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Relatório

Projeção de PIB 2020 cai de 5,89% para recuo de 6,25%, aponta Focus

O Relatório de Mercado Focus mostrou também a mediana das expectativas para o câmbio, projeções para a Selic e para o IPCA

Publicado em 01 de Junho de 2020 às 10:58

Redação de A Gazeta

Publicado em 

01 jun 2020 às 10:58
Itaú projeta PIB de 0,7% no último trimestre com efeito benéfico em 2020
Itaú projeta PIB de 0,7% no último trimestre com efeito benéfico em 2020 Crédito: Reprodução
Na esteira dos dados mais recentes de atividade, os economistas do mercado financeiro cortaram novamente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Conforme o Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira (1º), a expectativa para a economia este ano passou de retração de 5,89% para queda de 6,25%. Há quatro semanas, a estimativa era de baixa de 3,76%.
Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do Produto Interno Bruto (PIB), de alta de 3,50%. Quatro semanas atrás, estava em 3,20%.
Na última sexta-feira (29), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB recuou 1,4% no primeiro trimestre de 2020, ante o quarto trimestre de 2019. Na comparação com o primeiro trimestre de 2019, a queda foi de 0,1%
No Focus agora divulgado, a projeção para a produção industrial de 2020 foi de baixa de 3,68% para queda de 3,59%. Há um mês, estava em baixa de 2,75%. No caso de 2021, a estimativa de crescimento da produção industrial seguiu em 2,50%, ante 3,00% de quatro semanas antes.
A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2020 passou de 64,05% para 64,28%. Há um mês, estava em 62,10%. Para 2021, a expectativa seguiu em 65,20%, ante 64,98% de um mês atrás.

DÉFICIT PRIMÁRIO

O Relatório de Mercado Focus trouxe manutenção na projeção para o resultado primário do governo em 2020. A relação entre o déficit primário e o PIB este ano seguiu em 8,00%. No caso de 2021, permaneceu em 2,06%. Há um mês, os porcentuais estavam em 7,20% e 1,90%, respectivamente.
Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2020 seguiu em 12,00%, conforme as projeções dos economistas do mercado financeiro. Para 2021, seguiu em 6,00%. Há quatro semanas, estas relações estavam em 11,30% e 5,70%, nesta ordem.
O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros
Os avanços nas projeções refletem a expectativa de que, com o aumento das despesas do governo durante a pandemia do novo coronavírus, o país terá um cenário fiscal ainda mais difícil.

BALANÇA COMERCIAL

Os economistas do mercado financeiro mantiveram a projeção para a balança comercial em 2020 na pesquisa Focus realizada pelo Banco Central, em superávit comercial de US$ 45,50 bilhões. Um mês atrás, a previsão era de US$ 42,00 bilhões. Para 2021, a estimativa de superávit seguiu em US$ 45,00 bilhões. Há um mês, estava em US$ 42,00 bilhões.
No caso da conta corrente, a previsão contida no Focus para 2020 permaneceu em déficit de US$ 28,10 bilhões, ante US$ 38,00 bilhões de um mês antes. Para 2021, a projeção de rombo seguiu em US$ 38,40 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 44,00 bilhões.
Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será suficiente para cobrir o resultado deficitário nestes anos. A mediana das previsões para o IDP em 2020 foi de US$ 65,00 bilhões para US$ 64,00 bilhões. Há um mês, estava em US$ 70,00 bilhões. Para 2021, a expectativa passou de US$ 76,00 bilhões para US$ 75,00 bilhões, ante US$ 80,00 bilhões de um mês antes.

PROJEÇÃO DO CÂMBIO

O Relatório de Mercado Focus mostrou manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano seguiu em R$ 5,40, ante R$ 5,00 de um mês atrás. Para 2021, a projeção para o câmbio foi de R$ 5,03 para R$ 5,08, ante R$ 4,75 de quatro pesquisas atrás.

SELIC

Os economistas do mercado financeiro mantiveram suas projeções para a Selic (a taxa básica da economia) no fim de 2020. O Focus trouxe nesta segunda-feira (1º) que a mediana das previsões para a Selic neste ano seguiu em 2,25% ao ano. Há um mês, estava em 2,75%.
Já a projeção para a Selic no fim de 2021 foi de 3,29% para 3,38% ao ano, ante 3,75% de quatro semanas atrás. No caso de 2022, a projeção seguiu em 5,13%, ante 5,50% de um mês antes. Para 2023, permaneceu em 6,00%, igual a quatro semanas atrás.
No início de maio, ao cortar a Selic de 3,75% para 3,00% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou que, para a próxima reunião, "considera um último ajuste, não maior do que o atual, para complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências econômicas da pandemia da covid-19". "No entanto, o Comitê reconhece que se elevou a variância do seu balanço de riscos e ressalta que novas informações sobre os efeitos da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos", ponderou o colegiado.
No grupo dos analistas que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo no Focus, a mediana da taxa básica em 2020 seguiu em 2,25% ao ano, ante 2,50% ao ano de um mês antes. No caso de 2021, permaneceu em 2,88% ao ano, ante 3,88% ao ano de quatro semanas atrás.
A projeção para o fim de 2022 no Top 5 seguiu em 6,00%. Há um mês, estava no mesmo patamar. No caso de 2023, permaneceu em 6,00%, igual ao visto quatro semanas antes.

IPCA

Os economistas do mercado financeiro cortaram novamente a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - em 2020 e 2021. O Relatório de Mercado Focus apresenta também a mediana para o IPCA neste ano foi de alta de 1,57% para 1,55%. Há um mês, estava em 1,97%. A projeção para o índice em 2021 passou de 3,14% para 3,10%. Quatro semanas atrás, estava em 3,30%.
O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2022, que seguiu em 3,50%. No caso de 2023, a expectativa permaneceu em 3,50%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,50% para ambos os casos.
A projeção dos economistas para a inflação já está bem abaixo do centro da meta de 2020, de 4,00%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). Já a meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%).
A expectativa de inflação no curto prazo tem sido bastante afetada pela perspectiva de que, com a pandemia do novo coronavírus, a atividade econômica seja fortemente prejudicada, com impactos negativos sobre a demanda por produtos e baixa da inflação.
Em maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA recuou 0,31% em abril - o menor índice desde agosto de 1998. No acumulado do ano, a taxa está positiva em 0,22%.
No Focus de hoje, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2020 foi de 1,33% para 1,31%. Para 2021, a estimativa do Top 5 seguiu em 3,00%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 1,36% e 3,20%, nesta ordem.
No caso de 2022, a mediana do IPCA no Top 5 permaneceu em 3,50%, igual ao visto um mês atrás. A projeção para 2023 no Top 5 seguiu em 3,38%, ante 3,50% de quatro semanas antes.

ÚLTIMOS 5 DIAS

Em meio aos efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia, a projeção mediana para o IPCA de 2020 atualizada com base nos últimos cinco dias úteis foi de 1,53% para 1,65%. Houve 40 respostas para esta projeção no período. Há um mês, o porcentual calculado estava em 1,82%.
No caso de 2021, a projeção do IPCA dos últimos cinco dias úteis foi de 3,20% para 3,22%. Há um mês, estava em 3,25%. A atualização no Focus foi feita por 37 instituições.

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