*Artigo escrito em coautoria com o Coronel BM Alexandre dos Santos Cerqueira
Diante do cenário global ocupado quase que inteiramente com assuntos voltados à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), países, Estados e municípios, bem como diversos especialistas em variadas áreas do conhecimento se empenham para desenvolver estratégias que buscam equilibrar ações a serem adotadas.
No Estado do Espírito Santo, considerando que os municípios apresentam diferentes situações de casos confirmados da Covid-19, o governo estadual buscou tratar os diferentes cenários, tendo como premissa a avaliação de ameaças de forma equilibrada com relação a cada região. Diante desse cenário, foi concebido o Mapa de Risco da Covid-19 do Espírito Santo, que passou a ser estabelecido a partir de 20/04/2020, pelo Decreto nº 4.636 e pela Portaria nº 068, da Secretaria de Saúde (Sesa), ambos de 19/04/2020.
No caso da Aglomeração da Grande Vitória, os cinco municípios são tratados em bloco (Serra, Vila Velha, Cariacica, Viana e Vitória), dado que a densidade e dinâmica demográfica constituem fatores potenciais para a disseminação da doença, vide o nível de interação social que ocorre nos sistemas de transportes metropolitanos.
A metodologia aplicada na classificação de risco leva em consideração o coeficiente de incidência de casos acumulados de infectados pelo novo coronavírus e foi concebida por especialistas do Centro de Controle e Comando (CCC). São profissionais do Corpo de Bombeiros Militar (CBMES), Defesa Civil Estadual do CBMES, Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e da Sesa. O trabalho segue diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS), recomendações publicadas nos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde, dados da Secretaria de Saúde e técnicas de gestão de risco em situação de desastres.
O modelo adotado pelo governo do Estado do Espírito Santo se consolida continuadamente a partir de alguns fatores críticos de sucesso. A adoção preventiva de medidas de isolamento em todo o Estado se deu em 5 de março, logo após o primeiro caso registrado.
Tais medidas se caracterizaram pela observação das estratégias adotadas em outros países, dado que se pode considerar que o Brasil sofreu o quarto impacto global da pandemia; preparação do sistema de saúde de forma antecipada, proporcionando uma taxa de ocupação adequada de pacientes com a Covid-19 em leitos de UTI e enfermaria; série histórica com mais de 40 dias desde o 1° caso, o que permite uma avaliação mais madura do comportamento da pandemia no Estado; pactuação com a população em diálogos transparentes com o setor privado, setor público e sociedade civil organizada; criação da Sala de Situação do Governo de Estado com discussões diárias; consolidação do Centro de Operações de Emergências (COE/Sesa); instalação do Centro de Comando e Controle (CCC) e instalação de 15 Sistemas de Comando de Operações Regionais (SCO-R) nas bases operacionais do Corpo de Bombeiros Militar do ES.
O mapeamento de risco classifica os municípios em quatro níveis de risco: baixo, moderado, alto e extremo. Para cada nível de risco são atribuídas medidas qualificadas, divididas em táticas sociais, comerciais, de transporte público e limite de município. No nível extremo, as medidas deverão ser pactuadas com a sociedade.
Para o período semanal que se iniciou no dia 27/04 foram inseridos os municípios de Bom Jesus do Norte e Fundão, no risco alto, e Aracruz, Ibiraçu, Santa Tereza, Venda Novo do Imigrante, São José do Calçado e Apiacá, no risco moderado. Já faziam parte do risco alto os municípios da Grande Vitória e Alfredo Chaves e, no risco moderado Guarapari, Anchieta, Iconha, Rio Novo do Sul, Vargem Alta, Domingos Martins, Marechal Floriano, Santa Leopoldina e Fundão. Os outros municípios estão no risco baixo.
Importante ressaltar que a (co)participação e (co)responsabilidade são elementos fundamentais na superação dessa pandemia da Covid-19. Portanto, toda a sociedade deve estar envolvida no enfrentamento dessa situação. Respeitar as normas editadas pelo Estado e seguir as recomendações, quanto às medidas de isolamento social, distanciamento, higienização local e pessoal e uso de máscaras, são comportamento que deverão ser adotados por todos e farão a diferença.
A missão não é fácil! A superação desse momento depende do compromisso de todos!
*Alexandre dos Santos Cerqueira é comandante Geral do CBMES, doutor em Administração pela Ufes e professor da UVV