Um grupo de artistas, produtores, agitadores culturais e empreendedores reunido no Coletivo Criativo Prainha está lançando um movimento de protesto contra a má utilização de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) que, na visão do colegiado, está “deformando” e “agredindo” o patrimônio histórico e cultural de Vila Velha.
Maior monumento religioso do Espírito Santo e símbolo do Estado e da cidade de Vila Velha, o Convento da Penha, denuncia o grupo de artistas e empreendedores, é o maior alvo das intervenções desastrosas da IA.
O tema ganhou tanta relevância que nesta terça-feira (26), às 18h30, na Pousada Vilazinha (Rua Vinte e Três de Maio, 120, na Prainha), haverá uma reunião - aberta ao público - para discutir o movimento de valorização da memória, da paisagem e da identidade cultural de Vila Velha.
“Nos últimos anos, temos acompanhado a proliferação de intervenções visuais, elementos gráficos, sinalizações, estruturas temporárias e representações imagéticas que destoam da arquitetura original do Convento e de seu contexto paisagístico. Muitas dessas ações, ainda que bem-intencionadas, acabam produzindo ruído visual, descaracterizando a leitura histórica do monumento e enfraquecendo a força estética que tornou este lugar único”, afirma o manifesto do Coletivo Criativo Prainha.
De acordo com os artistas, a representação gráfica do Convento da Penha, pela sua beleza intrínseca, não requer recursos digitais que descaracterizam o símbolo maior do povo e referência histórica dos capixabas.
“A arquitetura do Convento da Penha é resultado de uma construção histórica marcada pela simplicidade, pela proporção e pela harmonia com a natureza. Sua beleza não depende de excessos, adornos contemporâneos ou intervenções que disputem protagonismo com sua presença centenária. Pelo contrário: sua potência reside justamente na autenticidade e na relação equilibrada entre patrimônio, paisagem e espiritualidade”, destaca o Coletivo.
O grupo diz também que devem ser observados princípios para representar graficamente o santuário que recebe milhares de fiéis devotos de Nossa Senhora da Penha, padroeira do Espírito Santo: “Defendemos que toda intervenção visual relacionada ao Convento da Penha - seja física, digital, institucional, promocional ou artística - respeite princípios fundamentais de preservação patrimonial, coerência estética e valorização da identidade cultural local”.
Em resumo: a beleza natural do Convento da Penha não precisa ser apagada pela má utilização da Inteligência Artificial. Neste caso, seria uma burrice natural.
Preservar a integridade visual do Convento da Penha significa proteger não apenas uma construção histórica, mas também a memória afetiva de gerações de capixabas, peregrinos e visitantes que reconhecem naquele horizonte um símbolo de pertencimento, fé e identidade
Coletivo Criativo Prainha
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