Março de 2021 foi o mês mais mortal do coronavírus no Brasil. Desde o início da pandemia, o país acumulou mais de 12,7 milhões de infectados e mais de 321 mil mortes pela Covid-19. Foram registrados cerca de 67 mil óbitos pela doença nesse mês. Em 31 de março, o Brasil bateu pela 6ª vez seguida o recorde da média móvel de óbitos, chegando a 2.971 mortes nos últimos sete dias. Naquele dia foram computados 3.950 óbitos pela doença. São quase 4 mil vidas perdidas por dia!
Segundo dados analisados pelo GBD (Carga Global de Doenças), a Covid-19 é a principal causa de morte brasileira. Enquanto o coronavírus mata mais de 3 mil pessoas por dia, as doenças cardiovasculares demandam três dias para matar 3 mil indivíduos. As neoplasias (todos os tipos de cânceres) levam cinco dias para matar 3 mil pessoas. Seguindo essa mesma medida de comparação, as infecções respiratórias (todas, excetuando a Covid-19), violência interpessoal, acidentes viários e HIV/Aids demoram, respectivamente, 13, 19, 28 e 82 dias para levarem a óbito 3 mil indivíduos.
Mesmo assim, muitas pessoas ainda continuam não acreditando na gravidade e nos riscos trazidos pelo coronavírus. Há um ano, em 20 de março de 2020, o presidente Bolsonaro afirmou publicamente: “[...] não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, tá ok?”. Quatro dias depois, o presidente disse em pronunciamento de rádio e TV: “No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho”.
Em um ano de pandemia, sobram falas estapafúrdias por parte do presidente Bolsonaro, que insiste em negar a gravidade da crise sanitária que destaca, neste momento, o Brasil como o epicentro da pandemia. Faltam ações concretas e efetivas para gerenciar os riscos da Covid-19 de forma coordenada nacionalmente, como por exemplo a aceleração do processo de vacinação.
Ao invés de adotar uma postura de chefe de Estado na missão de preservar e zelar pela vida dos brasileiros, Bolsonaro demonstra reiteradamente um comportamento desequilibrado, contraditório e desrespeitoso com o povo, especialmente as centenas de milhares de famílias que perderam um ente querido pelo coronavírus. O presidente chegou ao ponto de afirmar que “Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas”.
Suas falas repugnantes ainda reverberam em um grupo de seguidores negacionistas. Este é um grupo pequeno, porém barulhento. Entretanto, o grupo de seguidores de Bolsonaro está reduzindo frente ao aumento de sua rejeição. Segundo a pesquisa Datafolha, realizada na metade de março de 2021, a rejeição a Bolsonaro na gestão da pandemia alcançou o recorde de 54%, ou seja, este percentual de pessoas entende a mencionada gestão como ruim ou péssima.
Ainda há esperança em continuar acreditando em um país sem polarização, radicalização e negacionismo. O Brasil não é um país de maricas!
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta