Desde o início de 2020 a economia mundial sofre os efeitos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A variação do Produto Interno Bruto (PIB) da China é uma evidência disso. Na comparação do 1º trimestre de 2020 ante o 1º trimestre de 2019, o PIB chinês reduziu 6,8%. Esse foi o pior resultado de toda a série histórica daquele país, que não experimentava uma contração desde a década de 1970.
Nações europeias que conformaram a rota de propagação da doença também registraram quedas expressivas na economia. França, Itália e Espanha computaram, respectivamente, diminuições de 5,4%, 4,8% e 4,1% em seus PIBs na mesma base de comparação.
Depois da Europa, a partir de março, os Estados Unidos da América passou a constituir o epicentro da pandemia. Mesmo com um tempo menor de exposição à disseminação intensa da Covid-19, a economia norte-americana contabilizou um resultado decepcionante de 0,3%. Na comparação com o 4º trimestre de 2019, o PIB dos Estados Unidos caiu 4,8% no 1º trimestre de 2020.
O resultado do PIB, divulgado na última semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstra os efeitos iniciais da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) na economia brasileira. Os primeiros casos confirmados no país ocorreram no final de fevereiro e a redução das atividades econômicas aconteceram no decorrer de março.
Mesmo assim, o PIB do país sofreu redução de 0,3% no 1º trimestre de 2020 ante o 1º trimestre de 2019. A queda brasileira foi ainda maior quando comparado o 1º trimestre de 2020 com 4º trimestre de 2019, diminuição de 1,5% considerando a série com ajustes sazonais.
Nessa mesma base, constata-se que o desempenho da economia brasileira foi influenciada pelos recuos de 1,6% nos serviços e de 1,4% na indústria. Puxada pela safra de soja, a agropecuária, com resultado positivo de 0,6%, contribuiu para que a queda do PIB não fosse ainda maior.
Esses resultados refletem somente os primeiros efeitos da pandemia na nossa economia, que não é tão estruturada e forte como as economias norte-americana e chinesa, e demonstram também a interrupção de uma morosa trajetória de recuperação observada nos últimos três anos. O Brasil está na iminência de uma nova recessão.