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Elda Bussinguer

Entre livros, guitarras e afetos: a despedida de um professor

João Maurício, um homem sensível, aliou intelectualidade com uma sensibilidade artística invejável

Publicado em 26 de Maio de 2026 às 02:30

Públicado em 

26 mai 2026 às 02:30
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

O Programa de Pós-Graduação (PPGD) da FDV se despediu de João Maurício Adeodato, um professor excepcional, um orientador cuidadoso, rigoroso, dedicado e paciente.  Um pesquisador reconhecido internacionalmente, um intelectual refinado do qual tínhamos orgulho de dizer “é nosso professor”. 


Nunca mais o veremos caminhando pela praça da FDV, ministrando aula na sala 4, dando uma risada leve e descontraída na sala dos professores durante os intervalos. Nunca mais o teremos nas reuniões de professores com seu sotaque característico e tom conciliador, trazendo a voz da experiência e a tranquilidade de quem já viveu muito e viu de tudo na academia.  

João Maurício Adeodato, advogado e professor
João Maurício Adeodato, advogado e professor Divulgação/FDV

Pesquisador 1A do CNPq, o mais elevado grau, sempre lembrado por sua teoria retórica sofisticada e desafiadora.  Nunca mais os almoços de sexta com os alunos amigos, eternos discípulos da filosofia e da vida.  


Nunca mais as festas de final de ano e os momentos descontraídos que, apesar de poucos, foram muito intensos, nesses 26 anos de FDV.


Jamais será possível substituí-lo.  Nós não queremos substituir João Maurício. 


Sua grandeza e refinamento intelectual são insubstituíveis. Sua amizade, fidelidade e carinho por Abikair e pela FDV são características a serem lembradas com emoção e esperança de que o tempo dos afetos, do companheirismo e da fraternidade que se mantêm a despeito das intempéries e da distância, ainda vige e pode nos alimentar o espírito, devendo servir de exemplo em tempos de frágeis laços de afeição e de companheirismo. 


João Maurício, um homem sensível, aliou intelectualidade com uma sensibilidade artística invejável. 

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As guitarras, que devem estar espalhadas pela casa em Recife, servirão de doces lembranças à Cristina, que, na despedida, traz no peito uma pequena guitarra broche, como tributo ao roqueiro com quem compartilhou a vida e as delícias de viver um amor duradouro e leve, mediado por saberes e música, na medida certa. 


Nunca mais teremos a presença física de João Maurício, mas teremos seu pensamento, sua mente brilhante e refinada, difundida em sua vasta, profunda e metódica obra que continuará a chegar até nós sob a forma de livros e artigos que nos trarão lembranças do que um homem é capaz de fazer com sua inteligência, sua dedicação e sua sensibilidade. 


Para além dos livros, João ficará eternizado na memória de cada um e cada uma com quem compartilhou o mundo da vida.

Elda Bussinguer

Pos-doutora em Saude Coletiva (UFRJ), doutora em Bioetica (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitaria

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