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Apaixonada por vinhos, Nádia Alcalde é jornalista, sommelière e consultora. Escreve sobre o universo da bebida, antenada com lançamentos, tendências e notícias.

Ícone de Portugal, Vinho Verde pode ser tinto, branco ou rosé

Estilo produzido em uma região demarcada e bastante verdejante às margens do Rio Minho combina com o nosso clima tropical

Publicado em 01/12/2021 às 02h00
Taça de vinho verde tinto na região do Vale do Douro, em Portugal
Os Vinhos Verdes estão entre os mais antigos da Europa. Crédito: Shutterstock

Parece óbvio esperar que a cor dos Vinhos Verdes seja verde. Afinal, a própria denominação desses ícones portugueses já nos leva a pensar assim. Porém, no universo da bebida, nem sempre a expectativa tem a ver com a realidade, então, não se espante caso encontre por aí um vinho verde que seja também tinto, branco, rosé ou até um espumante.

Vinho Verde não se trata apenas de um vinho, mas de uma região bastante verdejante localizada às margens do Rio Minho, no noroeste de Portugal. É lá que são plantadas as vinhas, e por isso o batismo de Vinho Verde.

Em uma outra explicação, o nome "verde" se dá por conta da forma com que os vinhos são elaborados. Em geral, os rótulos passam por um curto processo de maturação das uvas e também por um breve período de armazenamento do líquido antes de ser engarrafado. 

Estamos falando de uma D.O.C – Denominação de Origem Controlada, ou seja, só são denominados Vinhos Verdes aqueles produzidos dentro da região demarcada. Todo controle e certificação são realizados pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV). Se você tiver um vinho verde aí na sua adega, procure na garrafa esse selo de garantia, que é registrado desde 1959.

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PRODUÇÃO ANTIGA

Parece muito tempo, mas bem antes dessa data já se fazia Vinho Verde. O Entre Douro e Minho, como é conhecido tradicionalmente o local, é uma das regiões vitivinícolas portuguesas mais antigas que existem.

A Europa segue firme sendo a maior compradora de vinho português e, especificamente, de Vinho Verde, desde o século XVI. A D.O. do Vinho Verde é a segunda mais exportada para a Europa, atrás apenas da do Vinho do Porto.

No Brasil, também aumentamos bastante o consumo desse estilo. Um levantamento realizado no segundo semestre de 2020 mostra que, em um determinado período, registramos uma média de 2,81 litros consumidos por pessoa, um aumento de cerca de 39% em relação ao ano anterior.

O sucesso e a tendência para que esse número aumente ainda mais são consequência da diversidade e dos estilos possíveis do Vinho Verde. As diferenças de tipo de solo e de microclima proporcionam rótulos variados: tanto vinhos leves que harmonizam com nosso clima tropical como vinhos verdes elegantes, aromáticos, estruturados e ricos, que surpreendem ao acompanhar pratos com sabores mais fortes.

Cada garrafa sempre vai carregar o estilo marcante com as características de cada sub-região - são nove, ao todo, com diversas castas autorizadas. É muita informação! Mas para facilitar esse entendimento, e também a sua próxima compra, listei abaixo as principais uvas e características quando o assunto é Vinho Verde.

VINHO VERDE BRANCO

  • Castas: Alvarinho, Arinto, Avesso, Azal, Loureiro e Trajadura. 
  • Nariz: frutado, floral e elegante.
  • Boca: vinho jovem, de leve e fresco a mineral, complexo e estruturado.
  • Temperatura de serviço: de 8º a 12ºC.

VINHO VERDE ROSÉ

  • Castas: Espadeiro, Padeiros.
  • Nariz: jovem e lembra frutos vermelhos.
  • Boca: harmonioso, refrescante e persistente.
  • Temperatura de serviço: de 10º a 12ºC.

VINHO VERDE TINTO

  • Casta: Vinhão.
  • Nariz: discreto, com destaque para frutos silvestres.
  • Boca: fresco e intenso.
  • Temperatura de serviço: de 12º a 15ºC.

3 DICAS DA COLUNISTA

  1. 01

    Casal Mendes (branco)

    Da linha bom, bonito e barato, esse é um rótulo festivo, ideal para ocasiões descompromissadas e costuma agradar a todos. A marca Casal Mendes existe desde os anos 1980 e utiliza duas vinhas na região da D.O.. Além dessa proposta que sugiro aqui, a vinícola também elabora vinhos mais estruturados. Esse é fresco, elegante, bastante frutado e ligeiramente ácido. Tem um dulçorzinho também. A ideia é servi-lo bem gelado para harmonizar com os dias quentes. Quanto: R$ 46,80, no supermercado Perim, na Grande Vitória. (27) 99840-3056.

  2. 02

    Quinta da Lixa (rosé)

    Rosé feito com Touriga Nacional e Espadeiro. Seus aromas de morango e groselha são bem vivos. Tem notas florais, boa acidez e muita fruta fresca. É um demi-sec com açúcar discreto,  um achado das terras portuguesas. Jovem e delicado, deve ser servido gelado, como coquetel ou drinque de beira de piscina. Pode acompanhar aperitivos leves, como bruschettas. Levemente gaseificado, é fácil de beber e tem baixo teor alcoólico. Quanto: R$ 43,90, nos supermercados Carone, na Grande Vitória. (27) 3399-3000.

  3. 03

    Estreia (tinto)

    Para quem ficou curioso a respeito dos vinhos verdes tintos, esse é uma boa dica. Ao provar a uva Vinhão pela primeira vez, espere mesmo algo bem diferente. O vinho tem taninos leves, bastante acidez e um elevado nível alcoólico. Seus aromas lembram madeira molhada e frutas silvestres, e traz um toque herbáceo que vai bem com molhos à base de coentro, salsinha e cheiro verde. Quanto: R$ 55, no Magazzino Fioravante, em Santa Teresa. (27) 99984-9020.

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Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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