Passei os últimos dias lendo os especialistas nacionais e internacionais: Infectologistas, economistas, sociólogos, estatísticos, historiadores etc... Neste momento agudo, estabeleci uma rigorosa “dieta” de informações. Só vou consumir coisas que tenham “boa aparência” e “boa procedência”.
O lixo que circula indiscriminadamente pelas redes sociais tem potencial para adoecer muito mais do que o vírus. Então, depois de todas as leituras, das devidas análises e filtros, cheguei a algumas conclusões provisórias: Isto vai passar; o isolamento radical, por mais necessário que seja, não será sustentável por muito mais tempo; as perdas econômicas serão irreparáveis para alguns; aqueles que tinham liquidez acumulada ficarão ainda mais ricos e aumentarão o abismo de desigualdade; o tema da desigualdade será um dos protagonistas daqui em diante; o governo terá que dar, isto mesmo, dar dinheiro para muitos cidadãos e flexibilizar bastante o recolhimento de impostos por parte da empresas; terá que haver um aumento brutal do endividamento público e, provavelmente, expansão da base monetária (emissão primária/impressão de dinheiro); e, teremos uma disrupção para um mundo diferente – tudo indica que melhor.
Pois agora, mais do que sabemos, sentimos o que é globalização. Para aqueles com ideias nacionalistas tacanhas, anarcocapitalistas e defensores do fim do Estado tem sido uma belíssima aula prática! Imaginem esta “entidade” chamada mercado, livre para regular o preço do álcool gel ou decidir sobre isolamento... Assim, de todos os especialistas lidos, eu estava mesmo esperando o que diria o impressionante pensador Yuval Noah Harari.
Com a autoridade de quem demonstrou conhecer a história da civilização e seus rumos melhor do que ninguém, Harari diz que o que diferencia a espécie humana é a sua incrível capacidade de cooperar. “Os chimpanzés, por exemplo, só cooperam com outros de sua espécie que conhecem pessoalmente.”
Os vírus que infectaram os chineses não podem cooperar com aqueles que estão infectando o Brasil ou os EUA. Todavia, nós, os infectados, temos a fantástica capacidade de compartilhar informações e conhecimentos para vencer essa guerra planetária. O custo de oportunidade que se abre para nós é simplesmente fantástico!
Daqui há alguns meses poderá ser o momento ideal para aprovar as necessárias reformas administrativa e tributária (terão que ser amplamente revistas). Todavia, acredito que não veremos mais a costumeira lentidão. Em momentos de “pânico”, a adrenalina e a vertigem aumentam a velocidade decisória.
Será a hora de tomar todas as medidas amargas, porém necessárias. O empuxo produzido pelo momento vai galvanizar as forças reformadoras e enfraquecer as vozes contrárias. Victor Hugo foi preciso quando disse que “nada é mais poderoso do que uma ideia cujo tempo chegou”! É uma oportunidade e tanto! Vamos perder?!