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Amarildo Santos

Artigo de Opinião

É advogado especialista em Direito do Magistério
Amarildo Santos

O piso do magistério voltou ao STF e o Brasil precisa decidir quanto vale um professor

Não é possível defender educação de qualidade enquanto direitos básicos seguem sendo discutidos nos tribunais
Amarildo Santos
É advogado especialista em Direito do Magistério

Publicado em 27 de Maio de 2026 às 10:01

Publicado em 

27 mai 2026 às 10:01
O Supremo Tribunal Federal retomou neste mês um julgamento que pode redefinir a aplicação do piso nacional do magistério em todo o país. Embora o debate seja jurídico, o impacto é direto na vida de milhares de professores. O que está em discussão vai além de números. É a forma como o Brasil escolhe valorizar a educação pública.

A lei do piso existe desde 2008 e estabelece um valor mínimo para o vencimento dos profissionais da educação básica. Em 2026, esse valor passou para R$ 5.130,63 na jornada de 40 horas semanais. Ainda assim, muitos professores seguem precisando recorrer à Justiça para garantir um direito que já deveria ser cumprido automaticamente.

O STF discute agora uma questão central. O piso deve ser considerado o vencimento-base da carreira ou apenas a remuneração final do servidor, permitindo que estados e municípios utilizem gratificações e adicionais para atingir o valor previsto?

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Na prática, essa diferença muda completamente a carreira do professor. Quando o piso é “completado” com bônus e vantagens temporárias, o vencimento-base permanece baixo, comprometendo progressões, aposentadoria e direitos construídos ao longo dos anos.

Tenho acompanhado de perto a realidade de profissionais que convivem com insegurança salarial e desvalorização permanente. Muitos já naturalizaram algo que nunca deveria ser normal. A necessidade de judicializar direitos básicos.

O mais preocupante é que o problema não está na falta de legislação. O Brasil tem regras claras sobre o piso do magistério. O que existe, em muitos casos, é resistência no cumprimento da lei.
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No Espírito Santo, o cenário evidencia essa desigualdade. Enquanto algumas redes já cumprem corretamente o piso, diversos municípios ainda enfrentam questionamentos sobre a forma como aplicam a legislação. Recentemente, o Ministério Público Federal recomendou adequações em cidades capixabas, mostrando que o problema continua presente.

A decisão do STF terá impacto direto na vida de milhares de professores, incluindo os temporários, que recentemente também tiveram reconhecido o direito ao piso nacional.

Existe ainda uma consequência silenciosa nesse cenário. A desvalorização afasta profissionais da educação, aumenta a sobrecarga nas escolas e compromete a qualidade do ensino público. Não é possível defender educação de qualidade enquanto direitos básicos seguem sendo discutidos nos tribunais.

Valorizar professores exige mais do que discurso. Exige cumprimento da lei e respeito à carreira docente. Nenhum país fortalece sua educação tratando o salário do professor como um detalhe secundário.
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