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Opinião da Gazeta

Emendas impositivas: dimensão do valor comprova necessidade de controle

É certo que a PEC vai empoderar os deputados, de forma legítima. Mas isso não deixa de colocar em risco os equilíbrio institucional entre os Poderes

Publicado em 19 de Outubro de 2026 às 05:00

Públicado em 

19 out 2026 às 05:00
Redação de A Gazeta

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Redação de A Gazeta Redação de A Gazeta
Assembleia Legislativa do ES
Assembleia Legislativa do ES Fernando Madeira

É cristalino como água que as emendas impositivas, aprovadas de forma açodada pelos deputados estaduais na semana passada, vão demandar ainda mais controle e transparência sobre o destino desse dinheiro. Mas isso fica ainda mais evidente quando se dimensiona o valor que passará a estar nas mãos dos 30 parlamentares capixabas.


Reportagem de Maurílio Mendonça para este jornal ajuda a dar a noção a um desavisado: os R$ 435 milhões previstos em emendas impositivas superam em R$ 110 milhões o valor previsto no orçamento para cobrir todas as despesas da própria Assembleia Legislativa do Espírito Santo.


Em 2027, esse valor também supera os recursos destinados a 16 órgãos públicos e secretarias estaduais. É 20 vezes mais que o orçamento previsto para a Secretaria de Estado das Mulheres, responsável pela execução de políticas públicas de combate à violência contra a mulher.


Assim como é mais do que o valor de R$ 156,7 milhões destinado ao custeio e ao investimento da Defensoria Pública. Recentemente, em sua coluna, Vilmara Fernandes trouxe a informação de que os presídios no Espírito Santo contam com quatro defensores públicos para atender cerca de 18 mil presos.


Essa comparação é vital para a sociedade que, assim como preconizou o Supremo Tribunal Federal, tem o direito de saber para onde vai e qual a finalidade desse recurso publico. Só com transparência haverá conhecimento, inclusive sobre a destinação estritamente paroquial e eleitoreira. 


É certo que a PEC vai empoderar os deputados, de forma legítima. Mas isso não deixa de colocar em risco os equilíbrio institucional entre os Poderes, sobretudo quando políticas públicas e projetos estruturantes podem perder margem financeira para obras avulsas e imediatistas. Será necessário pesar prós e contras, e isso só se faz com transparência e controle. E nem sempre isso é tão simples.

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