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Crônica

Morre-se muito sem necessidade no Brasil: o caos reina sobre nós

A eclosão do pandemônio mostra em todas as cores a falta de equipamentos médicos, treinamentos, adiantamento de curso, insuficiência de aprendizado, o mínimo para o funcionamento de um país. E não é de hoje

Públicado em 

18 ago 2020 às 05:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Casagrande anunciou novos leitos no em Hospital do Aquidaban
Corredor de hospital do ES: situação na saúde pública também mostra um pouco da atual situação brasileira Crédito: Reprodução/Twitter
Se Deus me conceder um derradeiro pedido, eu vou lhe implorar para exilar-me em outras galáxias. Cansei. Mereço viajar de primeira classe, mas peço que o Senhor não se apresse. Apesar do caos que paira na Terra, que pretendo denunciar diretamente no confessionário, amo-a com fé e orgulho.
Não se denuncia à toa sequer um time de futebol, pois isso, por exemplo, acabou com o América do Rio de Janeiro, juntamente com o nosso grito de guerra: Sangue! Sangue! Sangue! Então, vamos aos fatos.
Não existe pena de morte no país, a não ser nas organizações criminais, cujo povo, muito bem adestrado pela miséria e a ignorância em todos os setores, ganha até da Guiné-Bissau. Vamos deixar claro que reconheço a democracia como único caminho estético das qualificações que passo a citar.
Nas favelas, lugar de toda pobreza, as ordens são obedecidas, os furtos, roubos e assassinatos, a qualquer momento, estão à vista, assim como os atuais objetos de desejo, os telefones celulares, e o que mais essa “privilegiada” população quiser.
Calculo que mais de um terço desses brasileiros está algemado nas ruas. Ir para onde? Não podem ir, não podem voltar, não podem ficar. Mas é tudo tão cínico que os tesouros que seriam da juventude retornam às mãos daqueles, que com dispêndios e manhas, aboletam-se nas grandes operações. No fundo, no fundo, impunemente.
Como vai parar lá? Meu filho, seja ingênuo, mas não exagere. Para que servem os negócios de Estado e seus lucros ilegais que cada vez ficam mais afáveis? Diz Wuliédson, meu personal-flanelinha, defendendo sua galera: “Doutor, reconheça a honestidade de um marginal, que nem eu, confessa logo de cara: 'Isto é um assalto'."
Vamos a um problema que assola o país, agora.
Até a Dilma Rousseff, em princípio, seria capaz de entender. Tragam a Dilma, pelo amor de Deus. A eclosão do pandemônio mostra em todas as cores a falta de equipamentos médicos, treinamentos, adiantamento de curso, insuficiência de aprendizado, o mínimo para o funcionamento de um país. E não é de hoje.
Minha senhora, morre-se muito sem necessidade neste querido Brasil, peca-se muito aqui. Mente-se muito aqui. E ninguém fala nesse assunto. E quando fala, não estão nem aí.
E o dinheirinho público que estava aqui? Os gatos vão continuar comendo.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, agradece o vinho de três litros recebido com volúpia.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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