O dilema existencial "fico em casa ou vou pra rua", resultante da pandemia da Covid-19, é um paradoxo imposto a todos nós. Salvar as nossas vidas e de nossos entes queridos ou se ariscar e seguir como antes, mesmo com os casos de coronavírus em pleno crescimento? O que fazer? Qual é a decisão mais acertada?
Esta questão se arrasta desde o inicio da quarentena, mas agora, na ordem do dia, ela virou uma batalha na arena política. E o pior, grupos de extrema direita estão indo às ultimas consequências em apoio ao presidente, que de forma pública e notória defende que a vida siga como se nada estivesse acontecendo.
Por aqui, o governo do Estado, com a responsabilidade de gestor público, reunido com o gabinete de crise, cria ferramentas, como mapa de risco, boletins, faz leis e toma medidas importantes para controlar o número casos e mortes no Espírito Santo. No entanto, tomar decisões em plena pandemia não é algo fácil, mas é o papel da autoridade constituída. A conjuntura atual exige tomada de decisão rápida e capacidade de revisão das decisões tomadas, se for o caso.
A imaginação popular pode dizer que para os governos tomar decisão é algo mais fácil. Por que contam com suporte de uma equipe de técnicos de diversas áreas. Contudo, os governos sofrem pressão de segmentos da sociedade, e o que parece mais fácil se tona algo bem complexo. Um governo sério e comprometido, no mínimo, tem que ouvir a opinião publica, cumprir as leis e garantir a manutenção da ordem na sociedade.
Até por que os indivíduos reais têm dificuldade de tomar decisões até em questões simples de seu cotidiano. Para Richard H. Thaler, teórico comportamental, é falso o pressuposto de que as pessoas sempre fazem as melhores escolhas e tomam as melhores decisões. Mas, segundo ele, parece razoável dizer que as pessoas fazem escolhas em contextos nos quais têm experiência, boas informações e feedback rápido. Mas essas mesmas pessoas não fazem boas escolhas e não tomam boas decisões quando se encontram em cenários de crise, como o que estamos vivendo agora.
Em tempos de pandemia em que a vida está em risco, as pessoas com demasiada frequência esquecem até seus valores mais caros e seguem suas emoções e seus instintos, diz o filosofo Harari. É neste momento que líderes populistas e com má-fé se aproveitam da fragilidade racional das pessoas e tendem a defender modelos de governo totalitários.
Ele diz ainda, “não devemos jamais subestimar a estupidez humana, tanto no nível pessoal quanto no coletivo, os humanos são propensos a se engajar em atividades autodestrutivas”. E finaliza: “A estupidez humana é uma das forças mais importantes da história, porém, com frequência tendemos a desconsiderá-la.” Por isso, é preciso um centro de controle e comando para que as decisões sejam mais próximas da realidade.
Afinal, os problemas decorrentes da pandemia não batem só na porta de algumas pessoas. A crise financeira e existencial atingirá as pessoas em diferentes graus, mas ninguém ficará ileso. Por mais que alguns precisem mais do que outros de socorro imediato, os problemas não ficam limitados a certos grupos de capixabas. Eles atingem a todos! Como resolver problemas de crise global, como a do coronavírus, sendo que os nossos recursos locais são reduzidos e muitos privados? E com Baumann pergunto: “quem deve fazer o que deve ser feito?”
O cenário é desafiador, os recursos públicos disponíveis escassos e limitados e as decisões do governo dependem do apoio de todos. Para vencermos este desafio e passar por esta crise sem precedentes, com o mínimo de perda, está claro que é preciso a união é esforço de todos da sociedade capixaba. Só um pacto social, organizado pelo governo e pelo conjunto das instituições da sociedade, é capaz de enfrentar tamanho desafio colocado pela pandemia do coronavírus no Espírito Santo. Avancemos, pois o tempo urge e a sociedade está confusa e com receio do pode acontecer.