Imagens registradas por moradores (veja acima) revelam os momentos de tensão vividos por quem estava no condomínio, na Praia do Suá, em Vitória, invadido por um suspeito e alvo de uma operação da Polícia Militar entre a noite de sexta-feira (15) e a madrugada de sábado (16). No vídeo, é possível ouvir mais de dez tiros, mas testemunhas contaram que houve, ao todo, 25 disparos.
Moradores do local afirmaram à reportagem que centenas de famílias ficaram expostas ao risco durante a ocorrência.
A PM explicou que uma sequência de fatos levou ao uso da arma de fogo na atuação dos militares. Equipes realizavam patrulhamento no bairro quando identificaram Derivaldo Vigano, de 36 anos, que estava com um mandado de prisão em aberto.
Durante a abordagem, o suspeito resistiu de forma agressiva e entrou em luta corporal com os agentes, conforme a corporação. A PM acrescentou que ele chegou a morder a mão de um policial e tentou tomar a arma de fogo de um dos militares, sendo necessário o uso progressivo da força para contê-lo.
Um segundo homem, de 24 anos, também avançou contra os policiais e atingiu um militar com uma pedrada na cabeça. A PM informou que, em meio à confusão, esse suspeito também tentou retirar a arma do coldre de um policial, momento em que foram efetuados disparos para cessar a agressão. O próprio militar acabou atingido na mão por um tiro durante a ação.
Após o confronto inicial, os dois suspeitos fugiram, mobilizando um cerco policial na região. O jovem de 24 anos foi localizado logo em seguida. Já Derivaldo desobedeceu às ordens de parada e continuou a fuga a pé, mesmo após o uso de taser (arma de choque) e munição de elastômero (bala de borracha).
Segundo a polícia, ele invadiu o condomínio por uma rua lateral e entrou em pelo menos dois apartamentos. No local, o homem quebrou a janela de uma das unidades. Cortinas ficaram manchadas de sangue e moradores relataram momentos de pânico.
Na sequência, o suspeito seguiu em direção à área de mata do Morro da Garrafa, onde foi visto segurando um objeto que aparentava ser uma arma de fogo.
Os militares dispararam novamente para conter o que classificaram como uma iminente agressão. O homem acabou alcançado e preso. No caminho percorrido por ele, os policiais encontraram um simulacro de arma de fogo.
Tanto Derivaldo quanto o homem de 24 anos foram detidos e encaminhados ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência (Heue), sob escolta. Os dois policiais feridos no início da ocorrência também receberam atendimento médico. A captura do foragido envolveu cerca de 50 policiais.
Madrugada de terror e quarta invasão em dois anos
“Foi uma madrugada de terror”, contou uma moradora à repórter Viviane Lopes, da TV Gazeta. Segundo relatos, muitas pessoas não conseguiram dormir após os disparos realizados durante a perseguição.
Em nota, a administração do Condomínio Residencial Sagitarius informou que esta foi a quarta invasão relacionada a fugas de criminosos em menos de dois anos. Os moradores cobram reforço no policiamento, manutenção das câmeras de videomonitoramento e melhorias na iluminação pública da região.
Segundo o condomínio, a operação policial durou cerca de 18 minutos. A administração criticou o que classificou como um “ponto cego” da segurança pública na região.
Policiamento na região
A Gazeta acionou a PM para explicar as queixas dos moradores do residencial. A corporação explica que na Praia do Suá, existe um policiamento ostensivo 24 horas por equipes da 3ª Companhia do 1º Batalhão.
Segundo o órgão, é empregado na região um reforço no número das forças militares para ações preventivas, garantindo a Indenização Suplementar de Escala Operacional (ISEO) aos profissionais. "Antes mesmo do fato mencionado, já estava previsto o reforço do policiamento no bairro por meio da ISEO", pontua.
A PM acrescenta ainda que o "bairro é contemplado pelo programa Rede Comunidade Segura, iniciativa que fortalece a aproximação entre a corporação e a comunidade, ampliando a prevenção e a troca de informações relacionadas à segurança pública."
De acordo com a corporação, as equipes estão à disposição para dialogar com toda a comunidade, inclusive com os moradores do condomínio alvo da invasão de sexta.