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Datafolha

Pesquisa mostra que Flávio estancou antes de 'Dark Horse', dizem aliados de Lula; oposição minimiza

Petista e filho de Jair Bolsonaro marcam, cada um, 45% das intenções de voto no embate direto

Publicado em 16 de Maio de 2026 às 18:30

Agência FolhaPress

Publicado em 

16 mai 2026 às 18:30
Lula e Flávio Bolsonaro
Lula e Flávio Bolsonaro Agência Brasil e Edilson Rodrigues/Senado
BRASÍLIA - Aliados do presidente Lula (PT) avaliam que pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (16) indica que a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) já perdia força antes mesmo da revelação de conversas em que o senador pede dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Congressistas ligados a Flávio, por outro lado, minimizam o impacto eleitoral da revelação e dizem que ele já deu explicações para estancar a crise. Nas redes sociais, o senador publicou o resultado da pesquisa e afirmou que não irá "desistir do Brasil, não importa a farsa e as mentiras que armem contra mim".
A pesquisa mostra que Lula e Flávio se mantêm empatados pelo segundo mês consecutivo, desta vez com 45% das intenções de voto cada um na simulação de segundo turno. Outros 9% dizem que votariam em branco ou nulo, e 1% afirma que não sabe.
Os dados indicam estabilidade após o filho de Bolsonaro registrar crescimento nas intenções de voto nos primeiros meses do ano.
O levantamento foi realizado na terça-feira (12) e na quarta-feira (13), e a maior parte das entrevistas foi feita antes da revelação, pelo site Intercept Brasil, de que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro.
No diálogo revelado na quarta, Flávio pede dinheiro ao então dono do Banco Master para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas mensagens, o senador chama o então banqueiro, hoje preso, de "irmão" e cobra o pagamento de parcelas atrasadas.
O valor combinado com Vorcaro seria de R$ 134 milhões. Desse total, R$ 61 milhões foram efetivamente pagos. A produtora do filme nega ter recebido recursos do ex-banqueiro.
A Polícia Federal ainda investiga se o dinheiro foi usado para sustentar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no exterior.
O deputado federal Jilmar Tatto (SP), que coordena o grupo de trabalho eleitoral do PT, disse que a pesquisa Datafolha mostra "fadiga" da campanha de Flávio e que o grupo político de Bolsonaro está em "maus lençóis".
O petista disse ainda que as revelações sobre Flávio podem levar o senador a desistir da disputa à Presidência. "Nós estamos na ofensiva. Eles, na defensiva. Vamos observar o que vai acontecer com o Flávio, o risco de ele se desidratar tanto e ter de retirar [a candidatura", afirmou. "Trabalhamos com o cenário de que ele pode não ser o candidato."
Já o deputado Evair Vieira de Melo (PL-ES), vice-líder da oposição, diz que o caso não muda o cenário eleitoral. "Pelas circunstâncias, esse 'vaza Master' se tornou guerra de narrativas, e quem acusa mordeu o próprio rabo, então nada muda no cenário", afirmou.
Ainda que a maioria das entrevistas do Datafolha tenha sido feita antes da revelação do caso "Dark Horse", Flávio sugeriu que o episódio não teve impacto eleitoral. "Se está assim no Datafolha, imagina na vida real", declarou.
Ao comentar na publicação de Flávio, o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) afirmou que o senador está "cada vez mais forte".
Políticos de partidos aliados de Lula veem como positiva a revelação dos diálogos com Vorcaro, mas temem que o efeito seja rápido e se dissipe até a eleição. Um deles disse, sob reserva, lamentar que a revelação tenha ocorrido a cinco meses da eleição.
O deputado Jonas Donezette (PSB-SP) diz ver ainda danos para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). "Ele será instado e cobrado pelos bolsonaristas mais radicais a se manifestar. Terá um complicador político para lidar".
Sua avaliação é a de que partidos e políticos do centrão, que já preferiam transitar pela neutralidade e não se comprometer com nenhum candidato a presidente, tenderão a se manter "sem candidatura" ou atrasar o endosso a nomes nacionais.
"[A relação de Flávio com Vorcaro] é um incômodo para os aliados e tira o entusiasmo dos bolsonaristas. Até agora eles não conseguiram reverter o dano, não pela ação do PT, mas por eles mesmos estarem na defensiva".
O Datafolha deste sábado, segundo Donizette, parece confirmar que Lula não tem chances de vencer no primeiro turno e que Flávio, com o episódio Vorcaro, não tende a ganhar vantagem sobre concorrentes pela direita, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
O Datafolha realizou 2.004 entrevistas com a população brasileira de 16 anos ou mais, em todo o Brasil, em 139 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE com o código BR-00290/2026.
O levantamento aponta que o petista abriu vantagem sobre os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
Na disputa direta com Zema, Lula aparece com 46% das intenções de voto, frente a 40% do ex-governador de Minas Gerais.
Contra Caiado, o petista marca 46%, ante 39% do ex-governador de Goiás. Em ambos os casos, 13% dos eleitores dizem que votariam em branco, e 2%, que não sabem.
No levantamento anterior, em abril, Lula estava em empate técnico com Flávio, Zema e Caiado na simulação de segundo turno.
O último mês foi marcado por iniciativas de apelo eleitoral do presidente, como a revogação da "taxa das blusinhas" e a medida provisória para conter o aumento do preço da gasolina. O petista também sofreu um revés histórico com a rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal), na primeira reprovação de um nome para a corte desde 1894

Primeiro turno

Na pesquisa desta semana, no cenário estimulado de primeiro turno, o presidente aparece com 38% dos votos, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%, Zema e Caiado, com 3%, Renan Santos (Missão), com 2%, e Cabo Daciolo (Mobiliza), com 1%. Outros 9% afirmam que votarão branco ou nulo e, 3%, dizem que não sabem.

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