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Brasil

A gestão desastrosa de Bolsonaro na pandemia

O (des)governo federal não está focado em resolver os problemas atuais do país. Ao invés disso, o presidente está determinado em se reeleger a todo custo em 2022

Publicado em 20 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

20 jan 2021 às 02:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira Pablo Lira
O presidente Jair Bolsonaro durante solenidade de Ação de Graças, no Palácio do Planalto.
Relatório anual da Human Rights Watch enfatizou que Jair Bolsonaro tentou sabotar medidas contra a Covid-19 Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Brasil está sendo um exemplo negativo na gestão de risco da pandemia. São mais de 8,5 milhões de pessoas infectadas e mais de 210 mil mortes pelo novo coronavírus. O relatório anual da Human Rights Watch, diagnóstico que analisa a condição dos direitos humanos em aproximadamente 100 nações, enfatizou que Jair Bolsonaro tentou sabotar medidas contra a Covid-19.
De acordo com o citado documento, no território brasileiro, o (des)governo de Bolsonaro tem gerenciado de forma desastrosa a mais grave crise sanitária dos últimos cem anos. O relatório e os representantes da mencionada instituição destacam que desde o início da pandemia o presidente minimiza a gravidade da doença, divulga orientações equivocadas e contrárias às evidências científicas, promove aglomerações, dificulta o acesso aos dados epidemiológicos e tenta minar os esforços dos governos estaduais para implementarem medidas de mitigação e controle da Covid-19.
Um exemplo recente disso foi a tentativa do (des)governo Bolsonaro em requisitar seringas e agulhas compradas pelo governo do Estado de São Paulo. Em meio às trapalhadas, despreparo e falta de planejamento do (des)governo federal na corrida da vacinação, Bolsonaro teve a petulância de requisitar esses materiais àquele Estado que se antecipou na organização logística e de insumos para iniciar a vacinação. 
Coube ao Supremo Tribunal Federal (STF) barrar esse disparate, por meio de liminar. Por medida de segurança, o governo do Espírito Santo, que se planejou com antecedência ainda em 2020 comprando 6 milhões de seringas para a vacinação, acionou o STF para impedir uma eventual requisição por parte do Ministério da Saúde.
Insta frisar que, por conta da gestão irresponsável do (des)governo Bolsonaro, o Brasil não iniciou a vacinação contra a Covid-19 na primeira quinzena de janeiro, o que contrasta com a realidade de outros países da América Latina, como Costa Rica, Argentina e México, que já estão avançados no processo de imunização dos cidadãos. Considerando a relevância do Brasil para o mundo, o país se apequena em meio às incertezas e falta de clareza do (des)governo federal.
Em mais uma atitude irresponsável e inconsequente, Trump insuflou seus apoiadores a marcharem até congresso para intimidarem os senadores e congressistas na sessão que confirmou a democrática vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.
A tentativa de reverter o resultado das eleições na brava resultou em dezenas de trumpistas e policiais feridos, bem como na triste contabilidade de cinco mortes. Trump, covardemente, manchou com sangue de terceiros a história da democracia norte-americana.
O modus operandi de Trump de tentar se perpetuar no poder é semelhante às estratégias e táticas de outros governantes extremistas tanto do campo político de direita, quanto de esquerda. Mesmo em polos políticos opostos Trump age de forma semelhante à Hugo Chávez, Evo Morales e outros presidentes que tentaram se perpetuar no poder jogando seus apoiadores contra as instituições democráticas e/ou alterando dispositivos constitucionais.
O mau exemplo de Trump levanta um sinal de alerta para o populismo de extrema direita no mundo e no Brasil. Após a invasão do congresso norte-americano, o presidente Jair Bolsonaro fez a seguinte ameaça às instituições democráticas brasileiras: “E aqui no Brasil, se tivermos o voto eletrônico em 2022, vai ser a mesma coisa [que nos EUA]”. Esse tipo de fala e comportamento não é compatível com o cargo de chefe de Estado e deve ser repudiado pela sociedade brasileira.
Ao invés de se preocupar com os problemas atuais do Brasil, que são inúmeros, como a crise econômica, deterioração das contas públicas nacionais, aumento de desemprego, violência urbana, atraso no início da vacinação, crescimento do número de infectados e mortes pela Covid-19, Bolsonaro prefere priorizar seu projeto de se perpetuar no poder. Para ele a eleição de 2018 não acabou e o pleito de 2022 já começou. Com isso, o Brasil vai caminhando com todo vapor ao caos.

Pablo Lira

Pablo Lira Pablo Lira

Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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