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Pandemia

Retorno às aulas no ES: qual a importância das famílias nesta decisão?

Uma escolha com base na opinião das famílias, dos alunos e dos profissionais dará ao governo a decisão do que fazer para melhor atender a todos

Publicado em 29 de Setembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

29 set 2020 às 05:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

Fotos de sala de aula vazia - banco de imagens
Sala de aula vazia: governo autorizou o retorno das aulas a partir de outubro Crédito: Pixabay
O que parecia algo habitual em nossas ruas, no trabalho e em nossas casas definiu também um novo modo de habitar as cidades da Região Metropolitana de Vitória. Este modo de vida criou rotina, itinerários, permitiu encontros, compromissos e garantiu uma regularidade da vida na sociedade. Passaram longe deste modo de vida as características não familiar e o inabitável, que angustiam e trazem inseguranças na vida das pessoas. A condição posta pela pandemia gerou uma tensão em que o habitante da cidade foi lançado e entregue a algo novo e distante de um mundo em que, até então, tudo parecia tão certo e regular.
Agora, todos estão meio que tateando no escuro. Esta é uma tragédia sem precedentes, em que a dor e o luto andaram de mãos dadas com os capixabas, em dias terríveis que pareciam não ter fim. As consequências advindas foram e ainda são muitas. Em grau diverso, o impacto da pandemia afetou a vida afetiva, social, política e econômica de todos. Não existem respostas prontas para esta tsunami de problemas. A incerteza e a dúvida são irmãs gêmeas nesta luta diária e desafiadora das famílias no ES para se restabelecerem.
Não se trata de um discurso de terra arrasada; mas também não dá para ficar indiferente aos fatos. Por isso, é preciso perceber e entender que estamos em um cenário novo e desconhecido, e que por enquanto parece ter se tornado a nova forma de vida dos capixabas. O que exige de todos, ao se relacionarem, mudanças de atitudes e posturas para que as instituições sociais, alicerces da vida em sociedade, voltem a funcionar. Mas para avançarmos com nossas vidas, não dá para ficarmos de portas fechadas, trancafiados em nossas casas. É necessário dar passos e construir este novo modo de vida em sociedade.
Para atuarmos neste tempo difícil é preciso que a responsabilidade não recaia só nas famílias capixabas. Que por um lado, em sua diversidade de arranjos, se revelou uma instituição capaz de dar proteção, cuidado, abrigo e, acima de tudo, teve seu papel fortalecido e reconhecido como a instituição por excelência, e que com afeto acolheu e abraçou a dor do outro em tempos de penúria, tensão e angústia.
Por outro lado, o casulo familiar, que gera uma esfera de proteção e resguardo, por mais necessário que seja em tempos de obscuridade, precisa de apoio de outras instituições e do governo para conseguir suportar o peso da conta cara e pesada que a pandemia lançou sobre seus ombros.
Algumas políticas consideradas emergenciais, como o auxílio de R$ 600, política de transferência de renda do governo federal e alguns municípios, a doação de cestas básicas de alimentos e outros no âmbito financeiro apoiaram as famílias mais carentes em sua jornada de enfrentamento ao coronavírus. No entanto, os desafios continuam e afetam a vida das famílias, e outras áreas da vida em sociedade. Neste exato momento, a reabertura das escolas e a volta às aulas presenciais tem data definida pelo governo.
Esta é uma decisão que envolve de modo especial as famílias capixabas, que foram obrigadas a se adequarem da noite para o dia para transformar sua casa em espaço de aprendizagem. Por isso, este tema está na ordem do dia na vida do capixaba. A pergunta é: Este é o momento certo para voltar às aulas presenciais no ES? As famílias que mudaram as suas rotinas foram consultadas?
O governo estadual fez as regras e definiu um plano de ação relacionado à pandemia. Outros setores da vida social e econômica abriram suas portas. Há exemplos de sucesso com a volta às aulas pelo mundo, mas há exemplos trágicos. No entanto, a escola é uma instituição importante de socialização primária e as crianças e adolescentes estão distantes dos colegas neste momento. E por uma série de fatores não apresenta a mesma disposição em participar das aulas remotas, o que dificulta a aprendizagem em casa. O retorno às aulas também dá a possibilidade de retorno dos pais, mães e responsáveis ao trabalho ou alguma forma de gerar renda.
Contudo, a volta às aulas presenciais poderá favorecer ao aumento de mais casos de coronavírus e ao aumento de surtos de transmissão. A circulação irá aumentar muito. O que fazer então? Em uma sociedade organizada, pressupõe-se que temas polêmicos e que envolvem risco de vida, como o caso em questão, passem pela escuta social. A única saída mais democrática e plausível é ouvir todos os atores envolvidos.
Por isso, a melhor tomada de decisão em relação a este tema é fazer uma consulta a sociedade capixaba. Uma escolha com base na opinião das famílias, dos alunos e profissionais de educação dará ao governo a decisão do que fazer para melhor atender a todos. É preciso seguir em frente; mas é prudente ouvir quem mais sofreu com a pandemia: as famílias capixabas.

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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