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Coronavírus

A importância do uso de máscaras para a mitigação da pandemia no ES

No Espírito Santo, foi decretada a utilização obrigatória de máscaras, em todo o território capixaba, como medida para enfrentamento da Covid-19. O uso delas é um fator determinante que contribuiu para controlar as curvas epidemiológicas

Públicado em 

17 jun 2020 às 05:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

^Onibus do Transcol com aviso de
Ônibus do Transcol com aviso de "use máscara": Estado aprovou o seu uso obrigatório Crédito: Carlos Alberto Silva
Artigo escrito com Alexandre dos Santos Cerqueira*
Pesquisadores de diversos campos do saber evidenciam as dificuldades de compreender os padrões e tendências da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Existem algumas incertezas sobre a disseminação da doença que ainda estão sendo esclarecidas e melhores entendidas.
A adoção do uso de máscaras faciais pela população, enquanto uma medida de mitigação, constituiu uma dessas incertezas. Logo no início da pandemia, um grupo de especialistas apontava que a utilização de máscaras pela sociedade representaria um risco ao contágio. Supostamente, o cidadão comum não saberia manusear as máscaras. Contudo, o consenso sobre a utilização desse acessório de proteção passou a se fortalecer com a rápida expansão do novo coronavírus e a falta de medidas efetivas de controle.
Com o passar do tempo, experimentos controlados em laboratórios por sensores e câmeras de altíssima resolução comprovaram a relevância da utilização das máscaras para diminuir as chances de contaminação. Em artigo científico publicado no último mês de maio, um grupo de pesquisadores da Universidade do Texas, coordenado pelo doutor em química atmosférica Renyi Zhang, constatou que a ampla utilização de máscaras foi um fator determinante que contribuiu para controlar as curvas epidemiológicas na cidade de Wuhan, na China, na Itália e em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O citado artigo considerou em sua análise os dados e tendências da doença nessas três áreas de estudo no período de 23 de janeiro a 9 de maio de 2020.
Como conclusão a mencionada pesquisa pondera que o uso de máscaras faciais se caracteriza como uma das ações mais eficazes para reduzir a transmissão. Complementa que essa prática barata, combinada com o simultâneo distanciamento social, quarentena de pessoas infectadas e rastreamento de contatos, representa um dos melhores caminhos para mitigar e controlar a pandemia.
No Estado do Espírito Santo, além da expansão da capacidade de atendimento do sistema de saúde, iniciada no início do ano, estratégias de promoção do isolamento social, como a suspensão de aulas presenciais, redução de atividades comerciais não essenciais, proibição de eventos festivos e aglomerações de pessoas, também foram implementadas na metade do mês de março. Conjugadas com essas ações, protocolos de saúde pública foram reforçados ou adequados, dentre eles a quarentena de infectados.
Por meio do trabalho integrado da Secretaria de Saúde, do Corpo de Bombeiros Militar (CBMES) e do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), no escopo do Centro de Comando e Controle (CCC) do governo do Estado, as pessoas infectadas pela Covid-19 são monitoradas no território capixaba. Esse monitoramento apresenta como propósito prestar assistência e orientações durante o período de infecção e coletar informações para o planejamento e aprimoramento da gestão de risco.
De forma complementar, o governo estadual decretou a utilização obrigatória de máscaras, em todo o território capixaba, como medida para enfrentamento da pandemia. As máscaras foram e estão sendo amplamente distribuídas nos terminais de transporte coletivo e espaços públicos por meio da ação coordenada pelo CBMES e Companhia Estadual de Transportes Coletivos (CETURB/ES). Esse acessório de proteção passou a fazer parte de nossas vidas no desenvolvimento do novo padrão de normalidade. Cabe registrar a importante contribuição do trabalho da imprensa capixaba na conscientização da sociedade sobre essa simples prática que pode fazer a diferença para suplantarmos a pandemia.
*O autor é comandante-geral do CBMES, doutor em Administração pela Ufes e professor da UVV

Pablo Lira

É diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves. Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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