Assim que os primeiros casos do novo coronavírus (Covid-19) começaram a ser registrados no Brasil, surgiu um grupo que se empenhou em tentar negar a gravidade da crise de saúde pública que estava por se estabelecer.
Tentando ecoar frase de efeito do tipo “é só uma gripezinha”, o grupo dos negacionistas buscou minimizar o problema. Com o passar do tempo e com a evolução da curva epidemiológica, esse grupo foi perdendo força. Afinal, são mais de 14 milhões de casos confirmados e 600 mil mortes pelo novo coronavírus no mundo. Em apenas alguns meses, o Brasil rapidamente passou a se destacar no topo do triste ranking da Covid-19, são mais de 2 milhões de indivíduos infectados e cerca de 80 mil mortes no território nacional.
A magnitude e intensidade da pandemia no país joga por terra os argumentos dos negacionistas. Mesmo assim, lamentavelmente, ainda hoje existem pessoas irresponsáveis que tentam fazer valer o insustentável discurso de que “é só uma gripezinha”.
Como se não bastasse, em plena pandemia, os brasileiros também estão expostos às narrativas alarmistas. Em meio à polarização de discursos, o grupo dos alarmistas tenta potencializar o problema. A crise é grave e deve ser reconhecida. Porém, os alarmistas buscam pintar um quadro apocalíptico. Essa postura também é perigosa, pois pode fomentar o pânico e a descrença na população.
Todos nós lembramos que logo no início da pandemia, muitos brasileiros se lançaram em uma corrida aos supermercados para comprar e estocar alimentos e produtos de higiene pessoal. Com o tempo, o alarde e pânico foram se dissipando e o risco de desabastecimento sendo minimizado.
Recentemente, tivemos um exemplo de narrativa alarmista que não se confirmou no Estado do Espírito Santo. No dia 4 de junho, um especialista do Estado de São Paulo fez a previsão catastrófica de que os leitos de UTI, para pacientes com o novo coronavírus, do Espírito Santo iriam lotar no dia 16 de junho.
O amigo colunista de A Gazeta, Leonel Ximenes, muito bem constatou que a “previsão de colapso de UTIs de Covid-19 no ES não se confirmou”. De acordo com o portal coronavírus.es.gov.br, em 16 de junho a taxa de ocupação dos leitos de UTI Covid-19 no Espírito Santo ficou em 82,56%, uma taxa alta, porém controlável. Desde o dia 12 de junho, essa taxa de ocupação vem reduzindo. Em 17 de julho, tal percentual diminuiu aos 76,14%.
Além de errar a previsão sobre o colapso de UTIs, o especialista paulista também se equivocou sobre a suposta causa que levaria à aludida lotação de UTIs. Segundo ele, ocorreram erros de estratégia do Estado e municípios no combate inicial à doença. Talvez por não ter acompanhado de perto o caso do Espírito Santo, o especialista não considerou que o Estado foi uma das primeiras unidades da federação a implementar medidas de distanciamento social, como a suspensão de aulas presenciais, proibição de eventos festivos e aglomerações, restrição de atividades comerciais não essenciais, instalação de barreiras sanitárias, dentre outras.
Essas ações foram colocadas em prática na metade de março, ainda quando o contagio comunitário não tinha se estabelecido no território capixaba. Em concomitância, o governo estadual seguiu com o arrojado plano de ampliação da capacidade do sistema de saúde. São mais de 1.400 leitos direcionados para o tratamento da doença. Por conta dessas ações articuladas, o Estado está conseguindo controlar a tendência de crescimento de casos ativos da Covid-19.
Não há o que comemorar em uma pandemia. Enquanto cidadãos, devemos manter uma postura equilibrada semeada pela coerência, responsabilidade e prudência. É essencial que a sociedade se mantenha equidistante do negacionismo e do alarmismo relativos à pandemia. Nada melhor do que as informações, evidências empíricas e análises científicas para balizarem o fortalecimento da responsabilidade compartilhada entre a sociedade.