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É doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo, pesquisador do Instituto Jones dos Santos Neves e professor da UVV. Escreve às quartas

Combinação de saúde e isolamento social causa menos impactos à economia

Estados que combinaram ações de isolamento social com a concomitante expansão da capacidade de atendimento do sistema de saúde encontram-se em situação de maior controle da pandemia e sofrendo menos com os impactos econômicos

Publicado em 13/05/2020 às 05h00
Atualizado em 13/05/2020 às 05h02
Pandemia de coronavírus: saúde e economia de mãos dadas
Pandemia de coronavírus: saúde e economia de mãos dadas. Crédito: Divulgação

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) vem engendrando impactos no sistema de saúde, nas relações sociais e na economia de centenas de países. Foi assim no epicentro da doença na China em janeiro de 2020. Depois de algumas semanas, com o deslocamento do epicentro para a Europa, tais impactos foram observados sobretudo na Itália e Espanha.

Atualmente, os Estados Unidos sofrem mais intensamente com os efeitos da pandemia em seu território, a saber, cerca de 1,3 milhão de pessoas infectadas e mais de 80 mil mortes pela Covid-19. Além disso, o cotidiano de várias cidades norte-americanas foi alterado com o fechamento de parques, áreas de lazer e estabelecimentos comerciais.

Dentre os setores econômicos, o terciário acumula perdas significativas. A taxa de desemprego daquela nação alcançou 14,7% no mês de abril, nível semelhante ao registrado na grande depressão dos anos 1930. Desde meados de março, aproximadamente 26,5 milhões de indivíduos solicitaram auxílio-desemprego nos Estados Unidos.

No Brasil, que registrou o primeiro caso da doença no final de fevereiro, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam sinais de impacto da pandemia no mercado de trabalho. No primeiro trimestre de 2020, a taxa de desemprego do Brasil foi de 12,2%, o que representa 12,8 milhões de desempregados no país.

Essa taxa de desemprego é inferior à taxa apurada no primeiro trimestre de 2019 (12,7%). Contudo, cabe ressalvar que a intensificação dos casos da Covid-19 registrados no país ocorreu a partir do mês de março. Logo, desdobramentos mais consideráveis no mercado de trabalho provavelmente serão capturados pela mencionada pesquisa no segundo trimestre de 2020.

De acordo com as projeções do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), o país fechará o ano de 2020 com uma taxa média de desemprego de 17,8%. Um aumento expressivo, considerando que em 2019 essa taxa ficou em 11,9%.

Um dos setores econômicos mais afetados pela pandemia é o terciário. Segundo a literatura especializada do campo da epidemiologia e geografia da saúde, até que seja desenvolvida uma vacina para a Covid-19, as medidas não farmacêuticas constituem as principais alternativas para controlar o crescimento de novos casos. Dentre essas estratégias, o isolamento social vem contribuindo para desacelerar a disseminação de casos da doença nos Estados.

Dessa forma, Estados que de forma preventiva e responsável combinaram ações de isolamento social com a concomitante expansão da capacidade de atendimento do sistema de saúde encontram-se em situação de maior controle da pandemia. Nesses Estados, a economia e, especificamente, o setor terciário, estão apresentando as menores perdas na perspectiva do faturamento.

Com base no Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) constata-se que os Estados mais afetados pela pandemia, bem como apresentam seus sistemas de saúde comprometidos, registraram em março e abril os piores resultados no faturamento do varejo ampliado e serviços. Nesse contexto, Amazonas, São Paulo e Ceará contabilizaram, respectivamente, reduções de 49%, 48% e 47% em seus faturamentos nos citados segmentos.

Todas as Unidades da Federação (UFs) computaram diminuições no ICVA, porém em alguns Estados os impactos econômicos da pandemia foram mitigados. Tocantins evidenciou a menor queda do ICVA (-17%). O Espírito Santo apresentou uma redução de 33% no faturamento do varejo ampliado e serviço, situando-se no grupo dos 12 Estados com as menores perdas.

Se consideramos outro indicador, o Índice de Vendas do Comércio Varejista (IGet), do Banco Santander, identificamos que o Espírito Santo registrou o segundo menor prejuízo no comércio varejista entre as UFs, na comparação de março com fevereiro de 2020 entre as UFs. Nessa base de comparação, o comércio varejista capixaba contabilizou um prejuízo de 8,8% nas vendas. A maior perda foi computada na Paraíba, com IGet de -41,6%.

Como visto, a pandemia gera impactos no sistema de saúde, relações sociais e economia. O isolamento social é uma alternativa que contribui para controlar a disseminação da doença e amenizar seus impactos. A situação é difícil para todo mundo e demanda a integração de esforços dos governos, setor privado e a sociedade.

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