O início de 2020 está sendo marcado pela disseminação dos casos do novo coronavírus (Covid-19). Com base na Organização Mundial da Saúde (OMS), no dia 4 de fevereiro, cerca de 21 mil pessoas haviam sido infectadas e mais 420 mortes tinham sido ocasionadas pelo Covid-19 no mundo. Naquele período, o Brasil ainda não havia confirmado casos da doença.
Passado pouco mais de um mês, na metade de março, já foram computados aproximadamente 180 mil indivíduos infectados e mais de 7 mil mortes decorrentes do novo coronavírus. No território brasileiro, foram registrados, até o dia 17 de março, um pouco mais de 300 pessoas infectadas, com uma morte relatada. A OMS classifica como pandemia essa rápida expansão de casos pelo mundo.
Esse termo pouco utilizado no cotidiano traz alguns questionamentos, como por exemplo, qual a diferença entre endemia, epidemia e pandemia? O que muda com o reconhecimento da pandemia do Covid-19? Há motivo para pânico generalizado? Quais medidas são importantes para superar essa adversidade?
De acordo com a literatura especializada da epidemiologia, demografia e geografia da saúde, uma endemia pode ser caracterizada como a ocorrência de determinada doença que acomete continuamente populações em uma área geográfica durante um determinado período de tempo.
Uma situação de epidemia pode ser definida quando ocorre um aumento descontrolado, brusco e transitório do número de casos de uma doença que acomete um significativo número de pessoas de uma região, podendo se espalhar ampliando sua distribuição espacial. De forma geral, uma pandemia é configurada quando uma doença alcança, em ampla escala de notificações, todos os continentes.
Com o reconhecimento da pandemia do Covid-19, o protocolo de identificação e controle da doença é reforçado, passando a considerar além da ocorrência de febre e outros sintomas, também históricos de contato com casos confirmados e de viagens para países que registram elevado número de pessoas infectadas e vítimas fatais.
Para subsidiar o processo de análise e tomada de decisão, a OMS, outros organismos internacionais, ministérios nacionais de saúde e secretarias de saúde podem contar com ferramentas de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) para estabelecer medidas assertivas que favoreçam o controle da pandemia.
Já citei em outro artigo desta coluna, a ferramenta desenvolvida pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, que possibilita acompanhar, em tempo real, a distribuição espacial dos casos de pessoas infectadas e mortes ocasionadas pelo novo coronavírus. Essa solução tecnológica possibilita o monitoramento da pandemia por meio de Sistemas de Informações Geográficas (SIGs). São informações que subsidiam a adoção de protocolos de controle da disseminação da doença e a tomada de decisão estratégica.
A informação precisa, consistente e no momento certo faz também toda diferença para que a sociedade adote as precauções necessárias para não agravar os riscos ou gerar um pânico generalizado. O que menos precisamos agora é de uma pandemia de pânico.
É essencial seguir as orientações do Ministério da Saúde para evitar a disseminação do Covid-19, a saber, lavar as mãos corretamente e frequentemente ao longo do dia, se possível utilizando álcool em gel 70%, mudar a forma de cumprimentar amigos e conhecidos, evitando abraços, apertos de mãos e beijos, cobrir a boca com o antebraço ou lenço descartável ao tossir ou espirrar (etiqueta respiratória), evitar aglomerações e, em caso de apresentar os sintomas da doença (tosse, febre e dificuldade respiratória), a pessoa deve procurar o posto de saúde mais próximo de sua residência.
Uma vez diagnosticada com a Covid-19, a pessoa não deve se desesperar, pois a taxa de letalidade dessa doença é baixa. Do total de casos confirmados no mundo, 3,9% evoluíram ao óbito do paciente. O indivíduo deve seguir o tratamento passado pelo profissional de saúde e respeitar eventuais medidas de isolamento hospitalar ou domiciliar.
Estudos realizados por epidemiologistas corroboram que para as pessoas com mais de 60 anos os efeitos do novo coronavírus são mais graves, o que contribui para elevar a mortalidade para aproximadamente 15%.
Seguindo as orientações para controlar a disseminação da doença estamos nos protegendo e evitando o contágio de grupos populacionais vulneráveis aos efeitos mais severos. O bom senso e a empatia também são caminhos que nos conduzirão à superação dessa pandemia.