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Saúde

Redução da taxa de transmissão da Covid no ES ainda não pode ser celebrada

As medidas adotadas desde o momento em que o Estado decretou situação de emergência em saúde pública, em março, estão contribuindo para que a pandemia esteja mais controlada no atual momento

Públicado em 

08 jul 2020 às 05:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Ilustração de pessoas usando máscaras e em aglomeração
Uso de máscaras ajuda a diminuir o índice de transmissão do coronavírus Crédito: Freepik
O Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE) foi criado por meio do Decreto Estadual nº 4.679-R/2020 com o propósito de produzir informações e análises que proporcionem uma melhor compreensão sobre a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O referido núcleo também busca subsidiar o planejamento das ações do governo estadual a partir da interface do Centro de Comando e Controle (CCC).
Os estudos no NIEE são desenvolvidos de forma multissetorial e interdisciplinar, reunindo especialistas e pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, como, por exemplo, ciência de dados, geotecnologias, matemática, estatística, epidemiologia, vigilância em saúde, geografia, economia e gestão de risco. Integram o núcleo estudiosos de instituições como a Secretaria de Saúde (Sesa), Corpo de Bombeiro Militar do Espírito Santo (CBMES), Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Laboratório de Epidemiologia e Departamento de Matemática da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e Laboratório Central do Estado do Espírito Santo (Lacen/Sesa).
Sob a coordenação do IJSN, o NIEE está produzindo uma série de análises e pesquisas que estão contribuindo com a produção de conhecimento aplicado à gestão de risco relativa à pandemia. Pesquisadores do mencionado núcleo participaram da modelagem e da realização das quatro etapas do inquérito sorológico da Covid-19 no território estadual.
Coordenado pela Sesa e com a colaboração da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Ufes, IJSN e Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), esse inquérito foi um dos maiores realizados no país em tempos da pandemia. Com uma base amostral robusta, mais de 23 mil pessoas foram testadas e entrevistadas no Espírito Santo. Os resultados dessa pesquisa são de extrema relevância para entender melhor os padrões e tendências da Covid-19.
A partir dos resultados do inquérito sorológico, o NIEE atualiza um conjunto de indicadores e estatísticas sobre a doença. Dentre os indicadores se destaca a taxa de transmissão da Covid-19, que também é calculada por meio de modelos matemáticos. A última atualização das taxas de transmissão sinalizou reduções nas seguintes áreas estudadas: Espírito Santo, Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) e interior do Estado (municípios não metropolitanos).
No período de 3 a 10 de abril, a taxa de transmissão do ES era de 3,46, ou seja, para cada grupo de dez pessoas infectadas, outras 35 tenderiam ser contagiadas. Entre 12 e 19 de junho, reduziu para 1,17, isto é, para cada dez indivíduos contagiados, outras 12 pessoas tendem ser infectadas. Pela sua representatividade demográfica, a RMGV influenciou o resultado observado no ES.
No início de abril, a taxa de transmissão do novo coronavírus na RMGV era de 3,61 e, em junho, diminuiu para 1,09. Nos municípios não metropolitanos, a maior taxa de transmissão foi constatada entre 10 e 17 de abril (2,73). Essa taxa também sofreu redução chegando a 1,25 entre 12 e 19 de junho.
Tais resultados sinalizam uma tendência de desaceleração da transmissão da doença no Espírito Santo. As medidas adotadas desde o momento em que o Estado decretou situação de emergência em saúde pública, em março, estão contribuindo para que a pandemia esteja mais controlada no atual momento. No ES, as estratégias de isolamento social estão sendo combinadas com uma significativa expansão da capacidade de atendimento do sistema de saúde.
As reduções nas taxas de transmissão não devem ser comemoradas. Elas indicam que estamos no caminho certo promovendo o achatamento da curva epidemiológica capixaba. Esse percurso é longo e requer perseverança e o fortalecimento de uma cultura de responsabilidade compartilhada para superarmos as adversidades trazidas pela pandemia.

Pablo Lira

É diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves. Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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