Depois de um ano dos registros dos primeiros casos do novo coronavírus no território nacional, o Brasil se projeta negativamente para o mundo como o atual epicentro da pandemia. Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, até o último dia 27 de março, cerca de 12 milhões de pessoas foram infectadas e mais de 310 mil brasileiros perderam a vida para a Covid-19.
Em 26 de março, o país bateu o triste recorde de óbitos pelo coronavírus em 24 horas, foram 3.600 mortes, o pior dia da pandemia! Das 27 Unidades da Federação (UFs), 20 apresentaram aumento na média móvel de óbitos. Várias dessas UFs chegaram ao colapso do sistema de saúde.
Se não bastasse a incompetência e gestão desastrosa durante a pandemia, em meio a esse cenário calamitoso, o presidente Bolsonaro ainda teve a desumana petulância de imitar um paciente de Covid-19 com falta de ar, em uma de suas transmissões ao vivo pelas redes sociais no dia 18 de março.
Justamente no momento em que o país vive o pior e mais preocupante período da pandemia, o presidente insiste em politizar e tensionar seus seguidores alienados contra governadores, prefeitos e instituições democráticas, como o Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro chegou ao ponto estapafúrdio de mover uma ação no STF que tentava derrubar os decretos estaduais da Bahia, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, que objetivavam ampliar o distanciamento social e desacelerar o contágio do coronavírus.
A certeza do fracasso da ação no STF era fato. Bolsonaro contava com sua derrota no STF para tentar jogar no colo de terceiros a incompetência do seu (des)governo na pandemia. Não passa de mais uma tática sorrateira de politizar a pandemia e polarizar ainda mais o país.
Não podemos esquecer que em plena crise da Covid-19, estamos no quarto ministro da Saúde. Diante da ausência do equilíbrio de uma coordenação nacional na gestão de risco da pandemia, os brasileiros estão tendo os medos e riscos da contaminação potencializados. De acordo com pesquisa Datafolha de 16 de março, 79% dos brasileiros entendem que a pandemia está fora de controle e 82% temem ser contaminados.
O momento atual demanda uma união nacional em favor da preservação de vidas e imunização em massa dos brasileiros.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta