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Combinação de estratégias é importante para mitigar impactos do coronavírus

Considerando o quadro crítico estabelecido no mundo, a eficácia de qualquer intervenção isolada se mostra limitada, o que suscita a combinação de múltiplas ações estratégicas para mitigar e controlar a disseminação do novo coronavírus

Públicado em 

25 mar 2020 às 05:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

Cientista estuda o novo coronavírus
Cientista estuda o novo coronavírus Crédito: Polina Tankilevitch/ Pexels
Um recente estudo do Imperial College of London analisou o impacto de intervenções não farmacêuticas para reduzir a mortalidade e as demandas de saúde decorrentes do novo coronavírus (Covid-19). A pesquisa foi coordenada pelo professor Neil Ferguson e tomou como referência os resultados de modelagem epidemiológica calculada com base em ações estratégicas implementadas pelos governos da Grã-Bretanha e outros países.
O modelo epidemiológico simulou cenários para a Grã-Bretanha considerando que o pico da disseminação da Covid-19 ocorrerá entre os meses de maio e junho de 2020. No pior cenário, caso as autoridades não tomarem nenhuma medida para conter a disseminação da doença, a demanda no sistema de saúde poderá chegar a mais de 260 leitos de UTIs por 100 mil habitantes no período do pico da pandemia do novo coronavírus na Grã-Bretanha.
No cenário que considera a suspensão das aulas nas escolas e universidades, a taxa de demanda na saúde pode diminuir para menos de 250 leitos de UTIs por 100 mil pessoas residentes no citado período. Com a implementação de intervenções de isolamento de casos suspeitos a pressão no sistema de saúde pode cair para menos de 200 leitos de UTIs por 100 mil habitantes.
A combinação de medidas de isolamento com a implementação de estratégias quarentena domiciliar tende reduzir a demanda na saúde para cerca de 140 leitos de UTI por 100 mil habitantes. A quarentena domiciliar é aquela direcionada às pessoas que moram na mesma casa de indivíduos tratados como casos suspeitos.
A conjugação dessas duas últimas ações com o distanciamento dos grupos idosos que, quando infectados, sofrem os efeitos mais graves da Covid-19 tende diminuir a procura no sistema de saúde para menos de 100 leitos de UTIs por 100 mil pessoas residentes.
O referido estudo constata que a combinação dessas medidas podem reduzir a demanda por assistência médica em 2/3 e a letalidade da Covid-19 pela metade no pico da curva epidemiológica da Grã-Bretanha. Entretanto, ainda assim seriam necessárias outras ações estratégicas para diminuir substancialmente a sobrecarga no sistema de saúde e os números de mortes. Dentre essas intervenções complementares, podemos assinalar o isolamento social, proibição de aglomerações de pessoas e restrições no funcionamento de estabelecimentos comerciais.
Com base em dados do Ministério da Saúde e da Secretaria da Saúde do Espírito Santo, em 13 de março, o governo do Estado de forma prudente, responsável e assertiva decretou situação de emergência de saúde pública, criando uma sala de situação e estabelecendo medidas para prevenção, controle e contenção de riscos, danos e agravos decorrentes da Covid-19.
Além das ações protocolares da saúde (reforço nos exames laboratoriais, tratamento médico, isolamento de casos suspeitos e quarentena domiciliar), desse dia em diante, de forma gradativa, as aulas presenciais nas escolas e instituições de ensino superior foram suspensas e medidas restritivas para a aglomeração e circulação de pessoas foram adotadas.
Mesmo antes do ES se enquadrar na condição de transmissão comunitária, quando não se sabe a origem de um caso transmitido, o setor público e a iniciativa privada estão tomando medidas estratégicas para controlar a pandemia no ES. A mídia está colaborando para manter a sociedade informada e instruída sobre formas de prevenção à disseminação da doença. Vide o guia sobre o novo coronavírus difundido pela A Gazeta. Essa é uma valiosa ferramenta de comunicação em tempos da proliferação de notícias falsas.
Considerando o quadro crítico estabelecido no mundo, a eficácia de qualquer intervenção isolada se mostra limitada, o que suscita a combinação de múltiplas ações estratégicas para mitigar e controlar a disseminação do novo coronavírus. A união de esforços vai fazer toda a diferença para que a sociedade capixaba supere a atual crise e, no final, saia mais fortalecida.

Pablo Lira

É diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves. Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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