Ninguém está aqui para desmerecer a beleza das praias capixabas. Pelo contrário. Parafraseando Tim Maia em "Do Leme ao Pontal", da Praia do Riacho Doce, em Conceição da Barra, à Praia das Neves, em Presidente Kennedy, não há nada igual. Mas para criar no turista o desejo de vir e voltar ao Estado está cada vez mais evidente que existem critérios a serem perseguidos.
O visitante que proporciona um turismo sustentável quer, acima de tudo, praia limpa. Tanto balneabilidade quanto areias sem lixo. Ninguém vai pagar uma passagem aérea e uma hospedagem para encontrar um balneário desagradável, que demonstre que o poder público local não tem preocupações ambientais.
É por isso que o fato de o Espírito Santo não conseguir o Selo Bandeira Azul desde 2023 deve preocupar os gestores municipais e estadual. Sobretudo quando existem ambições de promover o turismo como estratégia de geração de receitas com as mudanças impostas pela reforma tributária.
Nas duas edições em que tivemos uma praia entre as selecionadas, a Praia da Sereia (2021/2022 e 2022/2023), em Vila Velha, comprovou-se que, pelo menos naquela praia, os critérios de qualidade da água, gestão ambiental, segurança e sustentabilidade foram atingidos. E isso deveria se disseminar.
Essa certificação ambiental internacional ajuda a promover o turismo, que precisa se firmar em sistema sustentável que envolva os próprios turistas. Neste ano, o Brasil bateu recorde de praias com o Selo Azul, sem o Espírito Santo entre elas. O selo acaba sendo uma consequência de um trabalho contínuo, não é o fim em si. Mas é uma chancela relevante.
A população tem colocado em xeque a qualidade das águas e os próprios critérios de avaliação de balneabilidade dos municípios da Grande Vitória. É uma preocupação com a qualidade de vida dos moradores que se expande para quem visita as praias. A transparência em relação à balneabilidade deve ser perseguida, assim como os investimentos em saneamento, com o poder público cobrando os resultados das concessionárias.
É seguindo o caminho do compromisso ambiental que as praias capixabas podem virar objeto de desejo de turistas. E o turismo não pode ser predatório, depende de um ciclo de sustentabilidade para que todos saiam ganhando com ele. Praia limpa e bem cuidada deveria ser sempre o básico, mas ainda é um luxo.
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