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Imóveis

De olho no boom do mercado imobiliário de luxo em Vitória

Como muitas coisas na vida, crescimento de empreendimentos de alto padrão na Capital tem tanto um lado bom quanto um ruim

Públicado em 

04 jul 2024 às 02:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

Logo após a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar a condição de pandemia para a Covid-19, afetando a vida de todos, várias atividades tiveram que ser totalmente interrompidas, como foi o caso da construção civil brasileira, pelo menos durante os primeiros meses da crise sanitária.
Aos poucos, porém, o setor foi sendo retomado a partir da implantação de diversos protocolos a serem praticados pelas empresas e seus funcionários. Se inicialmente o que se viu foi uma crise econômica atingindo fornecedores, construtores e trabalhadores, o que ocorreu logo após a retomada foi um vertiginoso aumento no custo das obras em função do aumento de preços dos componentes construtivos.
Além disso, em função da própria Covid-19 e o alongamento do confinamento, houve uma radical mudança no foco do setor. A transição para o trabalho remoto fez com que os edifícios de escritório ficassem vazios, de tal modo que quase já não há lançamento de novos empreendimentos imobiliários corporativos. Por outro lado, os empreendimentos residenciais explodiram!
Ao deixar de viajar e ter outros gastos comuns ao período pré-pandêmico e, principalmente, querer ter espaços de moradia mais amplos e confortáveis (inclusive para conciliar com o home office), as famílias que viviam num apartamento de dois quartos migraram para um de três, as que moravam num de três foram para um de quatro dormitórios, teve quem se mudou para casas duplex em condomínios fechados, e assim por diante...
É claro que tudo isso se deveu também graças ao crédito imobiliário, já que a inflação tem estado sob controle. Mas o fato é que tal questão é tão boa para os bancos como para os mutuários, além, obviamente, das construtoras e incorporadoras.
Por todo o país, seja em médias ou grandes regiões urbanas, a expansão de unidades residenciais tem se dado de modo inequívoco. Contudo, o mais curioso é a grande quantidade de imóveis de luxo que estão sendo lançados, numa proporção acima ao do crescimento da população de alta renda.
É o caso, por exemplo, de Vitória, aqui no Espírito Santocujo valor do metro quadrado teve alta valorização, superando o de todas as demais capitais brasileiras.
Ainda que São Paulo, por razões óbvias, tenha mais quantidade de novos lançamentos de luxo e no Rio de Janeiro esteja o empreendimento com o maior valor de metro quadrado (trata-se de um edifício com apenas seis unidades que estão sendo comercializadas por 100 mil reais/m², localizado em frente à Praia do Leblon), a Capital espírito-santense tem se destacado com seus vários edifícios de alto padrão em construção, cujas unidades são rapidamente vendidas.
E é mesmo algo surpreendente, afinal Vitória tem poucas áreas passíveis de ocupação e até tem perdido população, conforme demonstrado no último censo. Contudo, é uma cidade com ótimos índices de desenvolvimento sociais e urbanísticos, estando bem colocada em termos de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e PIB per capita.
O fato de ter poucos terrenos disponíveis em todo o município, mas principalmente nos bairros mais nobres, ajuda a explicar em parte o alto valor de venda das construções, mas não é suficiente para justificar a grande quantidade de lançamentos neste segmento e sua rápida comercialização.
Como muitas coisas na vida, isso tem tanto um lado bom quanto um ruim. Em primeiro lugar, é ótimo para todo o segmento da construção civil, em particular para as construtoras que atuam nesta faixa de mercado. As arrecadações municipal e estadual crescem, obtendo ganhos que podem ser revertidos para a própria cidade.
No entanto, é uma situação que provoca forte processo de gentrificação, com a valorização de regiões urbanas que acabam expulsando parte de uma população de renda inferior para as porções periféricas do território. Algo que já vem ocorrendo em muitos lugares, notadamente nas áreas urbanas centrais das cidades europeias, onde os moradores nativos tiveram que ceder lugar a estrangeiros ricos.
Aqui em Vitória ainda estamos longe dessa situação vista na Europa, mas não custa ficar atento. E se tampouco houve aumento da população com renda para comprar tais imóveis, de onde vem tanto investimento?
Enquanto isso, para o restante das pessoas que assistem às propagandas desses lançamentos de luxo, que passam em frente aos estandes de venda e observam os prédios subindo, cujos nomes são sempre suntuosos, normalmente em língua estrangeira, de preferência o inglês, assim como também todos os ambientes comuns (bike sharing, coworking, sky lounge, garage band...), resta sonhar.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaco

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