Foco nas necessidades do cliente, atenção aos detalhes e destaque no segmento de imóveis de alto padrão. Esse é o perfil das novas corretoras de imóveis que têm consolidado o seu lugar em um mercado bastante competitivo e que trabalha com os sonhos e anseios de quem está em busca do lar ou imóvel de lazer perfeito ou mesmo do negócio certo.
Dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 13ª Região-ES (Creci-ES) mostram que o Estado atualmente tem quase 5 mil mulheres inscritas, de um universo de 14 mil profissionais registrados no órgão.
Para a conselheira do Creci-ES, Jane Rios, o crescimento das mulheres no mercado imobiliário trouxe uma nova visão ao setor, com profissionais detalhistas, que focam as necessidades do cliente. O que trouxe, aos poucos, o respeito pelas mulheres no setor.
Jane, além de conselheira, ocupa a função de diretora do Corretoras Globais do Espírito Santo, que integra o Creci-ES. O objetivo é fazer intercâmbio e networking entre as profissionais que trabalham dentro e fora do Brasil que precisam viabilizar seus negócios, inclusive receber possíveis compradores de outros países de corretoras de fora.
“Nossa intenção com o grupo é, além dessa troca de informações e do suporte, capacitar as corretoras para atuarem de forma correta dentro e fora do país, para que elas se profissionalizem cada vez mais”, diz.
Profissionais unidas
A união tem sido uma das principais ações das corretoras imobiliárias quando o assunto é se fortalecer diante de um mercado cada vez mais exigente e profissionalizado. Além do exemplo do Creci-ES, outros grupos de corretoras também têm se formado no Espírito Santo, com o intuito de agregar profissionais para networking, apoio, treinamento e até mesmo confraternizações.
Um exemplo é o grupo Corretoras Premium, idealizado por Marcella Surlo com a consultora de RH Savana Pascoal. Com corretoras da Grande Vitória que trabalham com empreendimentos de alto padrão, o grupo, além da troca de informações, apoio entre as profissionais para realizar as vendas e negociações, ainda conta eventos de treinamento e confraternizações em datas especiais como o Dia Internacional da Mulher.
“Tivemos a ideia de fazer um almoço no Dia do Corretor, há uns dois anos, somente com as mulheres que trabalham com lançamentos de alto padrão e luxo de Vila Velha e Vitória. Houve uma época em que chegamos a 60 integrantes, mas atualmente, com a reestruturação, temos 30 corretoras integrantes”, conta.
Segundo Marcella, além da característica de ajuda profissional, na troca de informações e demandas, é um grupo feito para que elas possam se encontrar, principalmente por conta da agitação da profissão.
“É um grupo para nos ajudar profissionalmente e também para nos encontrarmos. Realizamos eventos com palestrantes das áreas de marketing, comercial e de treinamentos para nos capacitarmos. Além disso, compartilhamos notícias sobre o mercado e informações de empreendimentos e lançamentos”, diz.
Profissionalismo contra o machismo
Cada vez mais respeitadas por seu potencial e atenção aos detalhes, elas ainda se esbarram no machismo, apesar de haver uma incidência menor nos dias de hoje, como conta a corretora Rose Haddad, que está no mercado há 35 anos. Ela lembra que quando começou sua carreira, foi muito difícil por conta da aceitação dos homens de uma mulher em uma profissão que, na época, era predominantemente masculina.
Ela conta ainda que depois que saiu, trabalhou em outras empresas, focando sempre em lançamentos de alto padrão. Com uma sócia, ela relembra que foi campeã de vendas de empreendimentos de empresas que chegaram de fora do Espírito Santo e, com o tempo, percebeu que poderia ter o próprio negócio.
Atualmente, ela compartilha a sociedade com dois outros profissionais na sua própria imobiliária, que tem, inclusive, partido também para o segmento de aluguel. “Trabalhamos com atendimento personalizado, chamamos o cliente para conhecer o nosso escritório e vamos atrás do que ele precisa. Vejo que o mercado mudou muito, pois as mulheres estão dominando, pois temos paciência, desenvoltura e sabemos o que a família quer, pois atendemos com o coração. E vender alto padrão não é valor, é alcançar a satisfação do cliente”, acrescenta.
Empreendedorismo
Outra corretora que também decidiu ter a sua própria imobiliária é Rosângela Martins, outra veterana que está há 26 anos no mercado. Ela conta que tinha 37 anos quando decidiu partir para o segmento, impulsionada pelo irmão, com quem já havia trabalhado na loja dele.
“Sempre gostei dessa área de vendas, de atender as pessoas com o coração. Acho que muito disso vem da minha formação como assistente social, que me deu base para tratar bem as pessoas e entender suas necessidades. Sou a única de 10 irmãos [seis mulheres e quatro homens] que está na área”, diz.
Ela conta que decidiu abrir a própria imobiliária há seis anos e sua equipe de profissionais é composta basicamente de mulheres.
Mari Costa também decidiu abrir o próprio negócio em parceria com uma sócia, a também corretora Lilian Lara. Atualmente, a imobiliária delas tem nove corretores entre homens e mulheres. Ela conta que a necessidade de ter um local para trabalhar e atender seus clientes a motivou a abrir a própria imobiliária.
Já Lynette Feu decidiu voltar sua expertise de 16 anos como corretora para a área de vendas de uma construtora. Atualmente, ela é superintendente Comercial da Mivita e conta que tem paixão pelo mercado imobiliário e por vender imóveis.
Foco e vocação
Vocação é a principal palavra quando perguntadas sobre o motivo de escolha da profissão, como é o exemplo de Luísa Surlo, que seguiu os passos da mãe, Marcella Surlo. Luísa já faz parte da nova geração de corretoras de imóveis.
Outra profissional que descobriu sua vocação é Ivania Felippe, que é formada em Odontologia, mas nunca escondeu seu amor pela área de vendas. Ela chegou a ter uma rede de lojas de acessórios, mas enfrentou dificuldades financeiras e precisou buscar na área imobiliária uma forma de ganhar dinheiro.
Atualmente, ela divide a responsabilidade de comandar uma imobiliária com os dois filhos, sendo que um trabalha na gestão financeira e marketing da empresa e o outro decidiu seguir os passos da mãe.
Por outro lado, a corretora Marlete Borges conta que ficou um bom tempo afastada do mercado, mas retornou no ano passado. Ela tem registro profissional desde 1987 e chegou a trabalhar com empreendimentos de uma das maiores construtoras do país.