremos recorrendo”, informou o advogado, assinalando que além de recurso ao Tribunal, há outro já apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
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Sem cabeça
De acordo com o descrito na sentença, Ícaro possui outras condenações, incluindo outros homicídios.
Uma das condenações ocorreu em outubro do ano passado. Após seis dias de júri, ele foi sentenciado a uma pena de 29 anos, 11 meses e 10 dias por um assassinato ocorrido em Vitória, ao lado de outras seis pessoas, incluindo Marujo.
A morte do traficante Fernando Monteiro Telles ocorreu em 2019. Ele foi espancado, morto a facadas e teve a cabeça cortada. O corpo foi descartado às margens de uma rodovia na Serra, dentro de um carro que foi incendiado.
Mais duas punições
Outro júri, realizado na quinta-feira (15), resultou na condenação de Marcossyli Batista Bastos e Paulo Henrique Andrade Araújo, ambos por homicídio qualificado consumado a uma pena de 30 anos de reclusão em regime fechado, para cada um deles.
O crime aconteceu em junho de 2019, no Bairro das Laranjeiras, na Serra, em frente a um bar, onde a vítima foi atingida por 20 disparos de arma de fogo, a maior parte na cabeça e no tronco. O objetivo seria eliminar rivais para assegurar a hegemonia do tráfico de drogas na localidade.
Os dois acumulam outras condenações, incluindo a resultante da Operação Caça-Fantasmas, onde é apontado o envolvimento de Marcossyli no tráfico na Grande Jacaraípe, com vínculos com o Primeiro Comando de Vitória (PCV), facção criminosa liderada por Marujo, processo pelo qual recebeu uma pena de 28 anos de reclusão. A sentença, de agosto de 2025, cita que ele já somava outras cinco condenações.
A defesa de Marcossyli e a de Paulo Henrique não foram localizadas, mas o espaço segue aberto a eventuais manifestações.
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