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Apaixonada por vinhos, Nádia Alcalde é jornalista, sommelière e consultora. Escreve sobre o universo da bebida, antenada com lançamentos, tendências e notícias.

Vinhos finos no ES: o que esperar das vinícolas de Pedra Azul

Fique por dentro do cultivo de uvas viníferas na região, realizado pela Cave Rara, em Venda Nova, e pela Carrereth, em Aracê

Publicado em 17/11/2021 às 16h22
Vinho Syrah produzido na vinícola Carrereth, em Pedra Azul
Vinho Syrah produzido na região de Pedra Azul. Crédito: Vinícola Carrereth/Instagram

Nas montanhas capixabas, a região de Pedra Azul é famosa por suas pousadas e restaurantes acolhedores, e em breve será também por seus vinhos. Já tem um tempo que apaixonados pela bebida investigam e investem na melhor forma de se cultivar uvas viníferas por lá.

As plantações de café, tão características das cidades no entorno da pedra,  já dividem espaço com videiras para a produção de vinhos de mesa. A ideia agora é elaborar também vinhos finos, e as uvas adequadas para essa produção requerem mais cuidado e atenção.

É através da poda invertida, ou dupla poda, que o cultivo de uvas viníferas torna-se possível. A técnica já é aplicada em Minas Gerais, São Paulo e até mesmo aqui no Espírito Santo, em vinícolas de Santa Teresa, como já contei na coluna.

Empenhado em fazer com que isso dê certo, o empresário Gustavo Vervloet, dono de uma propriedade em São José do Alto Viçosa, em Venda Nova do Imigrante, fundou a vinícola Cave Rara. O projeto teve início em 2017, e Gustavo conta que, antes de aventurar-se pelo mundo do vinho, houve muito estudo e planejamento.

“Fiz questão de conhecer de perto o trabalho realizado na Serra da Mantiqueira, que investe bastante em tecnologia para driblar as condições climáticas e produzir vinhos de excelente qualidade”, conta o empresário, fã dos vinhos paulistas.

O empresário Gustavo Vervloet na vinícola Cave Rara, na região de Pedra Azul
Gustavo Vervloet fundou a vinícola Cave Rara em 2017. Crédito: Gustavo Vervloet/Instagram

Gustavo também trouxe de lá os responsáveis pelo trabalho, como o agrônomo Murilo de Albuquerque Regina, mestre em viticultura pela Universidade de Bordeaux e criador da técnica de dupla poda, e o enólogo chileno Christian Bernardi, responsável por vinificar os grandes vinhos da Serra da Mantiqueira.

A dupla poda é realizada no período oposto ao considerado ideal, e por isso também é chamada de poda invertida. Enquanto na Região Sul as uvas são colhidas no verão, aqui no Sudeste a colheita acontece no inverno. Isso permite que os frutos amadureçam durante o outono, que tem dias ensolarados e secos e noites frias.

AMADURECIMENTO

O objetivo, com isso, é fugir do período chuvoso no momento do amadurecimento das uvas. “O excesso de chuvas pode diluir o sabor do fruto, e o que queremos alcançar é uma maior concentração de sabor para refletir em um vinho que apresente a expressão da uva, e que tenha também complexidade, com riqueza de guarda”, comenta Gustavo.

Na Cave Rara, há 2.500 mudas plantadas, sendo 2.100 da variedade tinta Syrah, a que melhor se adaptou ao solo argiloso da região. A outra uva cultivada por lá é a branca Sauvignon Blanc. Neste ano foi realizada a primeira colheita da vinícola, que está agora no processo de vinificação e tem previsão de lançar seus primeiros vinhos em abril de 2022.

BONS RESULTADOS

Outra vinícola que vem se destacando nos arredores da Pedra Azul é a Carrereth, situada em Aracê, a 20km da Cave Rara. Em 2019, seus produtores realizaram uma microssafra experimental, também com a variedade Syrah, e ficaram muito felizes com o resultado.

O viticultor responsável, Rodolpho Carrereth, explica que tudo na vinícola é feito de forma bem criteriosa. “O vinho de dupla poda exige muito trabalho, o que no geral é realizado uma vez por ano. Aqui nós realizamos duas vezes, e tudo manualmente. Isso exige muita mão de obra, que a gente vem treinando para realizar esse trato cultural com a videira. É um trabalho diferenciado para que tenhamos um vinho de alta gama e o melhor possível na Região Sudeste”, diz Rodolpho.

Uvas da vinícola Carrereth, na região de Pedra Azul
Uvas cultivadas na vinícola Carrereth, localizada em Aracê. Crédito: Carrereth/Divulgação

Na produção, o viticultor conta com o suporte da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), que acompanha de perto o cultivo e é também a responsável por vinificar a Sauvignon Blanc colhida este ano. A avaliação técnica do vinho já foi realizada por especialistas da área, que o provaram e aprovaram.

“Identificamos nele características florais, frutadas, como o tradicional aroma de maracujá que essa cepa normalmente apresenta, e também muito melão, limão, pera e ervas. Tem ainda uma boa persistência gustativa, sendo muito fresco e fácil de degustar”, comenta o sommelier e professor Franklin Pinheiro.

Vinhedo na vinícola Carrereth, na região de Pedra Azul
Vinhedo da Carrereth, que já está vinificando Sauvignon Blanc . Crédito: Carrereth/Divulgação

O vinhos de Sauvignon Blanc da Carrereth já estão em processo de produção e devem chegar ao mercado em fevereiro de 2022. Já os tintos demandarão um pouco mais de tempo para estabilizar, e a expectativa é de que fiquem prontos entre abril e maio do ano que vem.

Tanto a Carrereth quanto a Cave Rara pretendem abrir futuramente para visitação, e assim o público poderá conhecer toda a produção e vivenciar a experiência de elaboração dos vinhos. Já estamos encantados com o trabalho desses produtores e ansiosos pelos resultados. Que as videiras deixem ainda mais linda a paisagem de Pedra Azul!

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Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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