Dá para imaginar que, no primeiro turno das eleições de 2026, o número de pessoas que escolheu não votar chega relativamente perto da população do nosso vizinho Peru, com 35 milhões de habitantes? Por aqui, foram cerca de 33,4 milhões de brasileiros aptos que deixaram de participar do pleito, um recorde em números absolutos desde a redemocratização. Um percentual de 21,08%.
Especificamente no Espírito Santo, a abstenção foi a maior nos últimos 24 anos em eleições gerais, com 638 mil eleitores aptos ausentes das urnas. A taxa de abstenção fechou em 21,39%.
Esta é a semana em que pensar sobre o próprio papel no processo democrático será crucial. A escolha de estar presente às urnas no próximo domingo será decisiva para os próximos quatro anos, e aqueles que não conseguem enxergar o poder do voto precisam reavaliar com carinho essa posição. Não votar é permitir que escolham por você. A democracia se fortalece com essa participação, que pode parecer ínfima, mas não é.
O segundo turno, portanto, se coloca como um desafio em termos de comparecimento às urnas. Principalmente porque o histórico mostra uma tendência a queda, mas as eleições de 2022 foram uma exceção, quando o índice de abstenção caiu de 20,9% no primeiro turno para 20,6% no segundo turno.
Explicações e hipóteses para o fenômeno não faltam, sobretudo atribuindo essa ausência crescente à apatia política. A polarização chegou a um ponto que empurrou os descontentes para fora do espectro da atuação política, com a sensação mais forte de que votar não muda nada. Mas a democracia exige paciência, construção de lideranças e consensos, e é com a participação a cada eleição que ela se fortalece.
Desistir de fazer parte disso é abrir mão de tomar as rédeas das decisões coletivas. E o Brasil precisa de boas escolhas que começam já no próximo domingo (25).
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