“Portugal não foi à guerra, mas também não se acovardou. Cobriu as cidades com pano e escreveu por cima: Portugal mudou-se”. Inicia assim a letra de uma irônica cantiga que lembro da infância.
Tia Cecy defendia a tese que divulgava no chá-mate das cinco, segundo a qual a invasão da Ilha deu-se por acaso, por falta de ventos na direção oposta, o que teria feito de nós todos cidadãos ingleses, como ela queria.
Havia aqueles que defendiam a ideia inversa, inventando, assim, a palavra “esculhambação” governamental que vivemos, por exemplo, hoje em dia. Ora pois, se os lusos embarcaram do Tejo para o futuro Brasil, já trazendo um seleto grupo de marginais condenados à forca, que se não viessem para cá teriam que prestar contas com o Capiroto, é porque tinham intenção prévia, a principal instituir padarias e botequins, mas isso é uma outra conversa.
Havia teses que atribuíam a viagem ao apoio total de Napoleão Bonaparte, o ditador francês, que ia chegando às terras lusas. Houve um tempo em que se achava que tal invasão era a de espalhar os “capitães hereditários” pela costa da Ilha, para fazer o que bem quisessem, ontem, como hoje, exercitando a arte na qual eram um fenômeno de precisão: roubar, matar escravizar e eleger-se.
Quando olharam o Rio de Janeiro, a primeira coisa que avistaram foi a Ivete Sangalo em sua saga de ocupar todos os lugares ao mesmo tempo e espaço. Nem sei o que fizeram. Demonstrando tremenda falta de hospitalidade os donos da casa, os moradores do Rio de Janeiro, fizeram cara feia só por serem expulsos para dar lugar às autoridades de Portugal.
Notem, caros leitores, que assim como acontece com a coordenação do país, neste momento, este texto não dá a mínima para datas e sequências, cronogramas.
Nesse ponto, como nos demais, há tremendas controvérsias, contradições e contravenções. Os nossos ilustres visitantes escreviam na porta das casas que lhes apeteciam as letras P.R. Os transmarinos justificaram que eram as iniciais de Príncipe Regente.
Já a Escola de Samba Unidos de Vila Isabel traduziu como “Ponha-se na Rua”. Ainda não havia o sambódromo, porque a empresa contratada para construí-lo teve de ser substituída por roubar todo o orçamento e não deixar nada para os outros. De forma que quando o carnaval chegou teve que desfilar na Avenida Presidente Vargas, que nem havia nascido. Essa prática continua rotineira até hoje.
Alguns intelectuais defendem a tese de que a culpa de tudo foi dos torcedores do Flamengo e do Corinthians. Outros atribuíam ao Rei João, do já então Brasil, ter invadido o país para introduzir o costume de se lambuzar ao comer uma coxinha de galinha. Um fenômeno.
Seu filho, o insaciável Pedro, viria depois e comeria todas. Em Santos, não se falava em outra coisa, e olha que o Pelé já estava de olho na marquesa. Enquanto isso os portugueses achavam que estavam na Índia. E o saltitante ministro da Educação da época, usando toda a sua inteligência bineuronal, nomeou os nativos de índios.
[15:16, 16/06/2020] Rachel Martins: pronto, rs
Os nativos do Brasil, mostrando má vontade e falta de hospitalidade, recusaram-se a ser escravizados. Tal atitude bárbara obrigou os portugueses a importar e escravizar os africanos. Não se pode negar que nossos irmãos lusos nos deram a língua, principalmente D. Pedro, a bússola e a sífilis, que honramos até hoje.
Um belo dia, Dom Pedro estava com um problema sério e histórico: balançar-se em uma cadeira de balanço, recém-inventada. Para não ficar chato, tentou minimizar o problema com a histórica frase: “Isso, até uma criança faz”.
Foi aí que trouxeram Pedro II.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, compara esse texto à reunião de ministério.